Linha dura, Loss se inspira em Mourinho e recusou Corinthians antes do bi

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

    Osmar Loss, bicampeão da Copa São Paulo 2017 pelo Corinthians

    Osmar Loss, bicampeão da Copa São Paulo 2017 pelo Corinthians

Goleador do Corinthians campeão da Copa São Paulo, o centroavante Carlinhos já sofreu pela rigidez do comandante Osmar Loss. Antes de uma partida em 2016, perdeu o horário da preleção e acabou excluído do jogo. Há muitas dessas histórias nas divisões de base corintianas, das quais Loss se despediu nesta quarta-feira após superar o Batatais por 2 a 1. 

Em quatro edições da Copinha, o gaúcho de Passo Fundo, mesma terra de Luiz Felipe Scolari, obteve dois títulos e dois vices como técnico do Sub-20. Foram 32 jogos, com 28 vitórias, três empates e só uma derrota, que aconteceu em 2014. Uma das explicações para esse sucesso do treinador inspirado em José Mourinho, que agora vira auxiliar de Fábio Carille, é a disciplina. 

No Corinthians, afastou gordinhos e ajudou alguns dos promovidos aos profissionais

Carlinhos não foi o único a sentir na pele a seriedade e cuidados com a forma física que prega Osmar Loss. Destaque do título de 2015, o volante Marciel sempre teve seu comportamento, dentro e fora de campo, moldado pelo treinador. De Gabriel Vasconcelos, outro que já foi artilheiro da Copinha, sempre exigiu melhor forma física. De Léo Príncipe, lateral direito dos profissionais, Osmar foi duro com a perda de concentração nos treinamentos. A atenção a tudo é uma marca do técnico que será substituído pelo auxiliar Coelho. 

Para os dirigentes corintianos, embora essa já fosse uma característica conhecida, foi constatada assim que Osmar Loss chegou ao clube em setembro de 2013 depois de quase duas décadas no Internacional. Nas primeiras semanas no Parque São Jorge, afastou um grupo de jogadores por excesso de peso e más condições físicas, como o então promissor volante Ualefi. Quem também tinha problemas internos e ouviu poucas e boas de Loss foi o meia Zé Paulo, meses depois protagonista no vice-campeonato da Copinha. 

"É um profissional nota mil", diz Márcio Zanardi, que até pouco tempo treinava o Corinthians Sub-17. "É um cara rígido e firme, de uma palavra só. Um profissional qualificado na questão disciplinar e parte importante de um trabalho bem feito em toda a base. Eu acho que precisamos ser rígidos mesmo, porque garotos de 17 e 20 anos já possuem contratos profissionais, altos salários e precisamos colocar os pés deles no chão, pois ainda não são de fato profissionais", explica Márcio. 

O convite aceito por Loss, em 2013 (no ano posterior ao título mundial), foi o terceiro do Corinthians e aprovado por Mano Menezes ao amigo e então presidente Mário Gobbi. No início do mesmo ano, em compromisso com o Internacional, havia recusado. Já anteriormente, quando teve passagem breve pelo Fluminense, em 2011, foi chamado para o Sub-17 e também disse 'não'. Era a hora de, enfim, tentar a sorte em São Paulo. 

No Internacional, ajudou a moldar Pato, cuidou do peso de Walter e brigou com Dunga

Antes, no Internacional, Osmar havia conquistado mais de 30 títulos nas divisões de base. Ele chegou ao Beira-Rio com 20 anos, quando ainda estudava na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para ser técnico das escolinhas. Alcançou o profissional como interino em duas oportunidades. Na segunda delas, enérgico, bateu boca com o zagueiro gremista Saimon em um Gre-Nal.

Só saiu para o Corinthians porque Dunga, que treinava o time adulto, virou seu desafeto. Anos depois, em 2015, era o número da 1 CBF para a vaga de Alexandre Gallo, mas acabou sem convite justamente pelo histórico difícil com o então comandante da seleção principal. Rogério Micale acabou eleito. 

No Inter, já havia ajudado nas formações de jogadores como Alexandre Pato, Luiz Adriano, Marquinhos Gabriel e Walter. O hoje centroavante do Goiás, por sinal, foi um dos que sofreu pelo pulso firme de Osmar.

Já era notório, naqueles tempos de Beira-Rio, que o jogador tinha dificuldades importantes com a balança. Certa vez, Loss e sua equipe descobriram que Walter escapava no meio da noite para comer cachorros-quentes nos arredores da concentração. O combate ao peso se tornou uma marca com o jogador, que vingou entre os adultos e acabou vendido ao Porto-POR anos depois. 

O que o Corinthians espera dele agora

Promovido a auxiliar técnico do Corinthians, Osmar Loss tentará a afirmação entre os profissionais pela quarta vez. Teve passagens como treinador no Juventude, no Internacional, mas como interino, e no Bragantino. A sensação de quem esteve com ele é que faltou se dar conta das diferenças entre base e profissional no tratamento com os atletas. 

Fábio Carille, adepto do jogo de triangulações de Tite, terá a seu lado alguém com ideias mais próximas de José Mourinho, adepto da defesa bem organizada, protegida e do futebol de transições rápidas e contra-ataque. Em palestras, Loss já fez questionamentos ao estilo de Pep Guardiola, por trocar muitos passes, se expor em demasia e demorar a finalizar. 

 

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