Crise faz time viajar em dia de jogo e jogadores dormem em chão de ônibus

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

A grave crise financeira que atravessa a União Barbarense, lanterna da Série A2 do Campeonato Paulista, tem gerado situações desconfortáveis e até perigosas para os atletas. Sem dinheiro para pagar hospedagem, o clube tem viajado para todas as partidas fora de casa no mesmo dia do jogo. E na quarta-feira, o meia Melinho postou uma foto em seu perfil no Facebook dos companheiros dormindo em colchões no chão do ônibus, uma alternativa para poderem descansar antes de entrar em campo.

"Lamentável viajando para Batatais no dia do jogo mais uma vez. Que Deus nos abençoe. Esses meninos são guerreiros", escreveu o atleta que retornou da aposentadoria para poder ajudar o time

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro isso é proibido. Em qualquer viagem deste tipo, é obrigatório o uso de cinto de segurança. Não fazê-lo constitui infração grave (5 pontos na carteira do motorista) e multa de R$ 128.

No deslocamento entre Santa Bárbara D'Oeste e Batatais, local da derrota de 1 a 0 para o time local, foram percorridos 238 quilômetros, em uma viagem de 2h30min de duração.

"Este era um ônibus cinco estrelas, o melhor que viajamos até agora. Foi uma opção dos jogadores, que quiseram levar colchões e deitar no chão. Muitos me disseram que têm este costume de outros times que vieram de outras partes do país", disse ao UOL Esporte Everton Rissetto.

Questionado se isso não colocava em risco a integridade física dos atletas em caso de uma batida ou freada mais brusca, ele respondeu: "É realmente perigoso, tanto que na volta foi falado para não fazerem mais isso".

Rissetto disse que a diretoria vai se esforçar para que viagens no mesmo dia de jogos não aconteçam. Nesta Série A2, isso aconteceu em quatro oportunidades, em algumas ocasiões em deslocamentos ainda mais longos, como a viagem para São José do Rio Preto (323 quilômetros). Porém, com a falta de dinheiro não há garantias.

"Nós não estamos com salários atrasados, mas nesta questão das viagens está complicado para pagar a hospedagem. A situação realmente não é das melhores. No último jogo que fizemos em casa tivemos 366 pagantes e um a renda pequena. Aí precisamos pagar taxa de arbitragem, oficiais de controle de doping e outros gastos que temos. Mas posso te garantir que não é só a união que sofre com isso", explicou o supervisor.

A situação da Barbarense é tão delicada que na partida contra o Rio Preto, derrota por 4 a 1, apenas 13 jogadores viajaram. No banco, ficaram um goleiro e um atleta de linha.

"Tínhamos muita gente no departamento médico, estava complicado. Mas esta foi uma situação atípica", disse Rissetto.

Após oito rodadas, o clube que tem o ex-goleiro Fábio Costa como gerente de futebol soma apenas um ponto - empate em 2 a 2 com o Penapolense. Está a nove do Rio Preto, primeiro time fora da zona de rebaixamento.

"Ainda acreditamos que dá para escapar do rebaixamento. Precisamos de sete vitórias em 12 jogos. Não vamos perder as esperanças", disse Rissetto, que descarta a possibilidade de a Barbarense desistir do campeonato.

"Isso nunca foi conversado. Vamos respeitar o compromisso assumido com os atletas e os nossos torcedores", completou.

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