Na Espanha, jogador acusa rival de racismo, mas acaba punido por Federação

Do UOL, em São Paulo

  • @SDEibar/Twitter

    Thaylor Lubanzadio (foto) acusou rival de ofensas racistas; sem providências da arbitragem, deixou o gramado antes do final da partida

    Thaylor Lubanzadio (foto) acusou rival de ofensas racistas; sem providências da arbitragem, deixou o gramado antes do final da partida

O futebol europeu foi cenário de mais caso de racismo nos últimos dias. Desta vez, na Espanha.

Na quarta-feira, Real Unión e Atlético Saguntino se enfrentaram pelas semifinais da Copa Federação da Espanha, torneio dedicado a equipes da terceira divisão e de patamares inferiores do futebol local. O jogo na cidade de Irún terminou sem gols.

No jogo em questão, o atacante Thaylor Lubanzadio – que pertence ao Eibar, mas que está emprestado ao Real Unión – acusou um rival de ofensas racistas. Segundo Lubazandio, filho de pai angolano, o zagueiro Marc Trilles o chamou, entre outras coisas, de "preto de merda".

Lubazandio chegou a comunicar a arbitragem, que, segundo o jornal português A Bola, não teria tomado providências. Chorando, o jogador então decidiu deixar o campo, criticando o árbitro da partida – que, por sua vez, registrou incidentes pós-jogo na súmula da partida.

"Após o final do jogo, o número 15 da Real Unión dirigiu-se ao assistente, apontando-lhe o dedo indicador a escassos centímetros do rosto, empurrando-o e acusando-o por algo acontecido no jogo. Neste momento, as forças de autoridade intervieram e contiveram o referido jogador", diz o documento.

O caso deu início a uma troca de acusações. Em seu site oficial, o Real Unión defendeu a tese de Thaylor Lubanzadio e acusou Marc Trilles de ofensas racistas.

"O Real Unión Club, mediante os fatos acontecidos na partida da Copa Federação disputada ontem (quarta-feira) no Stadium Gal entre nossa equipe principal e o Atlético Saguntino, quer manifestar publicamente sua solidariedade e apoio incondicional a nosso jogador Thaylor Lubanzadio, que foi objeto de insultos racistas por parte de um adversário", diz o clube da cidade de Irún em nota oficial.

Também em nota, o Atlético Saguntino contra-atacou. Embora manifeste-se contrário a "qualquer ato racista ou violento no esporte", o time da cidade de Sagunto criticou o que chamou de "linchamento midiático" do zagueiro Marc Trilles – que, por sua vez, alega inocência.

"Mediante este comunicado, o Atlético Saguntino quer mostrar seu total apoio a nosso jogador Marc Trilles, devido ao linchamento midiático por parte de todos os meios de comunicação, assim como mostra sua total confiança no jogador e em sua versão dos ocorridos, dado seu profissionalismo tanto fora como dentro de campo, contando com sua presença em atos solidários do clube", diz a nota.

Em meio à troca de acusações, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) se manifestou nesta sexta-feira. A decisão: suspendeu Thaylor Lubanzadio por quatro jogos, já que o jogador abandonou o campo de jogo com a partida ainda em andamento. Lubanzadio ainda foi multado em 600 euros (pouco menos de R$ 2 mil). As punições também atingiram ao clube (180 euros de multa, cerca de R$ 590), e ao técnico, Asier Santana (dois jogos de gancho).

Real Unión Club/Reprodução
RFEF puniu Thaylor Lubanzadio, que deixou o gramado após acusar rival de racismo

Em sua conta no Twitter, Lubanzadio republicou algumas das mensagens de apoio que recebeu – uma delas, a da conta oficial do Eibar, ao qual pertence. "Condenamos a atitude do jogador que o insultou e que queremos dar a você o nosso apoio", diz o tweet.

As duas equipes voltam a se enfrentar no dia 2 de março, em Sagunto. Quem avançar decidirá o título contra o classificado pelo duelo entre Badalona e Fuenlabrada - no jogo de ida, vitória do Fuenlabrada fora de casa por 2 a 1.

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