Campeão mundial revê Corinthians e diz que só superou traumas com psicólogo

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Facebook São Bento

    Giovanni Piccolomo (à esquerda) enfrenta o Corinthians neste sábado, em Sorocaba

    Giovanni Piccolomo (à esquerda) enfrenta o Corinthians neste sábado, em Sorocaba

Giovanni começou 2012 com o título da Copa São Paulo e terminou como campeão mundial com a camisa do Corinthians. Chegou a recusar convocação para a seleção brasileira Sub-20 para atuar pelo clube, era representado pelo agente Giuliano Bertolucci, tinha um bom contrato e era treinado por Tite. Hoje no São Bento, ele perdeu praticamente tudo isso. Mas, acredite, garante que está muito melhor. 

Neste sábado a partir das 17h (de Brasília), o Corinthians será recebido em Sorocaba para a abertura do Paulistão com Giovanni do outro lado. Aos 22 anos, o meia formado no Parque São Jorge conta que se consultou com psicólogo para mudar de atitude, reconhecer erros e tratar as pessoas de uma melhor maneira. Ele assume também que perdeu bastante peso e que hoje está pronto para, enfim, confirmar os prognósticos de seu ano de estreia, quando marcou um golaço contra o Grêmio no Pacaembu.

Em entrevista ao UOL Esporte, ele conta como terminou de maneira ruim o vínculo com o Corinthians. Ele afirma que o clube impediu uma transferência ao Atlético-PR, em 2015, e prejudicou o andamento de sua carreira. Meses depois, Giovanni diz que foi  emprestado a contragosto para o Tigres-RJ, clube parceiro corintiano que lutou contra o rebaixamento no Campeonato Carioca. A estrutura de trabalho, afirma, era bastante ruim. 

Giovanni só tem contrato até abril com o São Bento e sabe: a hora de decolar é essa. 

Veja o que disse Giovanni Piccolomo:

EMPRÉSTIMO QUE NÃO ENTENDE
Não consigo entender o empréstimo de 2013 para a Ponte Preta. Eu jogava no Paulista, fui para a seleção no Torneio de Toulon e quando voltei tinha três propostas e me disseram que eu precisava escolher uma das três. O pessoal me disse que era para eu ter uma experiência e dar uma rodada. Eu escolhi a Ponte Preta e depois não tive a oportunidade de voltar.

Leandro Moraes/UOL
Giovanni celebra gol pelo Corinthians em 2012

CORINTHIANS FORÇOU EMPRÉSTIMO
Em 2015, o Atlético-PR fez uma proposta de compra e o Corinthians não aceitou. Eu não era aproveitado e não quiserem me vender. Me obrigaram a ir jogar no Tigres-RJ (ano passado). Eu tinha outras propostas e praticamente fui obrigado. Se eu não fosse, terminaria meus sete meses ou oito meses que tinha de contrato apenas treinando em separado. Me disseram 'ou vai para o Tigres ou treina separado', então fui para lá. Eu tinha proposta do Campeonato Paulista, de quatro ou cinco clubes, tinha do futebol paranaense e do goiano.

FALTA DE ESTRUTURA NO EMPRÉSTIMO
Foi muito difícil o Tigres, no começo, por questão de estrutura do clube. Mas a gente via boa vontade de quem trabalhava tentando levantar o clube. A adaptação na cidade foi ruim, morar em Xerém foi o mais difícil para quem foi para lá. Fizemos um mau campeonato no começo, mas na segunda parte deixamos o time na Série A do Carioca.

SUCESSO RÁPIDO E MAU COMPORTAMENTO
Na minha vida tudo aconteceu muito rápido e subiu um pouco na minha cabeça. Meu comportamento era muito explosivo, eu fazia tudo o que vinha na cabeça. Depois eu fui crescendo, fui amadurecendo, frequentei psicólogo durante anos e hoje sou tranquilo. Tive as oportunidades lá atrás e tenho culpa do que aconteceu. Dizem que você só aprende quando erra, então fico feliz de ter errado. Não vou cometer os mesmos erros.

EXCESSO DE PESO
Tive problema de estar acima, de voltar acima do peso nas férias. Hoje estou bem mais profissional, estou cumprindo o que tenho que fazer. Faço um trabalho por fora do clube, em casa, tenho um personal só para mim. 

POR QUE PSICÓLOGO
Há um preconceito que os jogadores e a maioria das pessoas tem. Eu não conseguia me suportar. Minha mãe me ajudou muito, me incentivou a ir por muito tempo e eu me tornei outra pessoa. Hoje estou vendo as coisas diferentes do que eu estava vendo. Parecia que eu só via uma coisa e não via que tinha outras opções. Sei o que errei, por isso hoje procuro errar o menos possível. Fico feliz de ter ido ao psicólogo, por ter mudado e hoje ser outra pessoa.

TITE
Sem dúvida é um grande exemplo, eu digo para a maioria das pessoas que vêm perguntar dele. É justo, sincero, mantém todo o elenco junto na hora do trabalho. Quem joga e quem não joga ele mantém animado, até os medalhões ele trata igual. É uma pessoa excelente de trabalhar, de conviver e estar junto. Nós sabíamos que ia acontecer tudo isso com ele. Eu guardo as coisas boas que ele me falou, que ele me incentivava, o puxão de orelha pela hora da marcação, as aulas táticas. Tenho as lembranças do Mundial que foi incrível e que lembro hoje na maioria dos meus dias.

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