Santos não pensa em rescindir com 'atacante sumido'. Contrato está suspenso

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

  • Divulgação/SantosFC

    Diogo Vitor está desde novembro sem aparecer no clube da Vila Belmiro

    Diogo Vitor está desde novembro sem aparecer no clube da Vila Belmiro

A situação de Diogo Vitor, jovem de 19 anos que está sumido pela terceira vez e não aparece no Santos desde novembro do ano passado, continua indefinida. O clube não pensa em rescindir o contrato do atacante – que vai até março de 2018 – e ainda estuda o que fazer no caso, já entregue ao departamento jurídico.

Legalmente, o Santos já poderia ter rescindido o contrato de Diogo Vitor, alegando abandono de emprego, mas não será esta a decisão a ser tomada pelo clube.

"Infelizmente ele não tem cabeça. E o Santos não vai premiar ninguém com rescisão. O Santos não faz isso", diz o presidente Modesto Roma Júnior em entrevista ao UOL Esporte.

"Não é questão de abandono de emprego. No regime de jogador de futebol eles têm um contrato, eles têm que pagar a multa para sair. Ele tem dinheiro para pagar?", questiona.

Entende-se o motivo de o Santos não querer a rescisão: além de o caso parar na Justiça, já que o jogador provavelmente não teria a quantia da multa, o clube ainda perderia uma de suas principais promessas da atualidade.

De acordo com Modesto, Diogo Vitor agora está com o contrato suspenso. Neste caso, o contrato continua em vigor, mas não há remuneração e não é contado o tempo de serviço.

"O contrato dele está suspenso. Ele não recebe salário, todos os efeitos do contrato estão suspensos", acrescenta o presidente. "Isso já é um assunto jurídico. Não é mais um assunto nem do futebol, nem da presidência", completa Modesto.

O que a lei diz

Em entrevista ao UOL Esporte, Carlos Eduardo Ambiel, especialista em legislação desportiva e um dos autores do Estatuto do Torcedor, explicou que a conduta do Santos está prevista em lei (art. 48 da Lei Pelé) e que um clube de futebol tem o direito de agir desta forma nestes casos.

"A Lei Pelé permite que o desrespeito às ordens do clube resulte em algum tipo de sanção, que pode ser advertência, uma censura escrita, multa contratual, que é uma peculiaridade exclusiva do atleta, e também a suspensão do seu contrato. O fundamento da suspensão é uma disposição da própria Lei que coloca a suspensão do atleta como uma das hipóteses de penalidade ao empregado que não cumpre ordem. O Santos está se utilizando de uma prerrogativa de controle que a Lei Pelé expressamente confere a ele", esclareceu.

O histórico da joia santista

Diogo Vitor coleciona polêmicas tanto no time B do Santos como no principal, comandado por Dorival Júnior. Somente no período com o sub-23 foram dois sumiços, com direito a punição salarial e suspensões. Em uma delas, Diogo Vitor alegou conjuntivite, mas não se apresentou ao departamento médico. Na equipe principal, ele sumiu uma vez e foi dispensado por Dorival Júnior. Antes disso, ele já colecionava problemas nas categorias de base.

Em um de seus sumiços no Santos, no ano passado, Diogo Vitor alegou que a sua avó, Maria Luzia, havia morrido para se justificar. A cúpula santista ficou sensibilizada com o fato e ligou na casa do jogador, mas se surpreendeu mais uma vez, já que a própria avó atendeu a ligação. Dona Maria diz que ficou surpresa com a história e não sabe dizer se o neto faltou com a verdade ou se cometeu um engano, pois quem morreu foi a bisavó do atleta.

Diogo arrumou confusões e teve até que voltar a sua cidade Natal, em Coqueiral-MG. Em abril de 2016, ainda em Minas Gerais, na cidade de Santana da Vargem, o atacante se envolveu em um acidente na madrugada. Ele estava em uma caminhonete que bateu em uma parede, mas ninguém se feriu.

A revelação santista seria apresentada ao torcedor na Copa São Paulo do ano passado, mas sumiu e não participou da competição. Diogo alegou dor de dente e ainda rejeitou o tratamento do clube. A situação parecia melhorar quando ele se reapresentou e até marcou gol pelo time B na Copa Paulista, mas ele voltou a sumir e não dá as caras desde novembro.

Em contrapartida, a qualidade técnica do "prata da casa" sempre foi elogiada. O atacante só permaneceu no clube após sequência de polêmicas, incluindo sumiços, devido a sua condição técnica.

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