Contrato de Bruno prevê rescisão automática se ele voltar à prisão

Gustavo Franceschini

Do UOL, em Varginha (MG)

  • Nelson Antoine/AGIF

    Bruno chega ao CT do Boa, em Varginha, após apresentação oficial no centro da cidade

    Bruno chega ao CT do Boa, em Varginha, após apresentação oficial no centro da cidade

Bruno assinou contrato de dois anos com o Boa Esporte, mas depende da Justiça para cumprir o compromisso. Caso o TJ-MG julgue o recurso de sua defesa e reafirme sua culpa no assassinato de Eliza Samudio, o goleiro terá de voltar à prisão. Por conta dessa possibilidade, o acordo com o clube prevê rescisão automática e sem multa caso o ex-flamenguista volte à cadeia.

"[Se isso acontecer] o contrato rescinde sem multa para os dois lados. Só que eu não estou esperando que o Bruno volte à cadeia. Pelo contrário, eu quero um julgamento decente para ele. Ele está trabalhando, casou. Está na hora de dar uma paz para esse rapaz", disse Lúcio Adolfo, advogado do jogador.

A cláusula também foi confirmada ao UOL Esporte por Rone Moraes, presidente do Boa, e Lúcio Mauro, empresário do goleiro, que, no entanto, não quiseram comentar os termos.  Bruno pôde assinar com o Boa porque foi posto em liberdade pelo STF há pouco mais de duas semanas.

Condenado a mais de 22 anos de cadeia em 2013, em júri popular, por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e cárcere privado no caso Eliza Samudio, Bruno recorreu à sentença do júri e não teve seu pedido apreciado pelo TJ-MG desde então. O ministro Mauro Aurélio Mello, do STF, julgou que o goleiro estava em prisão preventiva sem "justa causa" e decidiu pela soltura.

Em entrevista ao UOL Esporte nesta quarta, Doorgal Andrada, desembargador do caso, discorda da decisão do Supremo e promete julgar Bruno no TJ-MG ainda este ano, ressaltando que não tem o poder de absolvê-lo. Caso tenha sua culpa confirmada, Bruno terá de voltar à cadeia antes de cumprir o contrato com o Boa integralmente.

"O Boa não é um Tribunal. Tem a Justiça que julga isso. Isso tudo foi acertado com o advogado dele e a gente está aqui pra dar seguimento. O que tiver de acontecer com o Bruno... O que ele tiver de pagar, tem de pagar", disse Rone Moraes, presidente do Boa.

Se impressionar, Bruno tem multa contratual

Embora haja a possibilidade de que Bruno volte à prisão, seu estafe fala animado sobre o futuro do atleta. Na mesma entrevista em que revelou a cláusula que determina a rescisão caso o goleiro volte a ser preso, o advogado Lucio Adolfo explicou a parte do compromisso que favorece seu cliente.

"Eu fiquei impressionado com os dirigentes do Boa. Eles têm uma visão humanista. Quem sabe eles não vendam o passe do Bruno?", disse Adolfo. "Não posso entrar no mérito dos valores ou percentuais, mas o Bruno é dono de seus direitos e cedeu parte disso ao Boa, que pode negociá-lo", completou o advogado, acrescentando que há uma multa no contrato caso o goleiro seja sondado por outra equipe.
 

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