Como discussão com Ricardinho marcou virada na carreira de novo corintiano

Dassler Marques*

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Pablo, zagueiro do Corinthians: primeira chance real de sequência em clube grande

    Pablo, zagueiro do Corinthians: primeira chance real de sequência em clube grande

A passagem pelo Avaí, em 2013 e 2014, registra uma guinada na carreira que então era apenas promissora. Hoje esperança do Corinthians para retomar a estabilidade defensiva nesta temporada, Pablo, agora com 25 anos, viveu na Ressacada um dos episódios que marcam sua trajetória no futebol e que envolveu o ex-corintiano e hoje treinador Ricardinho. 

Insatisfeito por ter sido retirado da equipe, Pablo procurou o comandante e fez reclamações em tom considerado fora do comum. Não apenas por Ricardinho, mas também pelos próprios colegas de equipe. A decisão da diretoria do clube foi pelo afastamento, conforme recorda Hemerson Maria. Ele sucedeu o treinador no Avaí em 2013 e reintegrou o zagueiro. 

"Não foi nada de noitada, nada de extracampo, foi algo que acontece no futebol. Ele queria jogar, o treinador não colocou para jogar e ele foi tirar satisfação porque não estava jogando. Houve um desentendimento, não foi um diálogo dócil e então se resolveu afastar. O ambiente dele não era bom, porque os jogadores ficaram sabendo", conta Hemerson. 

"Depois, os próprios jogadores me pediram a reintegração dele e eu aceitei. Ele trabalhou forte, duro e conquistou a posição. É um jogador de muito potencial, de muita força, de uma impulsão absurda e muito trabalhador. Foi uma excelente aquisição do Corinthians", complementa Hemerson Maria. 

Pablo, que já tinha status de grande promessa do Ceará desde as divisões de base, mas não deslanchava na carreira, decolou: virou titular em 2013, foi grande destaque da equipe no acesso no ano seguinte e eleito para a seleção da Série B, se destacou pela Ponte em 2015 e no mesmo ano foi vendido ao Bordeaux-FRA. Agora, após uma temporada de estreia com destaque na França e outra com problemas físicos, tem a chance de se afirmar no Corinthians.
 
site oficial do Avaí
Pablo, então zagueiro a serviço do Avaí

"Eu vejo que tudo que aconteceu foi importante para o amadurecimento dele", reforça Hemerson. "Depois disso, ele voltou com um sentido profissional aguçado e esperou pelo momento dele. Não foi aproveitado nos primeiros jogos, mas depois mudou totalmente", lembra. 
 
Em contato com a reportagem, Ricardinho preferiu não falar a respeito do episódio com Pablo. Segundo o treinador, não houve bate-boca com o zagueiro, mas ele foi afastado devido a uma opção pessoal baseada nos jogos e treinamentos. Fernando Souza, empresário do jogador, também afirma que foi uma escolha técnica na época. 
 
No Grêmio, Pablo foi barrado na própria apresentação e era admirado por Luxemburgo
 
Uma história curiosa marcou Pablo ao se apresentar no Grêmio em 4 de janeiro de 2012. Ele chegou ao Olímpico a pé e foi barrado por um segurança ao cruzar o portão. Explicou que se tratava de um jogador, e foi liberado para seguir caminhando. O zagueiro foi ao Olímpico de táxi e, na apresentação, precisou ser apresentado por outros jogadores ao então presidente Paulo Odone. 
 
Responsável pela aquisição do zagueiro, que era muito jovem e fez apenas um jogo pelo Grêmio, o diretor Paulo Pelaipe conta que Vanderlei Luxemburgo tinha planos para o jogador no futuro. "Era um período de maturação. Ele treinava muito, se dedicava e o Vanderlei tinha muita simpatia por ele. Dizia 'vai ser jogador de verdade'. Depois eu saí para o Flamengo e optaram pela dispensa dele", conta. 
 
Ex-treinadores de Pablo contam como ele despontou no Ceará

"Eu regressei ao Ceará em 2010 e o Pablo tinha sido emprestado a um time do interior, então mandei buscar de volta", recorda PC Gusmão. "Eu disse 'traz de volta porque vou usar'. Ele voltou e na primeira oportunidade tinha um amistoso com o PSV Eindhoven, coloquei e ele fez o gol", relembra ainda. 

O inusitado encontro entre Ceará e PSV, no Castelão, foi a estreia de Pablo nos profissionais. Curiosamente, do outro lado estava o goleiro Cássio, hoje colega de Corinthians e que sofreu o primeiro gol do zagueiro na equipe adulta. 

"Ele era muito voluntarioso", recorda Estevam Soares. "Ele chegou num atacante no treino que eu falei 'garoto, vai mais devagar'. Disse para dosar essa voluntariedade, mas me chamou a atenção a velocidade dele, um zagueiro muito rápido que cabeceava pra caramba. Ele saía muito na caça dos atacantes e eu disse 'espera a jogada se desenhar para você não se expor muito'. Essas coisas ele assimilou muito bem", diz. 
 
Colaborou: Marinho Saldanha, do UOL em Porto Alegre

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