Dono da DIS se diz traído por Neymar e família: 'houve fraude arquitetada'

Pedro Lopes e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

  • AP Photo/Manu Fernandez

    DIS acusa Neymar e Barça de simularem contratos para minimizar repasse ao fundo de investimento

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Mandatário do fundo de investimento DIS, o empresário Delcir Sonda fez duras críticas à família de Neymar. O grupo detinha os direitos do atacante antes da venda para o Barcelona, em 2013. A DIS está na Justiça da Espanha reivindicando porcentagem da negociação da venda do atleta para o clube catalão. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Delcir se diz traído pela família do atleta.

"Fui traído por Neymar Jr, seu pai e sua mãe. A DIS foi traída por Neymar Jr e seus pais. Houve fraude arquitetada por Neymar, seus pais e Barcelona, com contratos simulados, pagamentos escondidos, advogados em viagens escondidas", acusou Delcir.

"Esportistas são exemplos das crianças. Vestir uma camisa de Neymar é apoiar a corrupção".

Neymar é acusado pela DIS e pelo Ministério Público espanhol de dois delitos: estafa (estelionato) e corrupção entre particulares. Cada um deles prevê pena máxima de quatro anos – tanto a DIS como o MP pedem nos autos a prisão do jogador.

Neymar, seus pais e ex-dirigentes de Santos e Barcelona serão julgados pelos crimes. Não há um prazo definido para julgamento, mas a expectativa é de que ele aconteça ainda neste ano, entre julho e agosto – isso tudo pode mudar dependendo das novas etapas do processo.

A DIS quer 5 anos de prisão para todos os envolvidos, seis anos de suspensão para os dirigentes de Barca e Santos, multa, seis anos de inabilitação para a mãe e pai de Neymar. Além disso, o grupo quer que Neymar não jogue profissionalmente durante a condenação.

"É irrecorrível a situação do Neymar. Ele é réu, se fosse um político na Espanha, seria obrigado a abandonar esse lugar em face dessa demanda", disse Roberto Moreno, diretor executivo da

DIS x Neymar

O caso é parte de uma queixa do grupo de investimento brasileiro DIS, que era dono de parte dos direitos de transferência de Neymar e diz ter recebido menos dinheiro do que deveria quando Neymar se transferiu do Santos ao Barcelona, em 2013.

A DIS alega que a família Neymar e os representantes do Barcelona omitiram o valor verdadeiro da transação do atleta para o time espanhol.

Oficialmente, a venda foi firmada em 17,1 milhões de euros. A DIS detinha 40% dos direitos do craque. O Santos possuía 55%, e Teísa possuía 5%.

O Barcelona pagou 40 milhões de euros para a empresa N&N, dos pais do jogador. No processo que tramita na Espanha, a DIS entende que essa quantia fazia parte da negociação e que, portanto, deveria ser repartida entre os então detentores dos direitos.

"Barcelona quer contratar o jogador sem competir com o resto dos clubes, sem cumprir as regras da Fifa. Contratos estão assinados por Barcelona e jogador. Decidem enganar o mercado, pagar por debaixo da mesa com a finalidade de fraudar os contratos escritos, enganar o mercado. Por isso, é acusado de dois delitos criminais", declarou Eliseo Martinez, advogado da DIS na Espanha.

Neymar pai rebate, informando que esse valor se referia a "direito de preferência", que em nada estaria atrelado ao acordo formalizado entre Barcelona e Santos. Neymar Júnior teria passe livre do Santos em 2014. O pai do craque justifica que vendeu a preferência de negociação ao Barça para quando o atacante ficasse livre e com os direitos em mãos.

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