Menos jogadores, mais qualidade. Como Inter quer voltar a produzir talentos

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação

    Diego Cabrera é o novo responsável pelas categorias de base do Internacional

    Diego Cabrera é o novo responsável pelas categorias de base do Internacional

O Internacional está decidido a voltar a formar grandes jogadores. Avaliando uma queda na produção de talentos para o time principal, o Colorado começou uma reformulação nas categorias de base neste ano. O primeiro passo foi a contratação do coordenador geral Diego Cabrera. Com corte de mais de 20 jogadores, a ideia é reduzir o número de atletas e apostar na qualidade de treinamento com atenção específica a cada um. 

O plano é dar cada vez mais jogadores de qualidade ao principal. E para isso apostar na equipe Sub-23, que recebeu muitos reforços recentes. Wesley, ex-Grêmio, Joanderson, ex-São Paulo, André, vindo do Estanciano, Victor, ex-Bragantino, Vinícius Bala, destaque no Sport, Alisson, que jogava no Novo Hamburgo. Todos já integrados ao elenco. 
 
Cabrera trabalhou no Internacional entre 2008 e 2010, depois passou pelo Luverdense, voltou ao Colorado em 2012, esteve no Grêmio entre 2013 e, em 2014 esteve no São Paulo e voltou ao Internacional nesta temporada. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, explicou o que pretende para os times inferiores do Colorado. 
 
UOL: Como está sendo sua volta ao Inter? 
Cabrera: O Inter sempre foi reconhecido como um grande clube formador. Pela estrutura e qualidade dos profissionais e jogadores. Nestes quatro anos que passei fora, aprendi muita coisa. Adquiri conhecimento, realizei bons trabalhos por onde passei. Revelamos muitos jogadores e tivemos resultados. Vivemos um período que não se revelaram grandes jogadores, no mesmo nível de antigamente. E os resultados não foram tão expressivos. Há uma ótima estrutura e profissionais. Queremos voltar a colocar o Inter no cenário dos grandes clubes que revelam os melhores. Voltar a formar atletas, definir um perfil, criar times competitivos, abastecer o principal. 
 
UOL: Você passou recentemente pelo Grêmio, e no clube se tem uma política de contratação de jogadores pré-prontos, nos último anos de base. Isso é uma premissa também agora do Inter? 
Cabrera: Foi uma política criada por nós no Grêmio. Nos dois anos que passamos ali, criamos isso. Eu acredito que é um braço da captação e um braço muito forte dos jogadores. Acredito na formação continuada do Sub-10 até o principal. Mas é comprovado por estudo que não são todos que chegam lá. É  neste meio tempo onde há uma captação de jogadores novos, desde 12 até 20, e os semi-prontos. Fazem o último estágio, a preparação final para ir ao principal. Não acho que seja a ação principal dentro da base, mas uma ação importante, sim. Há grandes valores espalhados pelo Brasil. É um país muito grande, que produz grandes valores, é importante o clube observar e ter uma captação atuante para monitorar os atletas para captar se estiver dentro do perfil. 
 

Robson Ventura-19.dez.2013/Folhapress

Joanderson é reforço da base do Internacional

UOL: A base, na sua opinião, tem que seguir o mesmo modelo tático do principal?
Cabrera: A categoria de base passa por uma fase importante. É um trabalho inicial de ensinar o jogador para chegar e se adaptar melhor ao principal. Nosso treinamento diário é uma ferramenta, uma instrução para eles resolverem os problemas do jogo da melhor forma. O treino diário tem que dar o máximo de informação possível para resolver os problemas da melhor forma, para ter a melhor escolha, achar o melhor passe, a finalização. As ações sejam facilitadas. Sobre o modelo de jogo padrão do principal, eu acho que a filosofia do clube tem que existir. Isso tem que estar presente. Um perfil de jogadores estabelecido e uma filosofia respeitada pelo clube como um todo. Independente do modelo de jogo dos times. 
 

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Wesley, ex-Grêmio chega para o Internacional

UOL: Desde sua chegada, o Inter dispensou mais de 20 jogadores da base, e contratou pontualmente. A ideia é reduzir o elenco?
Cabrera: Nessa nova gestão que estamos montando a partir de 2017 acreditamos na qualidade do treino. É muito importante isso. Para termos uma qualidade boa de treino, temos que ter uma quantidade menor de atletas. Quando temos muitos jogadores, não se dá atenção para todos eles, não se passa informação e se dá feedback para todos. Os conceitos ficam perdidos dentro dos treinamentos. Não são tão aproveitados. O que queremos de resolução de problemas de jogo, não se consegue ver pelo número excessivo de atletas. Com menos, se elabora melhores treinamentos e se vê evolução melhor dentro do jogo. Evolução diária e crescimento em conceito e qualidade. É o que queremos a cada dia de treino. 
 
UOL: Qual a importância do Inter B para isso?
Cabrera: O Inter B é gestão das categorias de base, treinam em Alvorada, é diária a relação. Gerimos o trabalho e participamos da contratação de jogadores,da montagem de treinos, da elaboração de jogos e campeonatos. Nosso contato com eles é muito próximo. Este projeto do time B que trazemos através do departamento de futebol e do presidente é uma aproximação muito grande entre profissional e base. Nossos projeto é levar o Sub-23 para treinar no Parque Gigante (CT do principal), para participar das atividades junto ao profissional. Hoje se treina e o contato é feito na categorias de base. 
 
UOL: Hoje o Brasil passa por um processo de internacionalização da base. Muitos clubes contratam estrangeiros para o fim da formação. Você defende isso? 
Cabrera: Eu acho que o processo de trazer jogadores de fora para participar dos trabalhos diários é muito legal. A adaptação não acaba sendo muito boa por causa da língua, é sempre complicado por isso. 95% deles não falam nossa língua. Eles têm que ter 18 anos para poder atuar, antes disso não conseguem ter visto de trabalho. Por isso, muitos não conseguem jogar, não se adaptam, ficam tristes. E jogador sempre quer jogar, se treina na semana toda visando o jogo, e depois não conseguem jogar. É difícil. Participei de intercâmbio de chineses no São Paulo. Passamos bons conteúdos, realidade, cultura de futebol, metodologia para eles, nem sempre eles entendiam, porque não poderiam jogar, não conseguiam jogar campeonato por serem menores de idade, daí não vivenciavam a prática do que explicávamos. Tínhamos que tentar amistoso e isso não satisfaz o jogador. Mas eu acho legal trazer outras culturas fazendo dos clubes daqui ir a outros lugares, fazer intercâmbio, isso é bom para o crescimento de todos.
 
UOL: Os garotos do Inter, hoje, estão prontos para receber chance? 
Cabrera: Montamos um Sub-23 muito forte. Queremos isso como era no passado, com Oscar, Ricardo Goulart... É o grande projeto da nossa gestão. Estes meninos que subiram estão tendo suas chances. Os outros são observados. Estamos com projeto de integrar o principal com o professor Zago, que está nos dando muita oportunidade. Conversamos muito, temos liberdade e receptividade com os profissionais da base. Para reformular, estão chegando jogadores, montamos o time, com certeza alguns que disputarão a terceira divisão gaúcha e a Copa FGF no segundo semestre possam subir. Teremos um calendário cheio, vamos possibilitar que joguem 35 partidas de profissional no ano para evoluir e mais ganharem espaço. 

 

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