Rueda diz por que não foi ao Corinthians e fala de Borja, Berrío, Copete...

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / Toshifumi KITAMURA

    Rueda segue no Nacional de Medellín e deve voltar em duas semanas

    Rueda segue no Nacional de Medellín e deve voltar em duas semanas

Dois meses depois de passar por uma cirurgia no quadril, o treinador campeão da última Copa Libertadores já planeja o retorno aos trabalhos no Atlético Nacional de Medellín. "Mais uma ou duas semanas", planeja Reinaldo Rueda, que falou à imprensa brasileira pela primeira vez desde as tratativas frustradas para assumir o lugar de Oswaldo de Oliveira no Corinthians. 

Rueda, de 59 anos, confirma que tinha grande desejo de treinar uma equipe no Brasil, onde esteve já na última Copa do Mundo com a seleção do Equador. A transferência não foi possível por conta das fortes dores no quadril, mas quatro jogadores dirigidos por ele fizeram esse caminho. O primeiro foi Copete, para o Santos no ano passado, e que puxou a fila para os agora palmeirenses Borja e Guerra e para o flamenguista Berrío. 

Em entrevista ao UOL Esporte, Rueda fala não apenas de seus ex-comandados, mas também sobre seu retorno ao banco de reservas e o comando à distância do Nacional, que tem hoje seus auxiliares à frente. Em quatro jogos na temporada colombiana, o reformulado Atlético teve três vitórias e uma derrota. Na Copa Libertadores, divide o Grupo 1 com o Botafogo, Estudiantes-ARG e Barcelona-EQU. 

Confira a entrevista com Reinaldo Rueda:

FASE FINAL DE RECUPERAÇÃO
Já estou entrando na oitava semana de reabilitação, sigo por um bom caminho e graças a Deus melhorando a cada dia. Estou me fortalecendo. Ainda não voltei aos treinamentos, mas considero que, progressivamente, pode ser em uma ou duas semanas. Tenho uma revisão médica essa semana e depois voltaria a Medellín.

COMANDO À DISTÂNCIA
Correto, participo com meus auxiliares. Estamos coordenando todo o trabalho com corpo técnico e, felizmente, a equipe vai por um bom caminho e iniciou bem a Liga. Sabemos que ainda falta muito, é difícil por todos os jogadores que se foram pelos e novos que chegaram. É nosso desafio voltar a ser forte novamente.

DE MEDELLÍN AO BRASIL
Indubitavelmente sabemos as exigências do Brasil e de grandes clubes como Palmeiras, como Flamengo, já temos Copete fazendo um bom trabalho no Santos. São jogadores com toda a estrutura técnica e tática e com toda a experiência para se consolidar. Oxalá eles tenham um bom sucesso e superem a fase de adaptação.

Divulgação
Borja e Rueda foram escolhidos os melhores da América pelo El País, do Uruguai

BORJA: PROFISSIONAL POR EXCELÊNCIA
Miguel é um jogador com grandes características, com muita facilidade para o gol. Ele é caracterizado por sempre muito receptivo, muito disciplinado e com um bom acompanhamento do que falamos.

Com os complementos que já tem no Palmeiras, seguramente a presença de Alejandro Guerra vai ser muito importante para ele. É um atacante que sabe finalizar muito bem, que tem muita potência e é um excelente profissional. É um jogador que se cuida a 500% e trabalha muito bem. Acho que vai triunfar com uma camisa histórica como do Palmeiras.

GUERRA: FACILITADOR DE EQUIPE
Ele tem uma técnica muito fina. É um jogador com uma grande inteligência de jogo e ainda é muito generoso no esforço que faz. Tem uma consciência muito boa sobre a coletividade da equipe. Sua grande virtude é que faz jogar bem os companheiros e, se chega ao gol, sabe fazer. É um meio-campista com gol. Tem todas as características para se dar muito bem. 

BERRÍO: CULTURA DO NACIONAL

AFP PHOTO / RODRIGO BUENDIA
Berrío foi destaque na Libertadores passada e chegou ao Flamengo


Sim, a verdade é que é muito forte, sim. Orlando é um excepcional profissional e com características muito importantes da cultura do Atlético Nacional, com uma consciência muito boa sobre o que é a função de um extremo. Tem uma potência física e um grande "desborde". É um homem com uma grande qualidade humana, um profissional que treina a 500%, sempre no limite. É desses jogadores que valorizam muito a profissão. 

NR.: Desborde é um termo muito usado em espanhol e equivalente a transbordar em português. Se aplica ao ato de tirar a equipe de situações difíceis, de abrir espaços, eventualmente com um drible ou outra solução. 

COPETE: ABRIU AS PORTAS PARA OS DEMAIS
O sucesso dele foi importantíssimo. Penso que Jonathan é um extraordinário jogador, com um grande biótipo e esse perfil de perna esquerda que o faz importante, além de sua virtude no jogo aéreo defensivo e ofensivo. Agora no futebol internacional, por sorte ele chegou a um clube que o aceitou bem, em que ele se adaptou. Copete fez gols de início e penso que isso foi importante. Agora ele tem a companhia de Vladimir (Hernández, ex-Junior Barranquilla), que tem a possibilidade de jogar em outro extremo, com o Copete que é muito forte e já tem experiência. 

COMO FORAM AS NEGOCIAÇÕES COM CORINTHIANS
Indubitavelmente que eu gostaria de ir. A negociação coincidiu quando estávamos no Japão, pelo Mundial, e um representante brasileiro me buscou, me disse da possibilidade de Corinthians e desafortunadamente eu estava em uma semana muito difícil pela dor no quadril e já com a decisão tomada de fazer a cirurgia. Creio que é uma situação que, com o meu tema de saúde, não coincidiu de poder considerar a proposta. Para todo profissional seria uma grande decisão.

ALEGAÇÃO AO CORINTHIANS
De minha parte, manifestei a situação de saúde que vinha passando e que não poderia adiar a cirurgia. Foi uma pena, mas não era honesto ou sensato de minha parte ir ao Corinthians com essa limitação de saúde, em aceitar a proposta com isso. 

TORCIDA HAVIA APROVADO O NOME DE RUEDA
Seguramente é muito lamentável por tudo o que significava a aceitação da torcida do Corinthians com meu nome. O representante me fez sentir isso, me enviou mensagens da bonita oportunidade que tinha de ir a Corinthians, pelo que meu nome significava para a torcida. Eu queria, mas não era honesto de minha parte com a limitação da saúde. 

CONTRIBUIÇÃO AO BRASIL
É uma grande satisfação por eles (Borja, Guerra, Copete e Berrío) por excelentes seres humanos e profissionais que são. É difícil para nós do Nacional, porque significou perder toda a estrutura da equipe. Mas é a dinâmica do futebol e a dinâmica do que é o mercado internacional. 

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