Tite agrada rivais e evita "corintianismo" antes do retorno a Itaquera

Dassler Marques, Gustavo Franceschini e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

No dia 28 de março, contra o Paraguai, Tite irá à Arena Corinthians pela primeira vez desde que trocou o clube do Parque São Jorge pela seleção brasileira. Na iminência do retorno, porém, ele foi comedido ao falar dessa relação. Perguntado três vezes sobre como seria voltar a ver a torcida alvinegra, o treinador afagou palmeirenses, são-paulinos e santistas e evitou exagerar no "corintianismo".

"Não vou fugir da resposta. Não é a resposta do homem, é o homem e o profissional. Sou muito grato ao clube que me ajudou e me proporcionou estar técnico da seleção. Foi o Corinthians e foram as outras equipes. Foi o Grêmio, passou pelo Palmeiras... E aí quando vem meu ultimo clube, tem um aspecto emocional? Tem. A sensibilidade fica mais aflorada. Fica como pedido de carinho à seleção. E entendendo também os outros torcedores que não vou ser menos respeitoso ao Palmeiras, ao São Paulo ou ao Santos. E não é discurso de pastor, porque eu não sou. É discurso humano", disse Tite, já na última pergunta da entrevista coletiva em que ele anunciou os convocados para os jogos contra Uruguai e Paraguai, pelas Eliminatórias.

A essa altura, Tite já havia conseguido se esquivar de falar sobre o Corinthians em duas outras respostas. Em uma delas, foi questionado sobre como seria um retorno para "casa", em uma referência à Arena Corinthians. "Você levantou a bola e vou poder valorizar o cantinho onde nasci, em São Braz, lá em Caxias. Meu berço de educação foi lá. Tinha uma rua lá, uma igreja, uma bodega, como se diz no interior. Ali eu me criei, me eduquei. Criei o primeiro aspecto de jogar futebol, ser atleta profissional para depois criar uma situação de estar aqui", disse Tite.

Só que a associação com o Corinthians é inevitável. A coletiva desta sexta aconteceu em um hangar da GOL, patrocinadora da CBF que renovou seu contrato com a entidade até 2020. Na apresentação do avião personalizado da seleção, Paulo Kakinoff, presidente da companhia aérea, fez questão de ressaltar o passado alvinegro do treinador.

"Eu, como corintiano, devia dar um avião só para você, Tite, por tudo que você fez por nós", disse o executivo. Campeão do mundo, da Libertadores e bicampeão brasileiro, o treinador é o mais vitorioso da história do Corinthians, o treinador sempre fez questão de demonstrar uma ligação forte com o clube em outras oportunidades. Se dessa vez foi diferente, não é exatamente porque ele tenha mudado. 

A preocupação de Tite com o "corintianismo" vai além de uma política de relações públicas. Será o primeiro jogo da atual gestão diante do torcedor paulista, tradicionalmente crítico com a seleção. Por isso, o treinador fez questão de evitar criar problemas com as arquibancadas.

"Essa vinda para São Paulo tem um cunho de experiência, maturidade, de estarmos nos diversos lugares do Brasil, para estar em contato com nosso torcedor, com expectativa e público diferentes. Faz parte do nosso planejamento estar, sim, em São Paulo", disse ele.

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