Chegada de Mano e acordo por Sóbis: o processo de montagem do Cruzeiro 2017

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

  • Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

    Sucesso do Cruzeiro de 2017 passa pelo planejamento que começou há quase um ano

    Sucesso do Cruzeiro de 2017 passa pelo planejamento que começou há quase um ano

Dos 20 clubes que disputarão o Brasileirão deste ano, o Cruzeiro é o único que ainda está invicto na temporada. Até o momento, já foram realizados 15 jogos, dos quais o time mineiro venceu 12 e empatou os outros três. Apesar de ainda não ter passado por grandes testes (com exceção do clássico contra o Atlético-MG), a equipe já chama atenção neste início de ano. E parte desse bom momento começou lá atrás, há pelo menos nove meses, com o planejamento em longo prazo da diretoria.

As chegadas de Bruno Vicintin e Mano Menezes se confundem no Cruzeiro. Ainda em 2015, o então superintendente das categorias de base foi promovido ao cargo de vice-presidente de futebol. Seu primeiro ato ao lado de Gilvan foi demitir o técnico Wanderlei Luxemburgo e o diretor de futebol Isaías Tinoco. No dia seguinte, Mano iniciava sua primeira passagem no clube. Após um semestre na China, o treinador voltaria à Toca da Raposa em julho do ano passado. Apesar da necessidade de afastar o time do rebaixamento, a confiança no professor já permitia que eles começassem ali o planejamento para a temporada 2017.

"A gente começou a montar o time na janela de 2016 do meio do ano, quando vieram jogadores importantes, como Sóbis, Ábila, Rafinha e Robinho, principalmente. O Mano também ajudou muito na formação do elenco em 2017. Eu perturbei muito ele nas férias, brinquei com ele, a gente conversava diariamente para falar sobre o andamento das coisas, porque a janela é muito dinâmica e a gente precisa estar em contato muito próximo", comentou Vicintin, em entrevista ao UOL Esporte.

Terminado o ano, Mano realmente não teve folga. Contratações como as de Caicedo, Diogo Barbosa e Hudson não só passaram pelo seu crivo, mas tiveram a indicação do treinador. Fora das quatro linhas, a diretoria ainda se reestruturou, trazendo o ex-volante Tinga para fazer a ponte entre o departamento de futebol com os jogadores e antigos companheiros. Pouco depois, Klauss Câmara passou da base para a diretoria do futebol profissional, chegando com créditos após conseguir repatriar Thiago Neves e Lucas Silva.

Além de reformular o departamento de futebol e contratar reforços pontuais, o Cruzeiro também se organizou para enxugar os gastos. A economia que já estava sendo feita deste o início do ano passado continuou. O clube conseguiu negociar por empréstimo ou em definitivo a saída de mais de 20 atletas que não faziam parte dos planos. Tudo isso para deixar a equipe ainda mais encorpada e novamente no caminho dos títulos, que não chegam desde 2014.

"Agora eu espero ser campeão. Ser campeão está no DNA do Cruzeiro. Qualquer gestão é coroada por títulos. Fiz parte da diretoria em 2013 e 2014, mas eu acho que conquistar títulos sendo vice de futebol seria ainda mais gostoso. É isso que eu desejo e o que a torcida espera. Que a gente tenha um ano de paz e que a política não atrapalhe o clube. Hoje temos profissionais, tanto na comissão técnica, como no elenco, como na diretoria, capazes de dar grandes conquistas", definiu.

Neste primeiro semestre, o principal desafio celeste será vencer o estadual, o que não acontece há três anos. No momento, o clube é o segundo colocado na tabela, atrás do rival Atlético, mas está praticamente garantido na semifinal do torneio.

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