Opinião: Brasil pronto para o hexa? Os problemas da seleção até a Copa

Do UOL, em Santos (SP)

O atual momento da seleção brasileira é inquestionável. Sob o comando de Tite, foram oito vitórias em oito jogos nas eliminatórias, resultados estes que já colocaram o Brasil na Copa do Mundo 2018 com bastante antecedência. Agora, resta saber por quanto tempo essa boa fase permanecerá e quais os problemas que o treinador pode encontrar pelo caminho.

Diante deste panorama, conversamos com os blogueiros do UOL Esporte para saber o que pode tirar a seleção do caminho do hexa (1) e o que ainda falta para a seleção de Tite (2). Veja o que eles responderam.

André Rocha

1 - A trajetória de Tite na seleção até agora não sugere uma preocupação tão grande com o resultado. Focado no desempenho, no jogar bem para merecer a vitória ele segue 100%. O hexa pode não vir por uma infelicidade, uma grande atuação individual ou coletiva de um adversário em jogo único. Importante é minimizar as chances de erro do lado de cá. O maior deles: ser fiel demais aos que estiveram com ele desde o início e fechar os olhos para uma queda de produção ou franca ascensão de outro jogador.

2 - É uma equação complicada. Em pouco mais de um ano, Tite tem que manter o entrosamento da base titular, mas estar atento a quem estiver bem em seus clubes e dar oportunidades. Tudo isso em poucos jogos e amistosos, sem uma competição para ter como parâmetro. Como ter a medida exata de que está na hora de fazer uma troca no time? No clube o dia-a-dia dá respostas mais seguras.

Olhando o grupo, Diego Alves merece uma chance consistente de mostrar seu valor na meta. E que Douglas Costa esteja bem mais vezes em datas FIFA para ser mais experimentado. Igualmente importante é tentar marcar amistosos que possam colocar a equipe diante de diferentes cenários - retrancas ferozes, adversários mais ousados, etc.

O mais importante, porém, é seguir focando no desempenho e desprezar qualquer tipo de oba oba, "o campeão voltou", "o hexa é logo ali" e outras bobagens.

Juca Kfouri

1 - O maior risco é o de se achar que está tudo pronto e que bastará manter o que está em curso para chegar ao sucesso na Rússia. Felizmente parece que o Tite está vacinado contra isso.

2 – Falta ainda testar alguns jogadores, falta ainda enfrentar escolas europeias, falta eventualmente jogar sem o Neymar contra bons adversários.

Julio Gomes

1 - Lesões de jogadores cruciais, tipo Neymar, ou que alguma seleção se acerte da mesma maneira que o Brasil. Mata-mata é mata-mata e qualquer jogo representa risco, mesmo contra seleções piores. Neste exato momento, todas são piores.

2 - Saber como o time vai reagir contra a parede, mas isso não tem como simular sem competição. E saber com quem contar quando titulares faltarem por alguma razão. Tite deveria aproveitar os jogos competitivos das eliminatórias para testar opções - de nomes e sistemas.

Marcel Rizzo

1 - Chegar como favorito nunca foi bom para a seleção brasileira em Copas. Campanha de Tite credencia Brasil ao favoritismo, e treinador terá que mostrar capacidade para que atletas cheguem na Rússia sem salto alto.

2 - Goleiro ainda é uma posição que Tite pode mudar. Alisson é bom goleiro, mas é isso, "só" bom, igual a vários outros no país. Experiência pode ser importante na Copa. Eu daria mais uma oportunidade a Fernando Prass, que voltou em ótima forma ao Palmeiras. Na zaga, a chance que Tite deu a Thiago Silva contra o Paraguai, nos 45 minutos finais, mostra que o técnico pode pensar em ter o experiente jogador como opção a Marquinhos.

Menon

1 - O maior risco é outra seleção jogar melhor e ganhar. O segundo maior risco é outra seleção jogar pior e vencer. A seleção está boa, mas outras podem nos derrotar, sem dúvida. Não vejo a seleção como favorita. Outro risco é caírem no conto chamado David Luiz.

2 - Com o Brasil classificado, o que falta é Tite se abrir a novas opções. Dar chances a outros jogadores, como Lucas, por exemplo. Não gosto de Giuliano e Taison. Seria ótimo descobrir um goleiro melhor.

PVC

1 - O risco é achar que já está tudo pronto. O momento é sensacional. Muita gente põe a culpa dos últimos fracassos na Copa das Confederações. Ela não tem culpa de nada. A culpa é de achar que o time pode vencer sem jogar.

2 - Falta testar mais jogadores para as posições em que só ha dois, como a lateral esquerda. E se medir contra outros estilos. Desde a Copa de 2014, o Brasil jogou 35 partidas, sendo 25 contra rivais sul-americanos.

Ricardo Perrone

1 - O maior risco para o hexa é a existência de rivais mais entrosados e em estágios de preparação mais avançados. A seleção brasileira só fez  oito jogos em competição com Tite. Joachim Löw assumiu a Alemanha depois da Copa de 2006, e Didier Deschamps treina a França desde 2012. Alemães e franceses são, em minha opinião, os principais favoritos ao título na Rússia. Representam as maiores ameaças ao Brasil.

2 - Falta preparar alternativas ao grupo atual. Tite não pode ficar eternamente abraçado aos seus homens de confiança, os que asseguraram a vaga na Copa. Quem não estiver bem na época da convocação final deve ficar de fora, independentemente do que fez até aqui. Para isso, o treinador precisa testar mais jogadores, desfrutar do banco de dados com informações de mais de cem atletas montado por sua comissão técnica. É necessário que ele faça o Brasil manter o padrão de jogo com formações diferentes. Também é preciso um leque de esquemas táticos. Lembra que no Corinthians ele enfrentou um momento em que os rivais marcaram seu jogo e havia dificuldade para jogar de outra forma?  É fundamental evitar esse aperto.

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