Barcelona já vive transição de Messidependência para Neymardependência?

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

  • Xinhua/Hollandse-Hoogte/ZUMAPRESS

O duelo contra o Paris Saint-Germain marcou uma reviravolta para Neymar. Com a improvável virada sobre os franceses e a classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões, o brasileiro deixou, de vez, a imagem de uma temporada ruim para trás.

Com apenas 14 gols marcados na temporada pelo clube catalão, não é exatamente o Neymar goleador que recebe os elogios. Os aplausos vão para o jogador decisivo como aquele que, em sete minutos, participou de três gols e manteve o sonho de título continental vivo no Camp Nou.

Para esse Neymar, o número de assistências é um indicativo. Ele soma oito na Champions, oito no Campeonato Espanhol e duas na Copa do Rei – além de mais três gols que saíram em jogadas suas, como o pênalti sofrido contra o PSG que Messi cobrou.

O brasileiro anda sendo tão importante para os espanhóis que muita gente já fala que, neste momento, Neymar traz mais benefícios ao time do que Messi. Cada um estava ausente em uma derrota do Barcelona na temporada, mas são os últimos tropeços do clube que parecem indicar o bom momento do garoto revelado pelo Santos.

Logo depois da vitória contra o PSG, o Barcelona perdeu para o La Coruña por 2 a 1. Messi jogou. Neymar, não. O mesmo aconteceu no último empate do time, contra o Atlético de Madri, pela Copa do Rei. O turco Arda Turan jogou pela ponta esquerda e o placar ficou no 1 a 1. Messi jogou os 90 minutos.

O que faz do brasileiro tão importante? A resposta pode estar em outras duas estatísticas. A primeira são os dribles. No Campeonato Espanhol, ninguém dribla tanto quanto o brasileiro. A média é de 5,4 por jogo. Messi é o segundo, com distantes três dribles por jogo. O segundo número em questão são as faltas: Neymar é também o jogador mais caçado da competição, derrubado em média 4,5 vezes por jogo – Ceballos, do Betis, é o segundo, com 3,3.

Mas porque dribles e faltas recebidas importam? Porque quando o jogo está difícil e a marcação forte, é em Neymar que o Barcelona procurar focar suas jogadas. Antes, essa função era de Messi. Quem viu o jogo contra o PSG, porém, percebeu que era o brasileiro quem chamava o jogo nos momentos decisivos. Aproveitando a forte marcação sobre o argentino, mas, principalmente, a confiança que mostrava em campo.

Não à toa, os elogios da imprensa espanhola vão justamente nessa linha: "Em 2017, o brasileiro tem demonstrado no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões (principalmente contra o PSG) que é o jogador com maior poder de desequilibrar o jogo a partir dos duelos um contra um em todo o planeta. A classe magistral, o talento e a liderança que mostrou contra o PSG o catapultaram, novamente, para o topo do mundo futebolístico. Se o Barça seguir longe na Champions League, ele vai subir ainda mais", escreveu o colunista Xavier Bosch no Mundo Deportivo.

Então, para responder à pergunta do título: não, o Barça ainda não depende mais de Neymar do que de Messi. O brasileiro, por exemplo, só marcou dois gols da vitória na atual temporada. Messi tem quatro. O argentino, porém, claramente não esteve bem nos últimos dois jogos da Liga dos Campeões, enquanto Neymar voava. Isso indica que, até o final da temporada, o papel de cada um deles pode ser igualmente importante.

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