Filho de Túlio escolheu ser lateral por se incomodar com comparações ao pai

Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

O pai foi um dos principais artilheiros do futebol brasileiro. Mas a principal função do filho em campo é exatamente evitar os gols que seu ídolo de infância tanto buscava. A realidade para Tulinho, 18 anos, lateral direito do Taboão da Serra, na Série A3 do Paulistão, é bem diferente daquela que viveu Túlio Maravilha.

Filho do folclórico centroavante de 47 anos – os dois, aliás, por pouco não jogaram juntos no Taboão nesta temporada –, Tulinho até tentou começar a carreira na mesma posição do pai. Mas as constantes comparações não agradaram o garoto, que rapidamente mudou de ideia e de função no gramado.

"Quando eu era mais novo, tinha uma comparação, uma pressão, e como eu era um menino, eu não gostava", contou ele ao UOL Esporte. "Isso me incomodava. Aí eu decidi mudar de posição, fazer minha história por outro motivo".

A lateral direita foi descoberta em uma escolinha de futebol de Goiânia. "O lateral direito faltou no treino, eu quebrei o galho e fui bem. O treinador deu sequência e falou: 'ó, vai de lateral'. Eu fui indo, com meus 14, 15 anos, fui ficando mais velho e oficializando pela lateral direita".

A inspiração também mudou depois que a nova posição foi adotada – Tulinho diz se espelhar no capitão do penta, Cafu. Mas o garoto, apesar de admitir que tem pouco a ver com Túlio dentro de campo, não deixa de aproveitar um pouco toda a vivência que o veterano centroavante teve no futebol.

"Eu gosto de falar muito dentro de campo, dar carrinho, ser jogador de vontade, e meu pai não foi isso. Mas fora de campo, a humildade e a tranquilidade, respeitando todo mundo, acho que nisso eu pareço um pouco com ele", avaliou o jovem lateral, que negou ter a mesma veia "marqueteira" do pai.

"Não, eu sou bem tranquilo em relação a isso. Apesar de eu estar chegando no mundo da bola, tem que chegar com humildade, pés no chão, fazendo a minha. Esse negócio de marketing, deixa com ele, porque somos personalidades completamente diferentes", disse.

E ele fez mil gols mesmo ou é só propaganda? "Não, ele fez os mil gols, sim, tem tudo anotado no caderninho. Ele é bom de matemática, e a assessoria dele ajuda bastante em relação a isso".

Tristeza por não jogar com Túlio

Foi por pouco, mas Tulinho não terá a chance de cruzar para um gol de cabeça do pai no Taboão da Serra. Túlio chegou a anunciar acerto para jogar a Série A3 ao lado de outros veteranos como André Luís, Acosta e Adriano Gabiru (esse também já deixou o clube), mas o negócio melou de última hora.

"Seria a realização de um sonho estar jogando junto com o meu pai, como o Rivaldo teve, o Bebeto jogou um pouco. Ele teve os motivos dele, então eu respeito muito, e respeito o presidente do Taboão também. Foi uma conversa tranquila", disse ele, que não quis deixar o clube mesmo após saber que o pai não viria mais.

"Quando o presidente deu a notícia, eu fiquei cabisbaixo, mas ele me deu todo o auxílio. Depois, falou para eu procurar fazer o meu trabalho, para dar orgulho para o meu pai, que ele ia estar na torcida mesmo de longe. Fiquei porque eu não estava aqui só por conta do meu pai, quero escrever minha história", afirmou.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos