Com Gabriel, até a mesa de sinuca é preta: "Eu tenho a cara do Corinthians"

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

Gabriel chegou ao Corinthians no começo deste ano, mas a impressão é outra. Dono da camisa 5 e titular em todos os jogos do time alvinegro nessa temporada, o volante mostra-se à vontade no clube de Parque São Jorge. A prova disso foi a comemoração do primeiro gol com a camisa alvinegra, na vitória contra o Luverdense, em que mordeu o escudo do clube. O próprio jogador se rende: "Eu tenho a cara do Corinthians, de jogador raçudo, que não vai desistir de nenhum lance".

Vindo do maior rival do Corinthians, o Palmeiras, Gabriel também fez o corintiano esquecer o seu passado alviverde. Logo no primeiro clássico, o jogador tornou-se um dos maiores personagens do duelo disputado em Itaquera. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, ele falou sobre o caso e disse que perdoou o árbitro Thiago Duarte Peixoto que o expulsou injustamente, dando o segundo amarelo ao volante em vez de punir Maycon que cometeu a falta.

Gabriel ainda falou sobre a adaptação ao Corinthians e a boa fase do time, exaltando o papel de Fábio Carille. Ele ainda fez uma revelação. Para mostrar o novo lado corintiano, o volante fez uma escolha bem corintiana: a mesa de sinuca instalada em sua residência não tem tapete verde. Ele é preto.

UOL Esporte: Você tem estilo parecido com o do Corinthians?
Gabriel: Eu tenho a cara do Corinthians, de jogador raçudo, que não vai desistir de nenhum lance, em nenhum momento do jogo. É assim que funciona. Conheço a história aqui. Sei que o Corinthians tem essa marca de ser aguerrido, vou procurar manter isso. Independentemente se for clássico ou não, eu quero ganhar sempre. Eu trabalho aqui, o meu papel é esse. Fui contratado para isso, para contagiar, ser competitivo. Esse grupo aqui abraçou essa ideia, de ser aguerrido, competitivo.
 
Você tem uma mesa de sinuca diferente, não é? Por quê?

É preta, sou Corinthians hoje. Minha mesa é preta. Mas também é por estética. A preta caiu melhor pela decoração da minha casa. Preferi essa cor.

 

O árbitro Thiago Duarte Peixoto tomou uma suspensão de 60 dias por conta da sua expulsão. Achou justo?
O Thiago é humano, mas ele poderia ter voltado atrás. O quarto árbitro falou para ele que não tinha sido eu que fez a falta. Ele fez uma confusão enorme e prejudicou nosso time. Jogar com um a menos é muito difícil. O time se superou. Vou procurar sempre perdoar as pessoas. Eu falei para ele voltar atrás, que ele ia se prejudicar. Todo mundo viu que não fui eu. Isso para mim é uma página virada. Fico até feliz que o cartão vermelho foi retirado. Não tenho nenhuma expulsão na minha carreira. Espero que o Thiago melhore também.

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Gabriel enfrenta seu ex-time na Arena Corinthians: polêmicas e vitória corintiana
 
O que você achou da atitude do Keno e do Dudu (os palmeirenses apontaram para Gabriel, acusando-o de ter cometido a falta no lance da expulsão)?
A cultura do futebol brasileiro tem isso. Passar o outro para trás para conseguir um resultado melhor dentro do campo. Era um clássico, é complicado. Pode ser que isso melhore daqui para frente. Espero que melhore. A consciência é deles. Se eles deram parabéns, a consciência deles agora é que sabe o que o árbitro está passando. O jogo tem de ser jogado. Tem de jogar e merecer dentro de campo, com honestidade. Ali não aconteceu, mas já passou. Eu no lugar deles também não sei o que ia fazer.
 
O que você achou da mensagem do Tchê Tchê, a que ele te chama de traíra? (Tchê Tchê fez o comentário durante uma transmissão ao vivo de Moisés em seu perfil no Instagram)
Eu nem vi isso. Não tive nem tempo. Eu passei por tanta coisa que nem cheguei a ver. Fiquei sabendo pela imprensa. Cada um com a sua consciência. Eu me dava bem com todos lá, como no Botafogo. Nem dei continuidade a isso. 
 
Houve uma conversa olho no olho com Alexandre Mattos quando você deixou o Palmeiras?
Conversa olho no olho não teve. Mas ele me ligou depois. Nós conversamos e decidimos cada um seguir sua vida. Estava muito tranquilo em relação a tudo isso. Tenho certeza que fiz a melhor escolha da minha carreira.
 
Como você encarou o fato de o clube não ter te mantido no elenco para 2017?
Para mim isso é tranquilo. Sou jogador, sou profissional. Tive uma passagem pelo Palmeiras e hoje estou no Corinthians. Estou com a cabeça bem sossegada. Isso mostra que o grupo está bem focado para ganhar títulos esse ano. Eu não sei o que aconteceu. Fui extremamente profissional, trabalhei e fiz o meu papel até o último dia do meu contrato que tinha com o clube. Depois disso eu procurei seguir minha vida e hoje estou muito feliz aqui no Corinthians. Esse início está sendo muito bom e promissor. Não só para mim, mas para a comissão e os jogadores. Já ganhamos dois clássicos em pouco tempo. 
 
