Tite explica gol do Corinthians celebrado e revela desculpas a Dorival Jr

Danilo Lavieri e Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Matheus Guerra/Mowa Press

    Tite concedeu entrevista coletiva antes de Brasil x Paraguai, nesta segunda

    Tite concedeu entrevista coletiva antes de Brasil x Paraguai, nesta segunda

Depois de treinar na Arena Corinthians com a seleção brasileira nesta segunda-feira, Tite falou sobre um episódio polêmico em visita recente ao estádio. Ele celebrou gol corintiano em clássico com o Santos (ver vídeo abaixo), o que gerou muitas críticas e uma reação dele: telefonar a Dorival Júnior e o presidente santista Modesto Roma Júnior para se desculpar. Na terça, Brasil e Paraguai se enfrentam em São Paulo. 

"Respeito todas as opiniões, todas, e não reputo. Apenas sou ser humano com gratidão no Corinthians e às pessoas que estava. Se fosse o Santos, faria exatamente a mesma coisa. E eu também liguei ao presidente do Santos me desculpando e que ele não interpretasse mal, mas como um ato humano de quem sente, de quem vibra, de reconhecimento a pessoas e clubes. Assim como liguei para o Dorival para que me entendesse e me perdoasse. Se tivesse do outro lado, também teria feito", relatou Tite. 

O alto número de jogadores com quem trabalhou e chama à seleção também foi alvo de pergunta ao treinador. Ele justificou: "temos um acompanhamento de 56 jogadores listados e a seleção está aberta. Está lá para quem for ver. Transparência. A gente coloca, acompanha, tá aí o Mariano, que nós acompanhamos (convocado na vaga de Dani Alves, suspenso), mas momento do Fagner é bom, o técnico entendeu, pode criticar. Se alguém quer colocar o outro lado, fazer o quê?", abordou. 

Depois, espontaneamente, Tite retornou ao assunto. "Às vezes você fica chateado, somos humanos. Quando alguém fala, pode me criticar um monte, mas fala que convocou porque é queridinho, não sabe como me dói. Sabe por que? Não é legal, é dar privilégio. Se tem uma coisa que procuro humanamente não fazer é dar privilégio, tenho muita responsabilidade", comentou. 

Outro tema importante abordado pelo treinador foi sobre atividades fechadas nos últimos dois. Ele negou, mas a razão foi detalhes de seu treinamento de bolas paradas divulgados pela Espn

"Foi um detalhe, estou me adaptando, me reinventando na função de técnico de seleção e é pouco tempo. Quando técnico de clube, em momentos oportunos, eu também fechava. Às vezes entendia que era o momento de fechar, de ter mais privacidade, para que possa gritar mais forte, para ser mais duro, para chamar uma concentração maior. Abrimos no treino no São Paulo e tinha um grande número de pessoas. Fico feliz em dividir essa alegria, mas tem hora que vou dentro, isso me permite uma concentração a mais e não tem nada em relação a vocês (jornalistas)", afirmou. 

"O Uruguai sabia todas as jogadas que a gente tinha de bola parada. Quero encontrar tempo para privacidade e para atender vocês (jornalistas) da mesma forma", complementou. 

Confira mais declarações de Tite:

Importância dos treinadores
O que Neymar estava falando, vocês estavam tecendo elogios ao grande jogador que é, tenho que agradecer ao Muricy, ao Dorival, à base do Santos, à formação dos profissionais que te permitem o crescimento e a evolução que todo mundo têm. Os atletas que iniciaram comigo comeram uma massa que você não imagina. 

Luta contra o oba-oba
Trato com naturalidade. Não posso deixar os atletas felizes pelo desempenho deles e não vou fazer isso. Não vou ter essa alegria e satisfação, tal qual terminei a coletiva no Uruguai e dei uma resposta que o fato de ter tido uma grande atuação nos jogos anteriores não ia facilitar em nada no enfrentamento com o Paraguai. Não vencemos o Paraguai há quatro jogos, que venceu a Argentina fora de casa, que está buscando também uma luta de classificação. Temos muita consciência e temos muito disso. Tratar um fato bom com naturalidade, é isso.

Momentos diferentes das partidas
Aconteceu contra o Uruguai, tem hora que o jogo é jogado e hora que é disputado. A equipe tem que saber jogar assim. Se dá, triangula, sai jogando, tem que ter sensibilidade de jogar dessas formas. Tem que jogar com bola no espaço às vezes, e não triangulação. Mas dois terços do jogo têm que ser teus sob domínio. São ideias que a gente busca.

Exemplo de Neymar
Uma palavra do Neymar: humildade, para ele e pela experiência dele crescendo. Humildade quer dizer terra fértil, é procurar crescer, não ser falso humilde, estar receptivo a crescer e melhorar. Isso a gente quer.

Lidar com a responsabilidade
Às vezes, quando dimensiono a responsabilidade do cargo que teve Zagallo, que teve os campeões do mundo todos, Parreira, Felipão, Feola, Aymoré, que poderiam ter dois campeões do mundo aqui em meu lugar porque se credenciaram. Abel Braga e Autuori fizeram trabalhos extraordinários e foram campeões. São as pressões do cargo, você pensa na responsabilidade, é muito pesado, então me sento de novo e 'vai trabalhar, faz a análise tática, vai dentro do campo'. Tem que administrar isso.

Armas do Paraguai
Em termos táticos, alterna pressão, alta, média e baixa. E te pressiona na frente, te induz ao erro. A pressão baixa dela (equipe paraguaia), é muito concentrada, os homens de lado têm uma transição. Com Romero ou Lescano, e uma jogada trabalhada também sob forma de triangulação. Bola parada forte também, traz componentes importantes, te fazem pensar no nível de enfrentamento.

Brasil em crescimento nos detalhes
Uma equipe se forma até em pequenos movimentos. Teve situações em jogo contra o Uruguai, que não só flutuando, mas aberto, passa a ser importante. E dá para utilizar. A jogada de profundidade, quando você tem o pivô central, pode fazer nas costas do Coutinho, mas deixa o espaço para o Neymar fazer um contra um.

Elogio de Cavani
Dos elogios recebidos, um ficou marcante: de um atleta que sentiu isso. Perguntei ao Marquinhos, "como é o Cavani?". É ponderado e centrado, ele disse. O Cavani disse que a gente jogou como equipe. Eu fiquei em uma felicidade monstra. Quando a gente joga como equipe, as individualidades vão aparecer uma hora ou outra. Ele sentiu dentro de campo, porque ele é um jogador que tem virtude como equipe. Esse comentário me deixou feliz.

Mantra profissional
Sempre vou encontrar algo melhor em outro profissional que em mim. Tento ser observador, ouvir, aprender, então guardo, não como um mantra, mas coloco comigo que preciso saber, ver e entender. São coisas fundamentais, preciso saber na minha atividade, ver e entender, a partir daí oriento. Eu julgo e oriento, tento fazer isso.

 

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