Farpas, mal-estar e sintonia na bola. O que é real na relação Piqué-Ramos

Do UOL, em São Paulo

  • David Ramos/Getty Images

    Sergio Ramos e Gerard Piqué: cutucadas à distância e sucesso unidos pela seleção

    Sergio Ramos e Gerard Piqué: cutucadas à distância e sucesso unidos pela seleção

Eles estão já há muitos anos entre os melhores zagueiros do mundo e simbolizam toda a animosidade da maior rivalidade do futebol atual, no antagonismo Barcelona x Real Madrid. Gerard Piqué e Sergio Ramos são nomes importantes da fase vencedora da seleção, jogando lado a lado, mas nunca chegaram a ser amigos íntimos – muito pelo contrário. Hoje os defensores experimentam um novo momento de tensão pessoal, mas revivem o acordo de cavalheiros para defender a Espanha nesta semana. 

Piqué e Ramos estão desde a segunda-feira na concentração da seleção espanhola, que enfrenta Israel na sexta, em compromisso importante das eliminatórias para a Copa de 2018. Reunidos mais uma vez, os companheiros de zaga precisam lidar com o desconforto na relação, alimentado pelas polêmicas recentes nas disputas por troféus entre Barça e Real.  

"Não vou negar que nós gostamos do deboche. Estamos acostumados a atirar umas pedrinhas, mas levamos essa situação sem qualquer maldade, tudo dentro de um espírito esportivo", declarou Sergio Ramos na última segunda-feira, na chegada à concentração da Espanha, na cidade de Las Rozas. "É parte da rivalidade que há entre Barcelona e Real Madrid. Não vai mudar, mas também não impede que nos abracemos na apresentação", acrescentou.

Convocados pelo técnico Julen Lopetegui, Piqué e Ramos devem formar a dupla de zaga contra Israel e também no amistoso diante da França, na próxima semana. Assim, revivem a parceria que funciona desde o título na Copa de 2010. Naquele torneio, ainda com Carles Puyol na linha de defesa, a Espanha não sofreu nenhum gol nas quatro partidas da fase eliminatória. O dueto voltou a dar resultados no bicampeonato europeu, em 2012, mas depois disso enfrentou momentos de turbulência.

Rivalidade precisou de "acordo de cavalheiros" em 2013
EFE/J.M.GARCIA

Se dentro de campo Piqué e Ramos formam uma das melhores duplas de zaga do planeta, fora a relação já enfrentou animosidade. Em 2013, o clima de rivalidade na seleção entre a ala do Barcelona e o grupo do Real Madrid chegou num clímax indesejável. Os dois defensores em questão estavam entre os jogadores mais exaltados da rixa. Desta forma, o então técnico Vicente del Bosque precisou mediar uma reunião de paz.

Na época, as figuras apaziguadoras de Xavi e Iker Casillas encaminharam o entendimento. Hoje, os dois ídolos não figuram mais na seleção. Assim, antigos choques de personalidade precisam ser revisitados. Piqué e Ramos estão com 30 anos e, agora entre os mais experientes do grupo, devem liderar o clima de paz. Mas nem sempre foi assim.

"Houve algum atrito. Eu e Piqué tivemos nossas diferenças, mas elas foram completamente esquecidas. Conversamos a respeito. Disse a ele que precisávamos parar de nos comportar como garotos. Somos dois grandes jogadores que necessitamos um ao outro quando estamos juntos", declarou Ramos em uma entrevista coletiva na seleção, em 2013.

Posição de Piqué por independência catalã esquenta clima

A identificação de Piqué com a causa da independência da Catalunha é um ponto de desconforto com outros jogadores da seleção. Nascido em Barcelona, dentro da comunidade autônoma catalã, o zagueiro chegou a participar de manifestações separatistas. Em 2016, o defensor anunciou que deixará a seleção em 2018, após a Copa, muito graças às controvérsias sobre sua posição política.

No final de 2016, Piqué apareceu em jogo contra a Albânia nas eliminatórias com as mangas da camiseta cortadas, justamente onde haviam referências à bandeira da Espanha. O zagueiro alegou que adaptou o uniforme para se sentir mais confortável, mas foi alvejado por uma série de críticas de imprensa e da torcida, através das redes sociais.

Alguns anos antes, os dois zagueiros titulares dividiram a mesma mesa numa coletiva de imprensa antes de um compromisso da seleção. Solicitado a responder uma pergunta em catalão, Piqué foi interrompido por Ramos, espanhol de Sevilha (na Andaluzia), visivelmente incomodado: "em andaluz, responda em andaluz".

Reprodução/Mundo Deportivo

Finalmente, em 2015, Piqué foi vaiado por parte da torcida em Oviedo, em um jogo das eliminatórias da Eurocopa. As provocações vieram supostamente de fãs do Real Madrid, já que naquele período o jogador do Barcelona havia feito críticas ao ídolo Cristiano Ronaldo. O episódio teria gerado mais uma tensão na relação do defensor com Sergio Ramos. Na oportunidade, o jornal Mundo Deportivo publicou uma reportagem de capa em que relatava uma discussão de bastidores entre os companheiros.

"Mimimi" do apito entre Barça e Real

Neste ano, as personalidades de Piqué e Ramos vieram ao primeiro plano mais uma vez na rivalidade entre Barcleona e Real Madrid. Recentemente, o clima entre os clubes esquentou em razão de atuações polêmicas de arbitragem, que supostamente favoreceram as duas equipes.

Em fevereiro, após vitória do Real sobre o Villarreal pelo Campeonato Espanhol, Piqué foi às redes sociais para sugerir favorecimento aos rivais. "Contra as mesmas equipes, oito pontos", escreveu o zagueiro do Barcelona em sua conta no Twitter, junto a uma colagem de fotos com supostos erros de arbitragem a favor do Madrid.

Quase que imediatamente a declaração foi levada a Sergio Ramos, que rebateu sem medo de aumentar a polêmica: "Me surpreenderia se isso partisse de Messi. Mas já conhecemos Piqué, não vamos cair nessa. Vamos tratar dos nossos assuntos, que é vencer partidas e ganhar a liga".

Reuters / Albert Gea

Mas Sergio Ramos também deixou sua cutucada no quesito arbitragem em outro episódio. Depois da celebrada virada do Barcelona sobre o PSG pela Liga dos Campeões, em vitória por 6 a 1, com dois pênaltis a favor, o zagueiro do Real Madrid comentou com ironia: "escreveram muito bem sobre a virada do Barça nos jornais: foi histórica em todos os sentidos".

O marido de Shakira e o homem dos cavalos

Há quem aponte para o estilo de vida como outra área que distancia os dois zagueiros da seleção espanhola. Enquanto Piqué é chegado em badalações, principalmente pelo casamento com a estrela da música Shakira, Sergio Ramos é considerado um homem do interior. Apesar de sua vasta coleção de tatuagens, o defensor do Real Madrid costuma gastar seu tempo livre ao lado de seus cavalos, bucolicamente, num rancho em que é proprietário na região de Sevilha.

Com seus zagueiros titulares entrosados ou não, a Espanha caminha a passos largos para disputar mais uma Copa do Mundo. A seleção dirigida por Julen Lopetegui lidera o Grupo G das eliminatórias europeias, com três vitórias e um empate (e só um gol sofrido). Para seguir neste ritmo, a Fúria conta com a ótima fase de Ramos – o defensor do Real Madrid anotou dez gols nesta temporada, sete somente na Liga Espanhola.

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