Filhos de torcedor que morreu no Morumbi são maior preocupação da família

Diego Salgado e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Acervo Pessoal

    Bruno ao lado do filho Enzo, anos atrás

    Bruno ao lado do filho Enzo, anos atrás

Abalada com a morte do filho, Joelma da Silva tenta encontrar forças para seguir em frente. Já durante o transporte do corpo de Bruno Pereira para Pindamonhangaba na tarde desta segunda-feira, a mãe do torcedor são-paulino pensava nos dois netos - uma menina de 10 meses e um garoto de quase quatro anos.

O futuro, entretanto, ainda é obscuro depois de o jovem de 23 anos morrer repentinamente no último domingo, antes do clássico entre São Paulo e Corinthians - Bruno caiu de uma altura de 25 metros ao tentar mudar de setor na arquibancada superior do Morumbi e não resistiu aos ferimentos.

"Ainda não sei como vão ser as coisas. Ele tinha dois filhos e era separado. Agora, todo mundo vai tentar ajudar como pode. Sou ajudante de cozinha e agora estou desempregada", disse Joelma, que soube da notícia por meio de um dos colegas de Bruno, que estava no estádio. "Na hora que caiu, um dos amigos entrou em choque, mas conseguiu entrar em contato com a minha irmã."

Bruno estava separado havia três meses. Hoje, os dois filhos, Enzo Gabriel e Ana Lívia, moram com a ex-mulher Bianca, de 21 anos, que também está muito abalada com a tragédia. A jovem vive com a mãe, também em Pindamonhangaba. De acordo com ela, Bruno era um pai muito presente e sempre ajudava financeiramente.

O torcedor são-paulino morava na zona rural da cidade, com os avós paternos. Sem emprego desde janeiro após servir ao Exército, Bruno fazia alguns bicos de pedreiro na cidade ao lado do avô.

"Ele nunca deixou faltar nada mesmo desempregado, fazia de tudo para nos ver bem. Não vai ser fácil criar filhos com eles perguntando sobre o pai", afirmou Bianca, que não trabalha para cuidar das crianças.

Contato do clube

Segundo Joelma, o São Paulo entrou em contato por telefone na tarde de segunda-feira, pouco antes do retorno a Pindamonhangaba. A atitude tardia deixou a família chateada com o clube tricolor.

"Fiquei muito chateada com isso. Eles entraram em contato com a família às 16h30 de hoje (segunda). Mas as coisas já tinham sido feitas. Se quisessem amparar nessa hora, teria de entrar em contato ontem (domingo). Se a gente ficasse esperando (o São Paulo), só iria liberar o corpo mais tarde", lamentou.

Acervo Pessoal
Bruno, sem camisa (à direita), morreu ao tentar mudar de setor no Morumbi

De maneira irregular, o jovem tentava mudar de setor na arquibancada do estádio, quando caiu. Procurado pela reportagem do UOL Esporte, o São Paulo afirmou que "entrou em contato com a família e fará toda a comunicação diretamente com eles, respeitando a privacidade dos familiares."

Os parentes de Bruno, porém, ainda não decidiram como vão proceder nos próximos meses. Não está descartada a possibilidade de eles processarem o clube.

Velório e enterro

O corpo de Bruno foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) às 14h desta segunda-feira, após Joelma reconhecer o filho. A viagem de retorno a Pindamonhangaba aconteceu em seguida.

O velório teve início tão logo o corpo chegou à cidade do interior paulista. O enterro de Bruno será nesta terça-feira, às 9h, no Cemitério Municipal de Pindamonhangaba.

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