Giuliano diz como é jogar a menos 12 graus: "parece que o pé vai quebrar"

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

  • Epsilon/Getty Images

    Giuliano, meia do Zenit, em partida contra o FC Ufa, disputada na neve

    Giuliano, meia do Zenit, em partida contra o FC Ufa, disputada na neve

Giuliano está há oito meses no Zenit da Rússia. E, para quem pensou que ele fosse sumir indo para o frio de São Petersburgo, a resposta foi rápida. Ele é o artilheiro e líder em assistências da Liga Europa, um dos melhores meio-campistas do Campeonato Russo e tem sido convocado regularmente para a seleção brasileira de Tite.

Medo, mesmo, só do frio siberiano. "Acho que a menor temperatura que enfrentei foi 12 graus negativos. Quando é treino, você ainda consegue colocar calça e camisa térmica, luva, gorro, calça e blusa por cima de tudo. No jogo, não. É só o uniforme comum. O jeito é torcer, mesmo, para que nos dias de jogo as condições não sejam tão ruins".

Pior do que a temperatura, porém, é quando além do frio aparecem a neve e o gelo. "É horrível. A sensação é que você pode quebrar o pé em qualquer momento", conta o jogador. "A sensação é muito ruim. A mão congelava mesmo de luva. As orelhas ficavam frias, você não sente as unhas do pé, as extremidades do corpo ficavam congeladas. Mas faz parte".

A adaptação rápida faz sentido. Giuliano fez sucesso no Grêmio de 2014 até 2016. Antes disso, porém, jogou no Dnipro, da Ucrânia, por quatro temporadas. "Quando eu aceitei a proposta do Zenit, já sabia como funcionava o Campeonato Russo, pois é o mesmo esquema do Ucraniano. Eu também já conhecia a língua e o clima, o que ajuda muito na adaptação. Por isso tudo aconteceu tão rápido".

Epsilon/Getty Images
Giuliano já fez 32 jogos pelo Zenit, com 17 gols e dez assistências. É muito para quem joga no meio-campo e tem sido escalado mais como armador do que como atacante. Mais surpreendente é seu rendimento especificamente na Liga Europa. O Zenit foi eliminado na primeira fase eliminatória, mas o brasileiro é um dos melhores jogadores da competição – provavelmente, o melhor até agora.

Com oito gols marcados, ele divide a liderança da artilharia com Edin Dzeko, da Roma. E suas seis assistências também o colocam na primeira posição na lista de passes para gol da competição, à frente de jogadores como Totti, também da Roma, e Marlos, do Shakhtar Donetsk. Confira a entrevista completa que o jogador deu ao UOL Esporte:

Adaptação à Rússia

Epsilon/Getty Images
"Cheguei há oito meses e já conhecia o esquema do leste europeu, pelo tempo de Ucrânia. E fui entrando aos poucos no time e ganhando confiança. Hoje, vivo o melhor momento na minha carreira como jogador de futebol, em termos de estatísticas e de rendimento".

"Fico feliz com isso, principalmente por poder retribuir a confiança que recebi dos torcedores e do grupo no Zenit. Os russos se surpreenderam muito quando viram quantos gols e assistências eu estava fazendo, além de participações boas em um período tão curto. Acho que tudo isso deu certeza de que eles fizeram a coisa certa ao me contratar. Esse feedback tão positivo ajuda bastante para manter o mesmo ritmo".

Sonho com Copa do Mundo

"Jogar uma Copa do Mundo pela seleção brasileira é um sonho que gostaria de realizar. Mas sou realista e penso no próximo passo. E esse próximo passo é sempre a próxima convocação. É estar presente, fazer parte do grupo e, depois, estar pronto para os dois jogos. Depois, continuar trabalhando no meu clube para ser chamado novamente na sequência".

"Sempre que tem convocação, eu fico ansioso. Com os técnicos anteriores, eu tentava não pensar tanto no assunto. Mas agora, com o Tite, que vem sempre lembrando do meu nome, essa ansiedade só aumenta".

Tite na seleção

"Os resultados falam sozinho. Mostram que o trabalho está sendo bem feito. Ele mudou a cara da seleção e a forma de jogar. A seleção sempre teve grandes jogadores, mas o difícil era fazer com que esses grandes jogadores se tornassem um grande time. E o Tite tem conseguido fazer isso. Os jogadores entendem que todas as funções são importantes para o time vencer. O grande mérito é esse: tirar o melhor de cada um. Todo mundo marca, todo mundo joga. Por isso estamos nessa situação tão boa nas Eliminatórias".

Posição na seleção
Pedro Martins/MoWa Press
Giuliano e Paulinho conversam com Tite: o jogador do Zenit é reserva na função do ex-Corinthians

"Em todas as vezes que fui usado pelo Tite, sempre participei como um terceiro volante nesse 4-1-4-1. As pessoas acham que é uma improvisação, mas na verdade não muda muito no esquema em que jogo aqui no Zenit. É verdade que, aqui, estou mais perto do gol e com o Tite venho um pouco mais de trás. Eu dou uma assistência maior na saída de bola, para que ela chegue com uma qualidade maior na frente. Ainda assim, existe liberdade de entrar na área e finalizar. É uma função que eu faço bem. E que já fazia no Inter. Foi ali que comecei a crescer para o futebol".

Posição no Zenit

"No Grêmio, eu jogava em um 4-2-3-1 aberto pelo lado. Aqui, a gente faz um 4-3-3 e eu sou esse terceiro homem do meio-campo. Às vezes, faço o papel central na linha ofensiva do 4-2-3-1, jogando quase como um segundo atacante. Mas o mais importante é que tenho mais liberdade para buscar a bola atrás e ajudar na criação, além da liberdade para chegar na frente. Essa função me permite aproveitar as qualidades que tenho ao máximo. Gosto de buscar o passe curto e fazer a flutuação".

Vice-liderança no Campeonato Russo

"Nós iniciamos muito bem o Campeonato Russo, mas quando entramos em outra competição, a Europa League, sentimos o peso. Jogar as duas competições simultaneamente foi muito desgastante, principalmente com um grupo muito enxuto como nosso. O Spartak [líder do torneio] só jogava o campeonato local, treinava a semana inteira e chegava ao fim de semana inteiro. Nós perdemos alguns jogos em momentos importantes, mas temos ainda 13 jogos para sair dessa vice-liderança. Temos capacidade de reverter, ainda mais agora que só vamos jogar o Campeonato Russo".

Eliminação para o Anderlecht

"Por causa do inverno russo, ficamos dois meses sem jogar. Tivemos uma intertemporada boa, mas estreamos em 2017 justamente em um jogo eliminatório, contra o Anderlecht que vinha em ritmo de competição. Na Bélgica, realmente não fizemos um bom jogo [2 a 0 para o Anderlecht]. Por outro lado, fizemos uma partida quase perfeita dentro de casa, conseguimos reverter um placar que muitos achavam impossível e vencemos [por 3 a 1]. O problema é que, na única bola, na única chance que eles tiveram, conseguiram o gol. Nos acréscimos. É algo que faz parte do futebol. Temos de levantar a cabeça e saber que fomos bem e merecíamos sorte melhor".

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