Irmão de Cléber Santana encontra porta fechada na Chape e fecha com Olaria

Daniel Fasolin e Luiza Oliveira

Do UOL, em Chapecó e São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Cleidson Santana quer voltar a jogar futebol em homenagem ao irmão Cléber

    Cleidson Santana quer voltar a jogar futebol em homenagem ao irmão Cléber

Cleidson Santana ainda sofre a dor da perda do irmão Cléber Santana, meio-campista que foi uma das vítimas do trágico acidente em Medellín, no ano passado. E, depois de mais de um ano parado, quis voltar a jogar futebol justamente para levar adiante o legado da família. Seu sonho era vestir as mesmas cores do irmão na Chapecoense, mas encontrou portas fechadas. Agora, acertou com o Olaria-RJ para tentar novamente a sorte aos 28 anos.

Cleidson viaja para assinar contrato e se apresentar ao grupo no próximo dia 1º de março. Ele disputará a segunda divisão do campeonato carioca depois de contar com o voto de confiança de um diretor do Olaria que era amigo de Cléber. Segundo ele, o clube já estuda a possibilidade de fazer campanhas de marketing envolvendo o seu nome.

"Ainda está muito difícil para mim. Mas fico feliz de realizar o sonho dele de estar jogando, o que ele mais queria era que eu conseguisse. Eu era fã dele, mas ele dizia que era meu fã. Então eu vou fazer tudo por ele. Até hoje tudo é ele na minha cabeça", disse.

"Quero seguir o legado que ele deixou. Sou da mesma posição dele, todo mundo fala que na minha idade ele não jogava o que eu jogo. Isso pode me ajudar a aliviar a dor da perda, fazer o que eu mais gosto de fazer. Tenho fé em Deus que vou conseguir voltar e ele vai estar feliz onde estiver, com certeza".

Antes de acertar com o Olaria, Cleidson procurou a Chapecoense para ter uma chance. Ele afirma que conversou com pessoas ligadas à diretoria e pediu permissão para conseguir realizar treinos físicos nas instalações do clube. A mulher de Cléber, Rosângela Loureiro, também tentou intervir. Mas não tiveram sucesso.

"Eu pedi só para treinar. Se desse, eu poderia ser avaliado. Mas se não, eu só treinava. Mas não deixaram. Minha cunhada falou para me darem oportunidade. Eu falei com alguns amigos de Chapecó, uns foram contra, outros a favor. Mas eu não pedi para jogar, era só treinar e ficar bem fisicamente, me preparar. Não ia ter custo nenhum, nem assinar contrato de nada, era só para usar a estrutura. Nem isso eles quiseram deixar. Eu fiquei chateado. Tenho certeza que se meu irmão estivesse aqui isso não teria acontecido", disse.

Cleidson estava parado havia um ano e dois meses. Ele abandonou o futebol após se decepcionar com o meio. Na época, ele chegou a assinar contrato com o Resende-RJ, mas foi enganado por um empresário que prometeu dinheiro e um apartamento.

No início da carreira, ele jogou na base de grandes times como Sport, Náutico, Vitória, Bahia, Santos, Cruzeiro e Sporting, de Portugal, onde sofreu uma séria lesão no joelho. Mas no profissional não teve o mesmo sucesso. Subiu para o time principal quando defendia a Caldense e ainda jogou por Botafogo-SP, Ferroviária e Irati-PR. Seu último time foi o América, de Recife.

Arquivo pessoal

Chapecoense confirma interesse de Cleidson

Diretores da Chapecoense confirmaram a procura do jogador, primeiro para jogar no clube e posteriormente para realizar a preparação física no clube. No entanto, segundo os dirigentes, a Chapecoense possui uma forma profissional de avaliar contratações de novos atletas. A avaliação é criteriosa e não é vista de maneira simplista.

Ainda segundo o clube, as contratações de atletas não podem ser induzidas por questões de parentesco e sim pelo rendimento e histórico do jogador. Mesmo sobre o caso do acompanhamento físico, o clube declarou ser um pedido pouco usual e enfatizou que essa não é prática escolhida pela Chapecoense.

O clube ressaltou ainda que acolheu o pedido com muito respeito, principalmente pelo momento que todos vivem após a tragédia. No entanto, o clube possui uma linha de conduta e não deixará de segui-la.

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