Bruno Rodrigo se declara ao Cruzeiro, relembra Santos e fala sobre Atlético

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Juliana Flister/Light Press/Cruzeiro

    Bruno Rodrigo se despediu do Cruzeiro no fim da temporada passada

    Bruno Rodrigo se despediu do Cruzeiro no fim da temporada passada

Bruno Rodrigo encerrou, em dezembro passado, uma passagem de quatro anos pelo Cruzeiro. Na despedida do clube, a emoção tomou conta. O choro na beira do gramado do Mineirão ficou marcado. Em tom de saudosismo, o defensor concedeu entrevista exclusiva ao UOL Esporte e assegurou que o Campeonato Brasileiro 2014 foi o título mais importante do currículo, que conta inclusive com uma edição de Libertadores pelo Santos, em 2011.

"Eu acho que, para mim, o Campeonato Brasileiro (foi o mais gostoso de ganhar). A Libertadores é mais importante, mas principalmente o bicampeonato brasileiro. Vencer um ano e, depois, ganhar esse título em outro ano. Todos querem bater o campeão, o líder", afirmou à reportagem.

Em pouco mais de 30 minutos de entrevista, o zagueiro que está sem clube falou sobre o desejo de encontrar um time competitivo para a atual temporada e não descartou uma mudança para o Atlético-MG, clube que iniciou conversas com seus empresários em dezembro passado. Confira o bate-papo na íntegra:

Existe a possibilidade de trocar o Cruzeiro pelo Atlético-MG? Foi procurado pelo Botafogo?
Não sei se chegou algo do Atlético, li também só pela internet. Às vezes, um amigo ou outro enviava uma matéria. Mas é um assunto que nunca pensei porque jogava no Cruzeiro. Enquanto não definir nada, vou estudando e pescando aqui. Também não ouvi falar nada (do Botafogo) e o Bruno também não me passou. Na nossa profissão, a gente respeita todos os times. Se houver interesse, a gente fica feliz. Se tiver uma negociação, vamos avaliar para ver os clubes e fazer nosso papel. Todos os times têm a sua história. Todos merecem respeito e dedicação dos jogadores que estão lá.

O que procura para 2017?
Existe alguma coisa, a gente está estudando junto com o Bruno (Paiva), meu empresário. Vamos estudar onde vamos morar, é importante ver com a minha família. A gente está avaliando para tomar a melhor decisão e que tenha um ano bom, com muita saúde. Espero ajudar o clube que eu defender com bons jogos e títulos.

Você se emocionou na sua despedida. O que sentiu?
A emoção foi boa. Querendo ou não, quatro anos em um clube da grandeza do Cruzeiro. A gente fica emocionado por poder fazer parte da história com títulos. Conquistamos um Campeonato Mineiro, dois Brasileiros. Poderíamos ganhar mais, mas detalhes atrapalham. Feliz também por estar na história do Cruzeiro como terceiro maior zagueiro-artilheiro da história do Cruzeiro, juntamente do Darci (Menezes). Fico feliz por alcançar esta marca e pelos amigos que alcancei aqui também, como Willian, Rafael e Dedé. Eu tinha o carinho de todos também, respeitava todos. Havia uma amizade verdadeira com muitos atletas. A gente fica triste, mas a amizade segue. A gente segue se falando sempre que possível. Fica minha torcida por eles.

Houve algo marcante na passagem por Belo Horizonte?
Eu sou bem discreto nas coisas que faço. Não gosto de ficar aparecendo muito, mas a torcida sempre me apoiou e me deu forças para que pudesse continuar lutando. Não tem nada marcante. Sempre procurei me dedicar ao máximo para que pudesse fazer aparecer o nome do Cruzeiro.

Você deixou o Santos que acabara de ser campeão da Libertadores para mudar para o Cruzeiro. Por que optou por essa troca?
A gente sempre pensa no melhor possível. Quando eu saí do Santos, estava bem tranquilo. Eu deixei o Santos jogando. Quando apareceu o Cruzeiro, meu empresário conversou comigo e a gente achou bem bacana. Era uma incerteza, mas a gente se conhece, sempre convive com os jogos. Então, a gente sabia que havia muita gente com muito potencial. Acreditava muito que poderia se dar bem, não tão rápido quanto foi, mas tinha potencial para brigar por títulos. Já no primeiro ano a gente foi campeão brasileiro. Acho que vi muito potencial quando cheguei ao Cruzeiro, por todas as peças que chegaram. Dava para ver o que o clube almejava.

Adriano Vizoni/Folhapress
Bruno Rodrigo foi campeão da Libertadores pelo Santos em 2011

Qual time era melhor: Santos de 2011 ou o Cruzeiro 2013/2014?
Eram dois times sensacionais. O Santos era uma excelente equipe. Quando estava lá, conquistamos muitos títulos. Vencemos Paulista, Copa do Brasil, Libertadores, vice do Mundial e Recopa Sul-Americana. Eram dois times muito bons. O Cruzeiro não devia em nada, foi bicampeão brasileiro, vice da Copa do Brasil. Era um dos melhores. Não dá para comparar.

O que houve naquela derrota para o Barcelona na final do Mundial?
Era questão de posicionamento, a pressão que os caras faziam no campo de ataque. Quando a gente pegava a bola, parecia que tinha três jogadores do Barcelona marcando. Infelizmente, saímos derrotados, não deu para levar o título, mas foi uma experiência formidável. Mostrou que a gente precisava melhorar para chegar a um nível próximo do Barcelona. Eu penso comigo direto que poderia ter uma outra oportunidade de disputar o Mundial. É muito difícil chegar até lá, mas vamos tentar.

Você foi apelidado de Cabeça de Míssil no Cruzeiro. Gostava?
Sinceramente, não ligava. É brincadeira do Dedé. Ele coloca apelido em todo mundo. Não pode ver uma coisa que ele coloca o apelido. É um amigo que tenho no Cruzeiro. É um cara que é muito diferente. Ele tem todo o meu respeito. A gente sempre procurava estar junto, na Toca (da Raposa). Nesse período que ele ficou no departamento médico, procurei ficar com ele, porque passei por isso também, quando estava no Santos. O cara, às vezes, pode se sentir isolado e eu procurava estar lá ajudando. É um amigo que vou levar para o resto da minha vida e vou procurar vê-lo sempre. É um grande amigo meu, a gente pescava muito junto. Ensinei a ele um pouquinho da pescaria. Não só ele, mas Manoel, Rafael e o próprio Willian, que concentrava comigo no Cruzeiro.

Washingfton Alves/Vipcomm
Bruno Rodrigo trocou o Santos pelo Cruzeiro em 2013

O que você faz no tempo livre?
Eu gosto de pescar bastante e ficar com a família, com os filhos brincando. A presença do pai, principalmente da gente que tem pouco tempo livre, passa o final de semana sempre concentrado e viajando. Procuro passar bastante com eles para que não sintam tanta falta. O meu passatempo é ficar com eles. Quando eu consigo um alvará, vou pescar (risos).
 

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