7 acertos capitais da seleção para virar o jogo e garantir 1ª vaga na Copa

Danilo Lavieri e Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

Oito vitórias consecutivas, algo inédito na história da seleção brasileira nas Eliminatórias, asseguraram o que parecia impossível quando Dunga deixou o cargo na sexta posição. Ratificado com vitória sobre o Paraguai por 3 a 0, na terça-feira na Arena Corinthians, o crescimento pelas mãos de Tite foi premiado com a vaga para o Mundial da Rússia.

Os resultados não vieram por acaso, mas sim a partir de decisões importantes e o trabalho obstinado do treinador e sua comissão técnica que pensam em cada pequeno detalhe. Os acertos capitais da era Tite vão desde a definição de um time base às relações pessoais, e desde uma evolução nítida de Neymar e as apostas certeiras em nomes como Gabriel Jesus e Paulinho. Confira a lista abaixo:

Um time base rapidamente escolhido e mantido

Paulo Whitaker/Reuters

É verdade que as vitórias deram contribuição e Tite segue o lema de "time que ganha não se mexe". Mas a equipe base escolhida para o primeiro jogo, ainda no Equador, teve 10 titulares mantidos ao longo nos oito jogos. A exceção foi Coutinho na vaga de Willian, uma decisão que já havia se desenhado no segundo tempo da vitória em Quito e foi tomada pelo treinador em sua terceira partida. Os reservas ajudaram, como Filipe Luís e Fernandinho, mas os titulares já se sabe de cor. 

O goleador foi encontrado

Pedro Martins/Mowa Press

Se ainda era cru para assumir um papel na era Dunga, Gabriel Jesus deu um salto de patamar muito grande com o treinador seguinte. Tite aproveitou o viés de alta do atacante na Olimpíada e também no Palmeiras e apostou nele como seu centroavante. Jesus não poderia ter dado melhor resposta, com cinco gols nos seis primeiros jogos, o que ajudou também a chegar à Inglaterra com personalidade para fazer gols importantes logo de cara no Manchester City. 

A recuperação do melhor Neymar 

NELSON ALMEIDA/AFP

Neymar foi o principal nome da Olimpíada, mas teve uma relação conturbada com jornalistas e deu sinais de descontrole nos Jogos. Tite assumiu a missão de fazer o jogador evoluir em aspectos pessoais, em conduta dentro de campo e em se inserir em um contexto mais coletivo dentro de campo. A dependência ao atacante diminuiu e ele só recebeu um cartão amarelo em sete jogos. De quebra, topou ser capitão contra o Paraguai e lidou bem com a liderança. 

Resgate de jogadores e nova relação com os atletas

Quinn Rooney/Getty

Se Thiago Silva e Marcelo eram nomes descartados por Dunga, Tite imediatamente enviou o recado aos atletas: o passado estava zerado e ele iria trabalhar para ter sempre os melhores. O retorno dos dois atletas experientes foi uma mensagem importante ao vestiário de que a relação, tradicionalmente difícil com Dunga, mudaria com a nova comissão técnica. Essa conduta também se aplica a funcionários da CBF e jornalistas, de modo geral muito satisfeitos com o atual treinador pelas relações pessoais. 

A defesa quase não sofre mais gols e o time leva poucos cartões

Pedro Martins/ MoWa Press

Com Dunga, oito gols sofridos em seis jogos. Com Tite, dois em oito jogos das Eliminatórias. A estabilidade (só quebrada por um pênalti sofrido em lance infantil de Marcelo, no Uruguai, e por gol contra de Marquinhos, contra a Colômbia) foi vital para o Brasil construir suas oito vitórias. Tamanha a qualidade dos jogadores de frente, a mecânica de jogo e os gols naturalmente marcados, a seleção se tornou um adversário muito duro de ser batido. A organização tática também ajuda, entre outros motivos, a sofrer poucos cartões. Miranda, Marcelo, Casemiro, Paulinho e Renato Augusto estão pendurados, mas não receberam amarelos em São Paulo. As suspensões têm sido poucas. 

Comissão técnica mais robusta e que observa tudo

Erico Leonan / SPFC

Em relação a Dunga, Tite buscou a qualificação de sua equipe de trabalho. O antecessor só tinha um auxiliar, o atual treinador tem por perto Sylvinho e Cléber Xavier, sempre encorajados por ele a participar das decisões e a ter voz de escolha dentro do time. Fábio Mahseredjian, preparador que era dividido com o Corinthians, virou peça integral. Analista de desempenho, Fernando Lázaro deixou a comissão corintiana para liderar o trabalho de observação da CBF. O grupo tem viajado à Europa, China e pelo Brasil para assistir ao maior número de jogos possíveis. 

O crescimento da turma chinesa
Andre Penner/AP

O trabalho para que Paulinho, Gil e Renato Augusto se tornassem figuras importantes dentro do grupo é outro ponto em destaque. Com o fisioterapeuta Bruno Mazziotti na China, trabalhos físicos específicos são realizados no dia a dia, seja por ele próprio ou em consultoria. Agora, todos também se apresentam normalmente quatro dias antes dos demais para iniciar treinos e ganhar ritmo. Com Paulinho e Renato, em especial, os resultados têm sido evidentes. O volante brilhou intensamente nos jogos contra Argentina (gol), Uruguai (três gols) e Paraguai (duas assistências)

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