Palmeirense é enterrado em jazigo da Mancha, e velório tem clima de tensão

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo (SP)

Um dos fundadores da torcida organizada Mancha Alviverde e muito querido entre os membros, Moacir Bianchi foi velado na manhã dessa sexta-feira por dezenas de torcedores no cemitério do Jaraguá, em São Paulo.

O clima no velório era de consternação, e muitos organizados falavam nas tentativas que Bianchi vinha fazendo para pacificar e unir a torcida, marcada por conflitos internos.

Esses conflitos vieram à tona com um princípio de confusão, quando um dos integrantes foi expulso do velório depois de aceitar ser entrevistado por emissoras de TV - foi o único, já que a imensa maioria dos organizados se recusou a falar abertamente com a imprensa sobre a morte do fundador.

Em um momento próximo do enterro, todos os jornalistas foram convidados a sair do local do velório.

Segundo relatos, o caixão de Bianchi tinha uma bandeira da Mancha no trajeto até o jazigo. A pedido da administração do cemitério, ela foi retirada no momento do enterro, porque o procedimento padrão não permite o objeto enterrado junto com o caixão.

Adriano Wilkson/UOL
Moacir Bianchi foi velado e enterrado nesta sexta-feira

Mesmo assim, foi possível perceber que a morte do fundador vai torná-lo uma espécie de herói da torcida, a exemplo do que aconteceu com Cléo Sóstenes, amigo de Bianchi e também fundador da torcida, assassinado em 1988.

Bianchi, de 48 anos, foi encontrado morto em seu carro, alvejado por dezenas de balas na última quinta-feira.

Horas antes, segundo relatos, ele tinha participado de uma reunião na sede da organizada, na qual pediu para que as diversas facções que brigam entre si se acertassem.

Ele ficará enterrado no mesmo cemitério em que a Mancha já enterrou outros de seus "heróis": também estão lá André Alves Lezo e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira, que morreram assassinados por corintianos em uma briga na Avenida Inajar de Souza, em março de 2012.

Seus amigos lembravam que Bianchi participava de brigas em uma época 'romântica' das organizadas, quando o conflito era feito apenas com as mãos e não com armas de fogo. Em seu velório, apareceram até torcedores de rivais daquela época. 

Ao menos um membro da Gaviões da Fiel compareceu para prestar solidariedade aos amigos e familiares. Adamastor, uma figura histórica da torcida Independente, maior organizada do São Paulo, mandou flores.

Fundador da Mancha é assassinado; torcida suspende atividades

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