O Corinthians foi o único que se interessou por você?
Atlético-MG fez uma sondagem. Isso não chegou a mim, só com meu empresário. O Corinthians me procurou também e eu gostei. Fiquei feliz com a procura e decidi vir para cá. Escolhi o Corinthians. Para mim, o meu planejamento de carreira, foi a melhor escolha.
 
Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Gabriel nunca foi expulso na carreira
 
Você conversa com ex-companheiros de Botafogo e Palmeiras?
Tenho um respeito muito grande por todos os jogadores que joguei contra e a favor. Por todos, não tiro ninguém. Eu converso com o Jefferson de vez em quando. Tem o Dória, subi com ele da base. O Jadson que está na Ponte. Subimos juntos. O Vitinho, o Renato. No jogo de sábado nos abraçamos, conversamos. São amizades que levamos para sempre.
 
E com os do Palmeiras?
A maioria dos jogadores eu tenho contato. Depois de lesão do Moisés e do Thiago Martins eu mandei uma mensagem de apoio porque a gente sabe o que a pessoa está sentindo nesse momento. Respeito todos e tenho carinho.
 
A que você atribui esses resultados tão bons no começo do ano?
Ao Carille, pelo que ele trabalha. Com trabalhos específicos. Quando não dá para estar em campo treinando pela sequência de jogos, a gente fica lá dentro vendo vídeos, vendo o que pode melhorar. Mesmo não levando gol nos jogos, a gente nunca acha que foi perfeito. Não tem como. Sempre buscamos manter uma concentração alta para errar pouco. Os jogadores vêm fazendo a função muito bem. Os que estão fora também. Eles veem um pouco melhor e dão dicas de posicionamento. 
 
Como está o clima entre os jogadores?
O clima é muito bom. O Kazim é muito parceiro, veio de fora e já fala muito bem português. A gente tenta ensinar ele. Vários jogadores são parceiros. Nosso grupo é bem fechado. O ambiente aqui é muito leve, isso se deve muito ao Carille. Ele e a comissão deixam o ambiente tranquilo. Dá vontade de vir aqui, treinar e trabalhar. Está se iniciando uma família aqui, um projeto muito bom e já estamos conseguindo dar resultados.
 
E como é o relacionamento com Carille? Qual o ponto forte do treinador?
A conversa olho no olho que ele tem. Quando ele vê alguma coisa errada, ele chega e fala. E também reconhece quando o cara acertou. Ele é muito inteligente, estudou para estar aqui. Não caiu de paraquedas, ele está por méritos dele. Faz um grande trabalho. O grupo gosta muito dele. Esse ambiente que ele deixa, ele e a comissão, é sensacional.
 
Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians
Gabriel foi titular em todas as partidas oficiais do Corinthians em 2017
 
O nome do Drogba chegou a ser tratado como certo no elenco?
Sempre trabalhamos com o que tínhamos aqui. Até por respeito aos outros jogadores da posição. Jô é jogador de Copa do Mundo. Kazim jogou em clubes europeus. O próprio Carlinhos, que subiu, é artilheiro da Copa São Paulo. Nós, internamente, em nenhum momento conversamos sobre Drogba. Lógico que se ele estivesse aqui, seria outro papo. Acreditamos nos jogadores que estão aqui.
 
Qual teu maior ídolo no futebol?
O Seedorf. Tive prazer de jogar com ele. Foi um cara que aprendi muito como se comportar dentro e fora de campo, na disciplina. Eu convivi com ele e tenho contato com ele até hoje. O Ronaldo também. É um fenômeno mesmo. Pela história de vida que ele teve, de lesão, voltar e dar a volta por cima.
 
Como surgiu o apelido pitbull?
Desde a época do Botafogo, desde a base. Tinha essa característica de correr muito. Foi desde lá. 
 
Antes do Felipe Melo?
Não sei qual surgiu primeiro. Ele acaba comemorando às vezes desse tipo. Talvez seja isso também. Mas é cada um na sua. Não procuro comparar, procuro estar bem sempre.
 
Como o futebol surgiu na sua vida?
Desde criancinha mesmo, comecei com quatro, cinco anos, em Campinas. Meu pai sempre me incentivou bastante, minha família gosta muito de futebol. Era um sonho de família, sempre me via como jogador. Coloquei como meta e procurei seguir. Todo dia que acordo e venho para cá é um sonho realizado de ser um atleta profissional.
 
Já era volante?
Eu jogava mais avançado, era mais rápido que o zagueiro, saía na frente e fazia um monte de gol. No Paulínia, onde fiz a base era um meia camisa 8, chegava bastante na frente. Corria o campo inteiro tinha fôlego. Depois acabei virando volante e procurei aprimorar.

 

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