Vitória diz que meia deixou clube por 'chamado de Deus'; jogador desmente

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

  • R. Santin/Vitória

    Sinval Vieira, diretor de futebol do Vitória, foi procurado por Leandro

    Sinval Vieira, diretor de futebol do Vitória, foi procurado por Leandro

O meia Leandro, de 23 anos, chegou à Toca do Leão no começo de fevereiro, contratado do CSP, da Paraíba. A ideia era observar o atleta e, quem sabe, efetivá-lo ao time profissional do Vitória. Depois de quase um mês treinando, porém, o jogador foi até o diretor de futebol, Sinval Vieira, e pediu para deixar o clube. O motivo? Dirigente e atleta dão versões diferentes para o que de fato aconteceu.

Sinval Vieira conta que Leandro revelou ter recebido um 'chamado de Deus' e, por isso, voltou para a sua cidade natal: João Pessoa, na Paraíba.

"Ele é uma pessoa evangélica. 'Deus disse para eu ir e depois voltar', me disse. E eu disse: 'está bom, que Deus lhe acompanhe'. Respeito muito essas coisas. É a força de Deus. Ele me disse que estava convicto disso, era para ele ir e voltar um dia", explicou Sinval Vieira em entrevista ao UOL Esporte.

"Leandro não chegou a ser contratado. Como eu faço com muitos jogadores, foi para fazer uma avaliação. Ele chegou com um problema médico que foi sanado e, quando ia começar, não sentiu confiança e pediu para ir embora. É um jogador que não estava contratado, veio para ser avaliado, e ia passar um tempo – estou fazendo isso com muitos", acrescentou.

Jogador diz que diretor do Vitória não cumpriu palavra

Leandro, por sua vez, desmentiu totalmente a versão dada pelo dirigente e disse que o Vitória não cumpriu com o que lhe prometeu.

"Isso aí [chamado de Deus] não tem nada a ver com a minha saída de lá, não. Eu saí daqui para ir a Salvador e, chegando lá, foi uma coisa totalmente diferente. E eu falei para o Sinval que, mesmo que ele quisesse que eu ficasse, eu não ficaria mais, porque foi conversado uma coisa e, chegando lá, ele falou outra coisa", disse.

"Por mais que seja uma oportunidade muito boa pra mim, eu tenho caráter suficiente. Antes de ir para lá estava acertado tudo e ele fez isso. Eu estava jogando no CSP, disputando o campeonato, e tinha um olheiro aqui, e antes de eu ir para lá a gente tinha tudo acertado 8 mil reais de salários mais moradia, um apartamento para eu morar, só faltou acertar o tempo de contrato, que seria de três a seis anos. Só que quando chegou lá era um teste, ele não falou para mim que seria teste, e aí eu falei: 'Pô, você combinou uma coisa e fez outra'", acrescentou.

Em seguida, Leandro esclareceu o que deve ter levado Sinval Vieira a 'entender' que ele deixou o clube por conta de um 'chamado de Deus'.

"Aí foi quando nós trocamos umas palavras de Deus, porque eu sou evangélico, mas não que essas palavras foram os motivos para eu não ficar, nada a ver. Se fosse chamado de Deus eu não estaria jogando futebol. Eu achei a declaração dele muito estranha, ele ainda falou: 'se você quiser assina aqui, agora', e eu falei: 'não, agora eu não quero mais, vocês falaram uma coisa e fizeram outra comigo, eu trabalho com a verdade, se vocês tivessem falado a verdade desde o início, que era um teste, eu teria ido fazer o teste", garantiu o jogador.

"Depois colocou que era saudade da família, como saudade da família? Nada a ver, se ele falou que ia dar apartamento, tudo, eu ia levar a minha família para lá, eu não poderia levar a minha família, não? Pela forma que ele falou eu não achei certo, não, aí voltei para a Paraíba", explicou.

Carreira que segue...

Com contrato até 2021 com o CSP, Leandro agora aguarda novas propostas para dar sequência à carreira de futebol. E garante: não vai pendurar as chuteiras por conta de um 'chamado de Deus'.

"Hoje eu estou no CSP, tenho contrato até 2021, e tem outras coisas que vão aparecer. E nada a ver parar de jogar futebol da forma que o Sinval falou, parece que eu parei de jogar futebol, e não é isso, chamado de Deus [risos]. Nada a ver, saudade da família, como se ele prometeu um apartamento? Não tem lógica isso", completou Leandro.

Apesar dos 23 anos, Leandro já acumulou passagens por alguns clubes brasileiros. Revelado pelo Vila Nova-GO, ele tem ainda outros oito times no currículo: Desportiva Guarabira-PB, CSP-PB, ABC, Treze, Matonense-SP, Paraíba, Sousa e Miramar-PB. De acordo com Sinval Vieira, ele seguiu de volta para João Pessoa (PB), sua cidade natal.

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