Ex-Vasco fez até mímica para sobreviver na Bulgária. Agora é poliglota

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Arquivo pessoal

    João Carlos foi capitão no Genk e orientou os então jovens De Bruyne e Courtois

    João Carlos foi capitão no Genk e orientou os então jovens De Bruyne e Courtois

Revelado nas categorias de base do Vasco, João Carlos não é muito conhecido dos torcedores, apesar de ter feito parte do elenco que contava com Romário, Juninho Pernambucano, Felipe e companhia. A explicação é a saída precoce do Brasil. Passou por vários países e viu sua 'peregrinação' se iniciar na Bulgária, onde encontrou dificuldades de se comunicar. Foi difícil, mas a necessidade de fazer mímicas foi um ponto definitivo na vida do zagueiro.

"No CSKA Sofia foi o período mais difícil da minha carreira. Saí do Vasco e cheguei na Bulgária, um país completamente diferente. Não conseguia me comunicar e isso foi horrível.  Ninguém entende nada de português lá. Até se adaptar... Serviu para eu entender que precisava evoluir. Não aguentava mais me virar na mimica e comecei a aprender o inglês", disse João Carlos ao UOL Esporte.

"Não sabia pedir peixe, frango. Tinha que esperar e dar a sorte de alguém do lado pedir. Não tinha essa facilidade. Celular com internet, não tinha nada. Dependia de alguém pedir algo diferente para comer alguma coisa nova. Porque era sempre a mesma carne, que não aguentava mais. [risos]", completou o zagueiro.

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Após dois anos na Bulgária, João Carlos foi negociado com a Bélgica já com o inglês na bagagem. Defendeu o Lokeren por quatro temporadas, mas o futebol não era sua única preocupação. O zagueiro expandiu ainda mais os horizontes e aprendeu mais dois idiomas.

"Depois fui para a Bélgica e já cheguei com pensamento diferente, queria aprender e absorver o máximo possível. Era mais fácil de comunicar porque já tinha o inglês. Lá aprendi o francês e espanhol também. Isso ajudou bastante. Porque passei a me comunicar com todos atletas", afirmou.

"Vejo isso como fundamental. A vida de jogador tem disso, de passar por várias culturas. Eu valorizo demais e tento aprender o máximo que posso. Acredito que possa ser um diferencial no futuro. O que mudou a minha cabeça foi a dificuldade que passei na Bulgária", completou.

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Além da comunicação, João Carlos teve que superar outras dificuldades na vida de boleiro. Depois da Bélgica, ele chegou na Rússia para defender o Anzhi, time que contava com Samuel Eto'o e Roberto Carlos. O problema é que o time fica na cidade de Makhachkala, capital da região do Daguestão, que passou por uma guerra que durou alguns anos.

"A sorte é que pegamos um presidente multimilionário. Por conta da guerra, ele criou um centro de treinamento em Moscou. Todos vivíamos lá. Só íamos na cidade [Makhachkala], que era muito perigosa, para jogar. Ia em um voo fretado, jogava e no mesmo dia voltávamos para Moscou. Não vivemos a real situação daquela cidade. Time tinha Eto'o, Roberto Carlos e não tinha guerra durante os jogos por conta dessas estrelas", explicou o zagueiro que não teve como escapar do frio.

"Complicado demais o frio em Moscou. Não adianta, pode ficar dez anos lá. Vai sofrer em cada inverno, não tem jeito. Tem que ser guerreiro. Teve um jogo contra o Zenit, sem torcida, que estava punida. Eram -18º. Lembro que esse foi o primeiro jogo do Hulk e a gente sofria e se divertia ao mesmo tempo. 'Como é que pode isso? Não aguento nem falar'. Isso ficou muito marcado. Jogava doido para acabar e voltar para o vestiário. Tremendo, com boca roxa", acrescentou.

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Atualmente no Al Jazira, João Carlos vive situação bastante confortável. Sabendo da tradição dos presentes generosos nos Emirados Árabes, João Carlos brinca: "Ainda não ganhei nada, mas estamos esperando isso com o título,

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