Fifa "lava as mãos", e Atlético-PR tentará solução política para gramado

Gustavo Franceschini e Napoleão de Almeida

Do UOL, em São Paulo e Curitiba

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    Arena da Baixada em dia de jogo; medida da CBF exige que grama seja trocada para 2018

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A Fifa indicou que não vai se meter na polêmica da grama sintética, que afeta diretamente o Atlético-PR. Procurada pelo UOL Esporte, a entidade máxima do futebol disse que não faria comentários sobre o assunto e encaminhou, por e-mail, o trecho do regulamento da entidade que fala sobre o campo de jogo.

"O campo de jogo deve ser totalmente natural ou, se as regras da competição permitirem, totalmente artificial, exceto quando as regras da competição permitirem uma combinação integrada de matérias artificiais e materiais", diz a regra da Fifa, que ainda determina que em competições entre seleções ou outras chanceladas por ela a grama artificial é permitida.

A leitura de advogados especializados consultados pelo UOL Esporte e de pessoas ligadas ao próprio Atlético-PR é de que a CBF tem, sim, a prerrogativa de proibir campos de grama artificial. A interpretação afasta a ideia inicial de que o clube poderia brigar judicialmente para seguir usando a Arena da Baixada como ela é hoje.

Ao menos em um primeiro momento, a disputa se dará em um âmbito político. Na visão do Atlético-PR, o jogo de forças nos bastidores influenciou na decisão da CBF e seu Conselho Arbitral, que determinaram, na última terça, a proibição da grama artificial a partir do Campeonato Brasileiro de 2018.

A medida, proposta por Eurico Miranda, presidente do Vasco, influenciará diretamente o Atlético-PR, único clube da Série A que possui grama artificial em seu estádio. Os paranaenses esperam angariar apoio entre os demais clubes da primeira divisão para, até o fim do ano, mudarem a situação. Hoje, Bahia, Palmeiras, Coritiba e Sport são vistos como aliados na questão, com Grêmio e Corinthians podendo engrossar a lista já que usam gramado híbrido (parte artificial, parte natural) em seus estádios.

A ordem no clube é tratar o assunto com sigilo, mas a posição política do Atlético-PR hoje pode afetar a empreitada. Antes do fim de fevereiro, o clube soma brigas com FPF (pela transmissão dos jogos do Paranaense), CBF (pela grama sintética) e Conmebol (pelo sorteio da ordem dos mandos da eliminatória contra o Capiatá, pela Libertadores).

Ciente disso, o Atlético-PR já pediu uma avaliação de quanto custaria a mudança do gramado. Caso a manobra política não funcione e o clube seja obrigado a fazer a troca, a diretoria espera ao menos repassar os custos. Na visão de André Sica, advogado especialista no assunto ouvido pelo UOL Esporte, esse é um caminho viável.

"De fato, quem faz as regras do campeonato são as federações locais, e a Fifa não entra de forma aprofundada a ponto de não dar essa liberdade. O ponto é o elemento do direito adquirido. Existia uma regra prévia que permitia a grama artificial. O clube fez um investimento relevante para isso, seguiu os padrões e não me parece lícito que a CBF altere a regra como se fosse tranquilo desfazer o investimento", disse o advogado.

O Atlético-PR acompanha a avaliação, mas trata a opção do ressarcimento como "último caso". O clube fala em buscar laudos que reforcem a necessidade da grama artificial na Arena da Baixada por questões climáticas. Além disso, vai tentar rebater com entrevistas de jogadores rivais e estatísticas do time rubro-negro o argumento de que o campo sintético gera "desnível técnico", como alegaram os clubes na ocasião da proibição.
 

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