"Laço vem com o tempo, não podemos ser hipócritas", diz capitão da Chape

Daniel Fasolin

Do UOL, em Chapecó (SC)

  • Daniel Fasolin/UOL

    Arthur Moraes foi contratado nesta temporada e virou capitão da Chapecoense

    Arthur Moraes foi contratado nesta temporada e virou capitão da Chapecoense

Após 10 anos fora do Brasil e passar por clubes na Itália, em Portugal e Turquia, o goleiro Arthur Moraes escolheu a Chapecoense para voltar ao país. O goleiro de 36 anos foi escolhido por Vagner Mancini para ser o capitão da Chapecoense neste importante ano de reconstrução do clube após acidente aéreo em Medellín, que tirou a vida de 71 pessoas.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Arthur fala sobre sua escolha ao voltar para o Brasil, do relacionamento entre os atletas no elenco recém-formado e o sentimento de jogar na Chapecoense.

UOL Esporte: Por que você escolheu a Chapecoense para voltar ao Brasil?
Foi uma escolha humana, acima da profissional, por tudo que aconteceu com o clube. Também porque estava com minha esposa grávida e com um problema com minha sogra, por isso era importante estar perto. Quando falei com o Rui e o Vagner eu sabia que viria pra cá para um grande desafio.

Como a Chapecoense era vista antes do acidente em Medellín?
Antes do que aconteceu, nós jogadores conversávamos sobre a Chapecoense. Comentávamos que era um ótimo local de trabalho e uma cidade muito boa. Também pesou na escolha a seriedade com o que é tratado o futebol na cidade.

Qual é o sentimento de voltar para o Brasil e participar da recuperação da Chapecoense?
Meu sentimento foi de dever cumprido lá na Europa, com tudo que eu sonhei e almejei na minha vida. Fui com a cara e a coragem para lá, muito novo. O sentimento é de voltar [ao país] para reforçar minha imagem aqui no Brasil.

Como o clube estava quando você chegou?
Quando cheguei, o fato que ocorreu [acidente] era muito latente na cabeça das pessoas. Onde eu ia só se falava nisso e a lembrança era muito evidente. O primeiro jogo contra o Palmeiras foi algo muito forte e eu não esperava que fosse assim. Foi forte presenciar tudo isso aqui. Mas agora está tudo se normalizando.

Em um grupo recém-formado, como é o relacionamento entre os atletas?
O laço vem com o tempo e não podemos ser hipócritas em dizer que temos uma "super família" hoje. O clube tem esse laço humano muito forte. Aqui temos uma liberdade maior, podemos trazer os filhos no treino, no vestiário. Isso nos dá uma liberdade muito grande. Sinto que aqui não existe uma distância entre o presidente e qualquer funcionário. Todos têm seu sentimento de amizade e respeito e o espaço é bem mais aberto.

Isso é realmente um diferencial
Isso é um diferencial sim. Estamos trabalhando há 70 dias e conseguimos criar bons laços. Isso ocorreu pois o clube nos proporcionou e isso é uma marca da gestão do clube.

Como é ser o capitão nessa reconstrução?
É uma responsabilidade muito grande, pois vai ficar marcado na história. Ser o primeiro capitão após a reconstrução é algo enorme e encaro com muita alegria. Procuro passar para as todas as pessoas, para os guris tanto dentro e fora de campo, aquilo que a vida me ensinou. Pude jogar em clubes grandes e pequenos na Itália, em Portugal e também aqui no Brasil, então posso passar muitas coisas do que vivi. 

Como foi sua conversa com o Nivaldo [maior ídolo do clube]?
Quando cheguei aqui eu quis conversar com o Nivaldo. Quando você encontra as pessoas que têm um bom tempo de clube, elas podem fazer você entender mais rápido como tudo funciona internamento. O Nivaldo me passou isso e venho entendendo. Nem sempre é muito fácil, mas no dia a dia, a cada jogo, me adapto ao que ele me passou. Isso ajuda na minha função de capitão. 

O que está achando da cidade?
Estou adorando a cidade. Tenho vivido coisas que há muito tempo não vivia. Como sempre morei em cidades maiores, é um tipo de vida diferente. Aqui a gente toma sorvete na praça, leva o filho na escola, vai a pé a qualquer lugar. Minha família está adorando também e espero que cada temporada seja assim.

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