Fiasco do PSG atinge brasileiros, apostas e comparação com o Oscar

Fabio Piperno

Colaboração para o UOL

  • AFP / LLUIS GENE

Para críticos e torcedores franceses, foi como um Waterloo do futebol. A incrível goleada de 6 a 1 imposta pelo Barcelona ao Paris Saint-Germain provocou na França a ira contra os jogadores e o técnico espanhol Unai Emery, no cargo desde o início da temporada. Apenas o atacante uruguaio Cavani escapou ileso do naufrágio de um time que levou para a Catalunha a vantagem de 4 a 0 estabelecida no jogo de ida, mas que voltou para casa humilhado, eliminado e com o estigma de fraquejar nos momentos decisivos.

Entre os mais castigados pela fúria dos analistas e do público estão os três brasileiros que jogaram pela equipe parisiense. Deles, o zagueiro e capitão Thiago Silva foi o alvo dos ataques mais impiedosos nos jornais e programas que debateram o fiasco do PSG.

O site do L'Equipe, um dos principais diários esportivos do mundo, publicou uma sarcástica enquete sobre temas do dia que tinha entre as quatro alternativas a opção "Thiago Silva foi o capitão do Titanic em outra vida". Dos 5.102 internautas que haviam votado nas primeiras horas, 30% escolheram a ironia ao zagueiro.

A conceituada revista France Football, que desde 1956 concede a Bola de Ouro ao craque da temporada, atribuiu melancólicas notas 2 a Thiago Silva, Marquinhos e Lucas. A avaliação para os dois últimos foi a mesma no diário Le Figaro. Thiago Silva recebeu 3. De acordo com o jornal, o zagueiro esteve "ausente. Um líder que não impediu o naufrágio do navio". Marquinhos foi um "pesadelo" e Lucas fez um jogo "atroz".

Ainda no Le Figaro, o blogueiro Bruno Roger Petit, também comentarista em programas de rádio e de televisão, recorreu ao clássico artigo J'accuse (Eu acuso), do célebre escritor Émile Zola, para investir contra todos os jogadores da equipe. Só Cavani foi poupado. Petit iniciou as avaliações de cada jogador da equipe com o "J´accuse". No caso dos brasileiros, foi implacável. "Eu acuso Thiago Silva de deserção mental, como durante a Copa de 2014. Eu acuso Marquinhos de falta de profissionalismo no segundo gol. E no pênalti provocado por Suárez, parece que caiu na armadilha. Eu acuso Lucas de ter sido Lucas, de ter jogado como se enfrentasse Dijon ou Guingamp, como turista de luxo".

O Le Monde publicou um texto intitulado "Thiago Silva traumatizado". O diário avaliou que o "fiasco foi incorporado em campo pelo defensor e capitão brasileiro, que se perdeu e foi incapaz de mobilizar seus companheiros". O Le Parisien também questionou a liderança do zagueiro, "incapaz de reagir" e afirmou que ele "permanecerá como o capitão da maior humilhação" do PSG.

No inglês The Telegraph, o analista Chris Bascombe escreveu que a desintegração do PSG "merece um lugar no museu da incompetência" e que a derrota foi eternizada. Sobre o pânico que acometeu a defesa do clube francês, que tinha como zagueiros os brasileiros Thiago Silva e Marquinhos, ambos convocados por Tite para a seleção, foi ainda mais ácido. "Seus defensores se apresentaram como se estivessem marcando Freddy Krueger e Michael Myers em vez de Luis Suarez e Neymar".

Quem perdeu mais com o vexame?

A mais espetacular virada da história da Liga dos Campeões, que jamais havia testemunhado um time reverter desvantagem de quatro gols, teve efeito devastador até mesmo nas tradicionais casas de apostas do continente. A inglesa Ladbrokes admitiu que perdeu o montante mais elevado "desde a famosa noite de Istambul, há 12 anos", quando o Liverpool saiu da derrota de 3 a 0 contra o Milan, na final da Liga dos Campeões, até empatar o jogo e ganhar o título nos pênaltis.

Como tradicionalmente ocorre, a Ladbrokes não informou o valor do prejuízo. Admitiu, no entanto, que três apostadores arriscaram no Barcelona logo que Cavani marcou o gol do PSG. Naquele momento, a cotação era de 100 para libras pagas para cada 1 apostada no time catalão. Na concorrente William Hill, a mais conhecida marca do setor no Reino Unido e que recebe apostas de todo o mundo, apenas 7% dos clientes investiram no então desacreditado Barcelona. O prejuízo também foi grande, mas a casa não informou quanto teve de desembolsar.

Mas o maior perdedor da debacle parisiense foi o bilionário Nasser Al-Khelaifi. O principal acionista do grupo que controla o clube investiu nos últimos anos mais de 200 milhões de euros apenas nas contratações de Cavani, Di Maria e Draxler, fora o que foi gasto nos demais craques do elenco. Só pelo avanço às quartas de final o PSG faturaria 6,5 milhões de bônus, fora a bilheteria.

E ainda mais importante seria o ganho de status para um clube que almeja se juntar aos gigantes da Europa. Visivelmente contrariado com o resultado e com o fim do sonho de conquista da Europa, preferiu não conversar com os jogadores logo após a inacreditável derrota e criticou a atuação da equipe. "Mesmo com dois pênaltis não marcados para nós, não podemos dar desculpas. Não jogamos nada no primeiro tempo. Depois de vencer por 4 a 0 na ida, perder por 6 a 1 no retorno é muito difícil de aceitar, mas não temos escolha".

Correspondente do Grupo Bandeirantes em Paris, a jornalista Sônia Blota destacou que nas manchetes dos jornais as palavras "humilhação" e "pesadelo" foram as mais repetidas, além de privilegiar a exuberante atuação de Neymar. Ela acompanhou do estádio a vitória do PSG por 4 a 0 no jogo de ida. Foi em 14 de fevereiro, quando em pleno Valentine´s Day os torcedores choravam de emoção após a exibição de gala. "Agora, vejo a ressaca moral daqueles que imaginavam comemorar a classificação", disse ela.

Nas redes sociais, a repercussão foi imensa. O holandês Ronald Koeman (@RonaldKoeman), atual técnico do inglês Everton, cumprimentou o time catalão, pelo qual conquistou a Liga dos Campeões em 1992. "Parabéns ao Barcelona. "Eles puniram o medo do #Paris", disse ele no twitter. Também no microblog, o Sports Gazette (@sportsgazette) escreveu: "O gol de Sergi Roberto é 100 vezes melhor com a música do Titanic".

Na mesma rede social, o New England Patriot, que em fevereiro conquistou o Super Bowl após a mais notável reação já registrada em finais da NFL, tuitou para o Barcelona: "Bem-vindo ao clube da virada". O clube catalão agradeceu no @FCBarcelona. "Obrigado @Patriots! É ótimo ter amigos que são tão inspiradores".

O site Turkish Football (@turkish_Futbol1) recorreu à gafe da última festa do Oscar para ironizar o PSG e dizer que o clube francês se tornou o La Land, filme anunciado de forma equivocada como o ganhador do prêmio do cinema, do futebol europeu.  "E o vencedor é o PSG. Oh, espere.....É o Barcelona. Vocês venceram rapazes. E isso não é piada".

 

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