Mãe de Eliza critica Boa e diz: "Não vou desistir. Bruno voltará à cadeia"

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

  • Alberto Wu/FuturaPress

Há três semanas Sonia Moura, mãe de Eliza Samúdio, foi surpreendida com a soltura do goleiro Bruno após quase sete anos de prisão. O posicionamento de Sonia é de incredulidade, inversão de valores e indignação pelo Boa Esporte ter dado a oportunidade de Bruno retornar ao futebol. Em meio a isso, desde então ela compareceu a várias reuniões com sua advogada para fazer de tudo que a decisão seja revogada e o goleiro volte à prisão. Ela também pede que jogadores de futebol se manifestem contra o retorno de Bruno ao esporte.

"Eu estou batendo em cima e eu não vou desistir. Ele vai voltar para a cadeia. Eu já fiz varias reuniões com a minha advogada. Mesmo com meu primeiro pedido negado (para que ele volte para a prisão), eu continuo na luta. Eu estou muito mais fortalecida hoje, porque foi muita informação", comentou em entrevista ao UOL Esporte.

O STF (Superior Tribunal Federal) concedeu habeas corpus para que ele aguarde o andamento de seu processo em liberdade após apelar em primeira instância de sua condenação a 22 anos de prisão.

Além de justiça, Sonia quer Bruno fora do futebol e pede apoio. "É vergonhoso para o futebol. Eu acho que os jogadores de boa índole deveriam se manifestar contra. Como é que fica? Como é que fica essa situação e as pessoas vendo isso fora do país?", questiona.

A avó de Bruninho, filho de Eliza e Bruno, não vê arrependimento em falar de Bruno à imprensa, criticou o modo com que a mídia o trata e questiona o falado "direito de recomeçar" como justificativa do Boa Esporte para dar ao goleiro uma chance de voltar ao esporte. 

"Ele tem direito de recomeçar e eu não tenho direito de saber da minha filha, de onde está o corpo dela. A minha filha não teve direito de ser mãe e ser companheira do filho. Dela fazer a criação do filho dela. E o direito do meu neto? Ele tirou tudo dele", ressaltou. "Até agora a justiça foi a favor dele, não agiu a favor do meu neto, a justiça tem favorecido ele em tudo. Eu acredito que seja porque ele é famoso, a mídia está dando inclusive mais poder a ele porque ele acha que está acima do bem e do mal. Ele pagou pelo que? Que forma ele está pagando? Ele não cumpriu a pena dele", afirmou.

Fotos de Bruno com crianças na recepção feita pelo Boa Esporte ao goleiro no começo da semana também incomodam muito Sonia. "Eu não faria isso com o meu neto. Eu não deixaria ir lá. Ele tem uma alma pesada. Ele tem uma alma pesada. Esse clube quer aparecer? Tinha necessidade de aparecer de forma negativa? Tinha outra forma de conseguir aparecer".

"As crianças têm seus ídolos. Um cara que não pagou a pena, que sai de cara lavada como se nada tivesse acontecido. Os dois (Bruno e Eliza) entraram para a história. Pode se passar quantos anos for, eles sempre falarão dos dois, mas a minha filha é lembrada como a vítima e ele, como assassino", disse.
Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo na última quinta-feira (16), Bruno afirmou que tem vontade de ver o filho, que o menino "é um pedacinho dele". Sonia se revolta com a possibilidade de um encontro dos dois.

"Agora é um pedacinho dele, lá atrás ele não pensou desse jeito. Ele quer dar de bom moço? Ele tentou contra a vida do Bruninho quando estava na barriga da mãe. Isso eu tenho registrado. Um dia o Bruninho vai ver. Agora está aparecendo de bom moço. Um psicopata que mandou matar os dois. Mandou matar os dois. Que direitos são esses? Quando ele mandou matar os dois, ele deveria perder todos os direitos. Minha filha e meu neto não tiveram direitos até agora. Não tive direito de enterrar minha filha. Tiraram o direito do convívio da mãe e agora tentam roubar a infância. O Bruno só tira e não acrescenta".

Entrevistas dadas por Bruno não mostram arrependimento

"Eu fiquei indignada quando ele apareceu em público pela primeira vez. Ele não tem respeito pela vida, ele é sarcástico. Ele esquartejou, ele sumiu com o corpo e volta como se estivesse tirando férias. Não existe arrependimento. Ele só pensa nele, é egoísta. Ele vive em primeira pessoa: eu , eu, eu. Em algum momento se ele estivesse pensado que poderia comprometer a vida de outras pessoas, ele não teria envolvido primo, prima, amigos, conhecidos, conhecidos. Ele diz que já pagou pelos erros, mas não admite o erro. Perguntem para ele que erro?".

Pedido de pensão e DNA

Sonia ressalta durante a conversa que nunca entrou com pedido de pensão para o neto por medo de reação das pessoas de que podem achar que ela está atrás do dinheiro de Bruninho, mas diz ter medo de que a criança fique sozinho e sem nada um dia.

"Existe em execução um pedido, acho que da Eliza que está correndo na Justiça. Ao contrário do que a sociedade pensa, acham que eu estou de olho no dinheiro no Bruninho. Falam que eu não luto pela minha filha, mas para a pensão. Eu não recebo nenhum tipo de pensão. A imprensa não divulga isso. Eu sei que ele tem direito, mas eu vou fazer 52 anos, eu não sei quanto tempo de vida eu tenho. Se é direito dele, na realidade se a Justiça determinar, que abram uma conta para que quando ele esteja na faculdade, possa ter estudos. Eu tenho criado meu neto sozinha eu e meu esposo (Hernane)", disse.

A avó também comentou sobre um possível pedido de DNA por parte dos advogados de Bruno. "O último foi dia 19 de março de 2014. Através dos advogados ele entrou com o pedido de DNA, alegando que não é filho dele, porque não tem semelhança, porque a Eliza teve outros parceiros, mas ele em juízo assume que o filho é dele. Eu gostaria que ele me respondesse? Se Bruninho não era seu filho, porque tentou contra a vida dos dois. Se tem dúvida, porque por causa de uma mísera pensão, tentou exterminar os dois. lá atrás ele fez tudo isso. Fizeram um descarte do meu neto em uma favela", relembrou Sonia.

Bruno deixou a Apac (Associação de Proteção e Assistência a Condenados), na cidade mineira de Santa Luzia, em 24 de fevereiro, após o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder habeas corpus ao goleiro, alegando que "nada justifica" que Bruno permaneça seis anos e sete meses preso sem condenação final.
 
Em 2013, em primeira instância, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de reclusão por sequestro, cárcere privado e homicídio qualificado de Eliza Samúdio, sua ex-amante e mãe de seu filho.

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