Cirurgia em Marquinhos Gabriel gera novas críticas a médicos corintianos

Dassler Marques*

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Marquinhos Gabriel realizou cirurgia de hérnia inguinal na noite de segunda-feira

    Marquinhos Gabriel realizou cirurgia de hérnia inguinal na noite de segunda-feira

Alvo de críticas no último ano por episódios que envolveram o zagueiro Yago e o volante Elias, o departamento médico do Corinthians voltou a ser internamente contestado por conta do mais recente caso do meia Marquinhos Gabriel, operado na noite de segunda-feira de hérnia inguinal.  O doutor Ivan Grava, responsável pelo caso, nega ter havido erro. 

Depois de identificarem uma lesão muscular na coxa direita e realizarem tratamento com o jogador por um mês, os médicos do clube diagnosticaram a necessidade de uma cirurgia de hérnia inguinal na manhã de segunda-feira. Domingo, diante da Ponte Preta, Marquinhos Gabriel havia ficado no banco de reservas, mas não entrou no jogo. Horas depois, já tinha cirurgia marcada. 

De acordo com três especialistas da área médica ouvidos pela reportagem, o problema de hérnia já poderia ter sido identificado anteriormente por meio de exame clínico ou via ultrassom. O próprio CT Joaquim Grava possui aparelhagem para a realização dessa ultrassonografia. 

Nos três clubes ligados a esses profissionais, é procedimento comum a verificação de possível necessidade de cirurgia de hérnia inguinal quando há dúvidas no diagnóstico de lesão muscular. De acordo com o apurado pela reportagem, Marquinhos Gabriel tinha, na verdade, duas hérnias na região inguinal (virilha). 

"Nós padronizamos isso porque há uma grande incidência de problemas de hérnia", diz o médico de uma grande equipe brasileira. "Se você faz um ultrassom muscular, e a lesão está na região da virilha ou há alguma dúvida, você já investiga a parte inguinal. Às vezes, tem a hérnia e o problema muscular juntos, então você já opera. Essa hérnia dificilmente apareceu no meio do caminho, nesse um mês em que o Marquinhos Gabriel não jogou. É um processo gradativo", acrescentou. 

"Não é possível que essas hérnias tenham aparecido de um dia para o outro e sem jogar", explica outro profissional da área médica. "O que pode ter havido é que, sem o esforço do treino e das partidas durante um mês sem jogar, a dor diminuiu. Mas, quando voltou, ele continuou sentindo as dores", indica. 

A afirmação acima tem relação com entrevista recente do treinador Fábio Carille. No último dia 4 de março, após Corinthians 1 x 0 Santos, ele disse que Marquinhos Gabriel havia acusado novas dores na perna direita em atividade no dia anterior ao jogo, em que era previsto seu retorno. Dessa maneira, a comissão e o jogador concordaram que ele deveria ficar de fora do clássico. 

As idas e vindas no diagnóstico de Marquinhos Gabriel, que inicialmente tinha previsão de retorno rápido e pode ficar até 3 meses fora da equipe, irritaram seu estafe, que esperava pela volta por cima do jogador no início de 2017 após um primeiro ano irregular no Corinthians. O próprio treinador Fábio Carille havia manifestado recentemente o desejo de recolocar Marquinhos na equipe. O clube ainda não decidiu se remove o meia da lista de inscritos do Paulista.

Médico do Corinthians diz que são problemas diferentes

Ricardo Taves/Agência Corinthians
Ivan Grava divide o departamento com Júlio Stancati

Em contato com a reportagem, o médico corintiano Ivan Grava disse que Marquinhos Gabriel havia acusado apenas dores na coxa até o último fim de semana. 

"A lesão muscular na coxa não tem nada a ver com a dor inguinal. No domingo, depois do aquecimento, ele relatou uma dor (inguinal) e fomos investigar. São patologias diferentes", comparou. 

Ivan ainda admitiu que o problema da hérnia inguinal já era anterior, apesar de ter sido diagnosticado apenas no fim de semana. 

"Por meio de um exame clínico, você suspeita da hérnia. Então pode fazer um ultrassom para identificar. Provavelmente ele já teria a hérnia, mas a dor só começou agora. Você só vai suspeitar porque dói", comentou. 

O prazo para o retorno de Marquinhos Gabriel não foi fornecido pelo Corinthians no comunicado inicial. À reportagem, Ivan Grava disse que pode variar entre três semanas e dois meses. 

Colaborou: Bruno Braz, do UOL no Rio de Janeiro

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