Por que você deveria ouvir falar mais sobre o ex-santista Felipe Anderson

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

  • Ettore Ferrari / AP

Quando Felipe Anderson deixou o Brasil, em 2013, pouca gente ligou. Terceiro meia revelado pelo Santos a deixar o clube em quatro anos, estava à sombra de Ganso, que tinha acabado de ser vendido para o São Paulo, e Neymar, então o grande nome do Santos e futebol brasileiro.

Três temporadas e meia depois e aquele jogador que irritava a torcida santista com lances geniais e longos períodos longe da bola mudou. Ele é estrela da Lazio, um dos melhores jogadores do Campeonato Italiano e alvo de grandes clubes do mercado. Mesmo tendo, nessa temporada, perdido um pouco do faro artilheiro.

Melhor armador do Italiano

Para começar, é bom deixar claro que o Felipe Anderson da Lazio não é o mesmo meia do Santos. Desde que chegou à Itália, ele mudou de posição, deixando o centro do meio-campo para as laterais. Em sua melhor temporada (2014/2015), ele marcou dez gols e deu 11 assistências jogando na ponta esquerda. Hoje, é dono do lado direito do meio-campo da Lazio, jogando da ala, atuando mais defensivo, até a ponta, preocupado apenas em buscar o gol.

O resultado disso é uma participação maior nas partidas. Hoje, ele realiza 41,3 passes por partida no Campeonato Italiano, contra 26,1 na temporada 15/16 e 29,2 em 14/15. Somado a uma distância maior da área rival, ele está balançando menos vezes as redes. Foram apenas dois gols em 17 partidas até agora. O contraponto, porém, são as assistências.

Ele já deu sete passes para gol na temporada. Só o espanhol Callejon, do Napoli, fez mais, com oito. A importância dessas assistências para cada equipe, no entanto, é diferente. Callejon tem a companhia de Hamsik (7 assistências) na criação e o Napoli já marcou 45 vezes. Enquanto isso, na Lazio, o brasileiro é a figura central, responsável pela criação de um a cada cinco gols da equipe.

Marcação virou diferencial

Mas não é só isso que faz o brasileiro se destacar. Desde a saída do lateral/meia Candreva, vendido para a Inter de Milão, Felipe Anderson ganhou mais responsabilidades na Lazio. Principalmente defensivas. Isso quer dizer que o jogador, que antes só se preocupava em jogar com a bola nos pés teve de aprender a defender. E está fazendo bem a função.

Com 3,4 desarmes (tackles) por partida, ele é um dos destaques da estatística no Campeonato Italiano. Só três jogadores desarmam mais do que ele na competição. E todos são volantes: Parolo (Lazio) e Kums (Udinese), com 3,6, e Brugman (Pescara), com 3,5.

Clubes ingleses de olho

Essa versatilidade compensou a queda no número de gols marcados e manteve o brasileiro como um nome importante no mercado de transferências europeus. No meio de 2016, ele ficou muito próximo de ir para o Manchester United, mas a Lazio negou ofertas altas – alguns veículos de imprensa europeus falaram até em 50 milhões de libras (quase R$ 200 milhões).

Atualmente, o Chelsea aparece como um dos interessados. Olhando para a escalação do técnico Antonio Conte, faz sentido. O italiano tem usado Moses na ala direita do time e Pedro na ponta direita. Felipe Anderson, nessa temporada, atuou (bem) nas duas funções. Além disso, com a saída de Oscar para o futebol chinês e o interesse que o belga Hazard deve gerar na janela de meio de ano, o clube londrino pode precisar de opções para o setor.

Ajuda, também, a troca de empresários. No começo de 2016, Felipe Anderson passou a ser jogador de Giuliano Bertolucci. Segundo o jornal italiano Gazzetta dello Sport, ele tem uma forte ligação com o iraniano Kia Joorabchian (o mesmo que passou pelo Corinthians), influente no mercado inglês – e principalmente no Chelsea.

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