Gabigol supera Neymar e mostra que número nem sempre conta tudo no futebol

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

  • Filippo Monteforte;/AFP

A manchete é forte: "Gabigol supera média de gols na temporada de Neymar". Ou ainda: "Com primeiro gol, Gabigol supera Gabriel Jesus na Europa". Nenhuma delas é mentira. Mas ambas são provas de que, nem sempre, o futebol como nós conhecemos pode ser traduzido em números.

A primeira, sobre a média de gols, mostra que, apesar dos problemas que Gabigol enfrenta desde que chegou à Inter de Milão, o atacante formado nas categorias de base do Santos não é o desastre que muita gente pode pensar. Ele precisou de seis meses para marcar seu primeiro gol pelo time italiano, mas a demora tem mais a ver com a falta de chances do que, propriamente, com falta de pontaria.

Gabigol balançou as redes após 138 minutos de bola rolando (usando números do site TransferMarkt). Neymar, por sua vez, só consegue alterar o placar a cada 267 minutos. Só que o jogador do Barcelona soma 10 gols na temporada (além de 19 assistências) em 30 partidas. Diego Costa, artilheiro do Chelsea, líder do Campeonato Inglês, também fica atrás na média: o brasileiro naturalizado espanhol marca uma vez a cada 139 minutos. E ele soma 16 gols em 27 partidas na temporada.

Até mesmo com Gabriel Jesus a comparação é possível: como contou o Blog do Rafael Reis, Gabigol precisou de 130 minutos para marcar seu primeiro gol pela Inter. Enquanto isso, o campeão brasileiro pelo Palmeiras no ano passado precisou de 137 minutos antes de estrear no marcador pelo Manchester City.

As mesmas estatísticas, porém, podem ser usadas contra o atacante da Inter de Milão. O jogo contra o Bologna, em que Gabigol marcou o seu primeiro gol, foi o sétimo do atleta pelo novo clube. Enquanto isso, Gabriel Jesus tem cinco partidas pelo City e cinco gols.

Talvez o número mais importante a ser levado em conta, quando o assunto é o Menino da Vila, é o aproveitamento. Desde a chegada do reforço, a Inter de Milão fez 30 jogos, com o brasileiro jogando apenas sete deles. Mais do que isso, a maior contratação do clube na temporada só começou uma partida, na Copa da Itália, contra o Bologna, em janeiro.

Enquanto isso, Jesus jogou logo na primeira partida do City desde sua regularização, foi titular em sua segunda partida e começou quatro dos cinco jogos que disputou. Em um mês, ele ficou os 90 minutos em três partidas e esse número só não é maior por causa da lesão grave que sofreu no pé, na quinta vez que entrou em campo com a camisa azul do time de Manchester.

A questão, então, é tentar entender porque Gabigol tem sido usado tão raramente na Inter de Milão, já que, como os números mostram, ele foi efetivo quando teve suas chances. Jornais italianos, por exemplo, citaram problemas de adaptação do jogador ao futebol europeu, principalmente para entender sua função dentro do elenco da Inter. O técnico do time, Stefano Pioli, pediu calma com o jogador.

Para quem está esperando ver Gabigol brilhar com a camisa da Inter, porém, neste fim de semana de Carnaval isso dificilmente vai acontecer. A Inter joga no domingo contra a Roma e, pela importância da partida, Pioli deve entrar em campo com seus principais jogadores. Isso significa usar o argentino Icardi no centro do ataque e a dupla Perisic e Candreva pelos lados, vaga que o ex-santista tenta conquistar.

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