Rivais unidos? Dirigentes costuram Arena única para Atlético-PR e Coritiba

Napoleão de Almeida*

Colaboração para o UOL, de Curitiba

  • Mauricio Mano/Site Oficial do Atlético-PR

    Arena da Baixada pode virar casa dos dois rivais do Paraná

    Arena da Baixada pode virar casa dos dois rivais do Paraná

O Atletiba 370 vai opor os mais tradicionais rivais dentro de campo, no domingo, 17h, na Arena da Baixada. Mas é essa mesma Arena que está na pauta de uma aliança que pode mudar a história do futebol do Paraná. Com conversas que vêm desde as eleições municipais, dirigentes de Atlético e Coritiba e políticos da cidade costuram o uso compartilhado do estádio-sede da Copa 2014 para a dupla. A Arena Atletiba, um projeto antigo de Mario Celso Petraglia (presidente do Conselho Deliberativo do Atlético), ganhou força nos últimos meses e muita coisa já andou no sentido desta realização.

"O Mário sempre teve esse intenção, desde antes da construção da Arena da Baixada. Ele tem isso na cabeça. Eu falei pra ele, essa decisão está acima de mim, de você, do [presidente do Coritiba, Rogério] Bacellar. Precisa apresentar uma proposta", disse Alceni Guerra, vice-presidente do Coritiba, confirmando as conversas dos clubes. "Essa é uma ideia do Mario", limitou-se a dizer Luiz Sallim Emed, presidente do Atlético. O ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet também confirmou que as conversas vêm acontecendo. "O Petraglia é ousado, pro bem e pro mal. Eles estão conversando há algum tempo".

Fruet perdeu a eleição para Rafael Greca, que tem como articulistas políticos o ex-presidente do Coritiba Giovani Gionédis, e o candidato derrotado ao conselho nas eleições atleticanas, João Alfredo. Ambos já foram desafetos de Petraglia, mas tudo ficou para trás. Vários encontros entre ambos já ocorreram desde setembro de 2016. Para interlocutores, Petraglia garante que tem aval do Governo do Estado para uma nova negociação sobre o acordo tripartite que vem sendo discutido na Justiça.

O Governo do Paraná aportaria novos R$ 50 milhões diretamente à Prefeitura de Curitiba, que emitiria mais R$ 100 milhões em títulos de Potencial Construtivo, para serem vendidos após os 160 milhões que já estão no mercado. Essa verba amortizaria a dívida e encerraria as discussões na Justiça, na qual o Atlético briga com a Prefeitura para que ela assuma um terço do custo final da obra. Sob o comando de Gustavo Fruet, a cidade contestou que deveria pagar o excedente dos cerca de R$ 180 milhões iniciais orçados para a obra da Copa – o custo final ficou em cerca de R$ 390 milhões. O Atlético seguiria bancando o financiamento que têm hoje, mas num valor menor. Petraglia foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos contatos.

No jogo de quarta-feira, entre o time rubro-negro e Deportivo Capiatá-PAR, pela Copa Libertadores, autoridades estiveram presentes em uma área reservada. Deputados, advogados representativos, entre outros, viram o duelo na Arena. Essa comitiva foi "liderada" pelo deputado estadual Luiz Romanelli (PSB), que é torcedor do Rubro-Negro. Em 2010, o político chegou a fazer um projeto de lei para a Copel investir R$ 150 milhões e viabilizar a Arena para o Mundial.

Conversas por naming rights e temor de reação das torcidas

A proposta ao Coxa já está formatada. O Coritiba venderia o terreno do Couto Pereira e aportaria cerca de R$ 80 milhões para a construção da Areninha, outro projeto de Petraglia. Imagina-se que o terreno do Alto da Glória chegue a um valor entre R$ 350 e 400 milhões. Com a venda do Couto, a renegociação da dívida via Governo do Estado e a possível construção da Areninha, o Coritiba teria direito a metade da casa do Atlético e ambos mandariam os jogos na Arena da Baixada.

Gaspar Nobrega/Inovafoto
Petraglia já tentou costurar acordo com UFC para Arena da Baixada

Petraglia e Bacellar vêm conversando mensalmente sobre a questão. A dupla Atletiba, aliás, já está em busca de um patrocinador para os naming rights: a cervejaria Itaipava é a empresa que aceitou iniciar as tratativas e uma reunião aconteceu na semana passada. Uma nova conversa está prevista para o começo de março. Os clubes têm pressa para alinhar os detalhes até o final deste ano - o Coxa tem eleição no fim de 2017 e a reeleição de Bacellar passa longe de uma garantia.

Em 2016, Petraglia quase fechou um acordo parecido com o UFC. A ideia seria protocolar um pedido de administração conjunta da Praça Afonso Botelho, em frente ao estádio, fechando a Rua Buenos Aires e erguendo um grande complexo com hotel-cassino e a Areninha no local. As partes estiveram reunidas com o presidente Michel Temer (PMDB) para averiguar a possibilidade do Brasil legalizar a prática de jogos de azar. No meio do caminho, porém, um rompimento entre as lideranças abortou o projeto.

Há ainda o temor da reação popular, dada a rivalidade entre atleticanos e coxas-brancas. Por isso articula-se que uma figura de consenso, que não Petraglia, traga à público o conceito. Interlocutores conversaram com Rafael Greca, prefeito recém-eleito e torcedor do Coritiba. Greca seria a pessoa a argumentar publicamente os benefícios para a cidade e os clubes, buscando empatia popular. Cogitou-se até mesmo incluir o Paraná Clube na questão, uma vez que o Tricolor também tem uma briga judicial pela posse da Vila Capanema e, à pique de perder a posse, busca ressarcimento.

Coritiba ainda estuda novo estádio

Reprodução/Twitter
Coritiba busca solução com medo de Couto Pereira ficar ultrapassado

Em paralelo, o Coxa busca uma solução para o seu estádio. "Convivemos ao norte com Corinthians e Palmeiras, ao sul Inter e Grêmio e aqui, o Atlético. Já é evidente que é mais fácil levar torcida no Atlético que no nosso Couto atual. Com o passar do tempo, podemos ficar perigosamente pra trás", argumenta Alceni Guerra, que é um dos defensores da ideia de que o Coritiba tenha uma nova praça. Ele tem sido o encarregado de buscar essas soluções. Uma delas passa pelo terreno do Pinheirão, pertencente ao empresário João Destro.

O problema é que a própria Arena da Baixada diminui muito a viabilidade financeira do negócio. "É preciso trazer eventos, ter giro de público. E com duas obras assim na cidade, o valor dos eventos cai demais, vira uma concorrência e tanto", comentou Guerra, que frisou que o projeto conjunto não é a única saída ao Coritiba. "Não temos ainda a proposta. Se tivermos a proposta, vamos levar ao conselho. Nós temos um projeto protocolado para obra no Alto da Glória, o processo tá andando bem. Esse é o projeto principal hoje", despistou.

*Colaborou Guilherme Moreira

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