Em crise, futebol uruguaio tem "Bom Senso" que briga com federação e TV

Danilo Lavieri

Do UOL, em Montevidéu (Uruguai)

  • Reprodução/Facebook

    Protestos por transparência no futebol uruguaio foram às ruas

    Protestos por transparência no futebol uruguaio foram às ruas

Ideia nascida e praticamente esquecida no Brasil, o Bom Senso FC tem sua versão uruguaia. Há cerca de seis meses, Suárez usou suas redes sociais para divulgar uma carta de protesto que rapidamente foi repassada por vários outros jogadores e torcedores uruguaios. O intuito é ter melhores condições de trabalho no futebol uruguaio.

Com o nome de "Más unidos Que Nunca", o movimento pede mais transparência na distribuição de renda do futebol uruguaio, critica o uso indevido da imagem dos atletas pela AUF (Associação Uruguaia de Futebol) e pela Tenfield, empresa que tem contrato de exploração de imagem da seleção desde 1998.

No jogo contra o Brasil, alguns jogadores usaram bonés com o nome do movimento. Durante a semana, atletas importantes foram questionados sobre o movimento, como foi o caso de Cavani. 

"A gente sabe o que cada um representa para o futebol do país e prefiro não falar tanto disso agora para não perder o foco das Eliminatórias. Mas a gente vai buscar a Justiça para beneficiar os jogadores do Uruguai", explicou Cavani.

Vários jogadores, inclusive, adotaram um silêncio recentemente com os meios de comunicação produzidos pela Tenfield. O episódio mais recente foi com Oscar Tabárez. O técnico não quis conversar com a empresa após o 4 a 1 diante do Brasil porque vetaram o tema da briga entre os jogadores e federação.

"Estou de acordo com as reivindicações porque isso é realidade em outros países. Eu não opino tanto sobre essas coisas porque são coisas que historicamente acontecem, mas vivemos uma situação difícil. É de segurança, de ter vestiário nos estádios de jogo, de condições financeiras... Se as pessoas acham que está tudo bem... E foi por isso que eu não dei entrevista para ela (Tenfield) após o jogo. Porque me vetaram de falar sobre o tema com eles".

A crise causa reflexo direto no desempenho dos times uruguaios. Na Libertadores, por exemplo, o Peñarol perdeu de 6 a 2 na estreia para o Jorge Wilstermann, da Bolívia. O Nacional perdeu do modesto Zulia, da Venezuela. Enquanto Cerro e Montevideu Wanderes caíram na pré-Libertadores.

O último bom desempenho de um uruguaio foi registrado em 2011, quando o Peñarol foi vice-campeão da Libertadores perdendo a final para o Santos. No total, os uruguaios têm oito títulos da competição mais importante do continente.

Por enquanto, a crise não atinge os resultados da seleção. O time está na vice-liderança e deve confirmar a vaga na Copa de 2018, na Rússia. O problema, no entanto, é outro: revelar jogadores. Sem conseguir novos nomes, a equipe ainda convoca atletas veteranos e pouco revela. No seu campeonato nacional, os jornalistas locais criticam o retorno de atletas em fim de carreira e a falta de investimento na base.

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