Goleiro da Seleção projeta Copa e Libertadores pelo Atlético-PR

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL, em Curitiba (PR)

  • Ueslei Marcelino/Reuters

Weverton está em grande fase. Pai de da pequena Valentina, de quase três meses, o goleiro medalha de ouro com a Seleção Olímpica foi, pela primeira vez, titular da Principal, comandada por Tite. O amistoso contra a Colômbia, em prol das famílias das vítimas do acidente da Chapecoense, marcou a estreia dele como camisa 1 canarinho – e nada de gol sofrido.

Para vestir a Amarelinha, porém, Weverton teve de abrir mão de participar do primeiro jogo do ano pelo Atlético Paranaense, seu clube. O amistoso contra o Peñarol do Uruguai acabou 0 a 0, com Santos no gol e Weverton na torcida, à distância, a ponto de comentar nas redes sociais a briga entre uruguaios e brasileiros no gramado da Arena.

Parte do clima que ele próprio vai sentir a partir de quarta-feira, quando o Furacão encara o Millonarios da Colômbia, na primeira das duas partidas eliminatórias que os times farão na segunda fase da Libertadores, competição da qual o Atlético já foi vice-campeão – e agora quer a taça. Um sonho alimentado por ele e pelo clube: "Queremos fazer história."

Weverton conversou com a reportagem do UOL Esporte entre um treino e outro, para falar sobre Seleção, Copa 2018 e Libertadores.

UOL Esporte – Primeiro jogo como titular na principal. Como foi a experiência?

Weverton - Foi muito boa, estava aguardando esse momento. Quero agradecer a oportunidade que o Tite me deu de estrar na equipe principal, apesar de ser um jogo diferente por tudo que envolvia. Deu pra fazer uma partida segura, tranquila. Foi uma boa estreia.

UOL – Por falar no Tite, qual é a mágica que ele fez na Seleção?

W - O Tite, além do grande treinador que todo mundo já sabe, está fazendo um grande trabalho na Seleção. É a forma como ele trata o grupo, é essa a grande diferença. A coerência no trabalho, a atenção pra todos. Trabalhar com grandes jogadores e não poder utilizar todo mundo... tem que ter habilidade e ele tem feito isso. A gente vê o reflexo disso dentro de campo. Ele tem feito isso muito bem. Tem feito a diferença pra todos.

UOL - O 7 a 1 ainda é assunto na Seleção?

W - A página tá virada. Ficou um aprendizado, uma lição daquilo. Tem que aprender com isso. Mas o momento é totalmente diferente. A vida é assim, é preciso aprender com os erros.

UOL - E como anda o ambiente lá?

W - É um ambiente bom, de vitória. A equipe cresceu dento da Olimpíada e espero que seja assim até a Copa.

UOL – E você se vê na Copa?

W - É um sonho pra mim. Tenho procurado aproveitar, trabalhado muito (Weverton se reapresentou mais cedo que os demais jogadores do Atlético para treinar). É o grande sonho da minha vida. Ninguém está garantido, talvez só o Tite e a comissão técnica. Mas todos tem que correr atrás do sonho.

UOL – O quanto desse sonho passa pelo trabalho no Atlético?

W - O Atlético me capacitou, com grandes pessoas, pra me tornar esse profissional que sou. Eu hoje me considero um goleiro de alto nível. Tudo isso o Atlético fez parte. Ter grandes profissionais a disposição, como eles tem, não só pra mim, o Atlético dá essa condição de fazer grandes trabalhos. Consegui aproveitar essa oportunidade.

UOL - E agora tem Libertadores, um campeonato do qual o clube já foi finalista, que o técnico Paulo Autuori venceu duas vezes. Qual a pretensão de vocês?

W - É uma competição que todos os clubes brasileiros gostam. É a principal competição do ano. No Brasileirão a gente dá a vida pra se classificar, conseguimos essa vaga com muito esforço. Agora é jogar, se dedicar ao máximo nessas fases eliminatórias e ir pros grupos. É a competição do ano, o Mundo tá vendo.

UOL – Dá pra pensar em título?

W – Olha, numa competição dessa tem que pensar em título. Ninguém entra só participar. Não tem graça só entrar por entrar. Mas não dá pra falar em título sem passar de fase. Não dá pra planejar novembro sem ter passado fevereiro. É ir com calma. O Atlético já sabe o caminho da final. Nosso objetivo é fazer história.

UOL – O que você conhece do time do Millonarios?

W - A gente ainda está estudando. Eu vi o jogo contra o River, na Flórida. Eles estão se montando, estão em construção, em pré-temporada também. Vai ser um jogo muito equilibrado. É um time que marca forte, tem dois pontas muito rápidos. Vamos ter que tomar cuidado com essa situação pra não sermos surpreendidos no contra-ataques em casa.

UOL – Quem jogou com o Peñarol sentiu um pouquinho do clima da Libertadores. Você não jogou, mas comentou sobre o arranca-rabo nas redes sociais...

W – (Risos) É, então, é um amistoso de duas equipes que vão participar da Libertadores, o clima ficou quente. O fato de ser amistoso tira um pouco do receio de chegar forte, uma expulsão não ia causar problema. Se é valendo, o cara vai com mais calma pra não deixar o time com um a menos. Graças a Deus ninguém se machucou e foi um teste bom.

UOL – Ano passado vocês foram a melhor defesa do Brasileirão, mas o ataque pecou um pouco. E pra esse ano, o que achou das contratações?

W - Acho que a equipe praticamente se manteve, boa parte, principalmente a defesa, que foi bem ano passado e conseguiu dar uma segurança. Chegaram reforços que com certeza vão ajudar muito. A gente espera que dê esse equilíbrio, dando segurança atrás e lá na frente, que eles possam desempenhar um bom trabalho. Defensivamente tem cooperado bastante. O principal objetivo da frente é fazer gol e tomara que esses possam sair.

UOL – O que foi mais importante no Atlético 2016, ter a melhor defesa ou a grama sintética?

W – Ah, cara, foi o trabalho de todo mundo. As pessoas gostam de dar desculpa para as coisas. Quem jogou na Arena sabe da qualidade da grama. Quando as pessoas falam, pensam que é essas gramas de pelada de final de ano, mas não, é uma coisa totalmente diferente. Ela tem suas particularidades, de ser um pouco mais rápido, até porque o campo é molhado. No Brasil não tem muito esse costume, só no estádio do Corinthians que também molham. Mas se a gente não fizer nossa parte, não tem essa de grama. O Palmeiras foi lá, ganhou e ninguém falou nada. Quem perdeu, reclamou. Essa desculpa não cola mais, o Atlético foi muito forte dentro de casa e vai ser sempre.

UOL – E o futuro? Teve alguma proposta pra deixar o clube?

W - Teve alguma coisa, algum papo, mas oficial não. Não chegaram ao que o clube pediu e as coisas não adiantaram. Eu acho que tudo acontece no momento certo. Não tenho nenhum desespero pra sair, mas se chegar algo bom para as duas partes, não vejo problema. 

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