Como Tite mudou o ambiente da seleção e conquistou os jogadores

Danilo Lavieri, Dassler Marques e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

Tite mudou radicalmente a seleção brasileira. Em campo, acertou uma equipe que insistia em não se encontrar nas Eliminatórias, emplacou a histórica sequência de oito vitórias consecutivas e levou um time então ameaçado à Copa do Mundo 2018 – o primeiro a se classificar para o torneio na Rússia. Troca de peças e mudanças no sistema de jogo foram importantes, mas a revolução também foi intensa fora das quatro linhas.

Enquanto acertavam questões táticas, Tite e sua comissão técnica se preocupavam também em corrigir detalhes de relacionamento que tanto atingiam o grupo, anteriormente comandado por Dunga. O novo chefe sabia que precisava ganhar o vestiário para, então, superar os adversários em campo. E conseguiu. Dentro e fora dos gramados.

Com pouco mais de 20 treinos, Tite sabia que não bastava encontrar uma harmonia nas atividades antes dos oito jogos disputados. Então focou nas conversas em concentrações, voos e até mensagens de celular para conquistar os convocados para a seleção. O UOL Esporte separou uma lista de fatores que explicam o sucesso na relação entre comandante e comandados na seleção.

"Comando horizontal" e jogadores participando de decisões

Com um modelo de gestão diferente ao utilizado pelo antecessor, Tite não quis saber de tomar decisões sozinho à frente da seleção. A ideia era ter um comando horizontal, dar voz a auxiliares e jogadores, escutando todos, desde decisões simples até as mais delicadas. A busca do coordenador Edu Gaspar por uma cidade grande na Rússia, onde os atletas possam ter a família por perto na Copa, prova isso – foi um pedido do grupo de jogadores, acatado pela comissão técnica.

Conquista pelo WhatsApp 

Sem muito tempo para preparar o time nos primeiros jogos, Tite decidiu utilizar aplicativos de mensagens para passar suas ideias. Deu certo. Os jogadores elogiaram a iniciativa e o WhatsApp se tornou parte da rotina. É pelo celular que o treinador mantém contato e marca presença com os convocados. A relação ficou mais íntima. Recentemente, o lesionado Gabriel Jesus tem recebido apoio do chefe através do dispositivo.

Pedro Martins/MoWa Press

Sem cartilha, com diálogo

A cartilha de bons costumes da época do "General" Dunga ficou no passado. Tite não quer saber de regras tão rígidas e jogadores desconfortáveis. Ainda que pregue pela responsabilidade no ambiente da seleção, flexibilizou as regras e apostou no diálogo como forma de resolver possíveis impasses.

Concentração aberta

Se antes a ordem era fechar hotéis e concentrações, com Tite a coisa mudou. Ele defende que o ambiente dos jogadores deve ser respeitado, mas entende que a presença de empresários, familiares e assessores também pode ocorrer. Salas e saguões são reservados para as conversas. O objetivo de Tite é dar mais liberdade e deixar o grupo confortável.

Sem "caça às bruxas"

Tite não quer saber de buscar culpados ou "caçar bruxas" na seleção. Assim que chegou, definiu que nomes "barrados" como Marcelo e Thiago Silva teriam novas chances. Com isso, ganhou o respeito do restante do grupo. Novamente, apostou no diálogo. Não queria resquícios de problemas antigos e definiu que se tratava de uma nova era no time.

Carinho e até presente com reservas

Tite se preocupa com os titulares, mas busca mais ainda a consideração dos reservas. Manter todos os 23 nomes motivados é um desafio característico do treinador. Além de frisar que o time está sempre aberto, ele não esquece daqueles que estão no banco. Conversa, orienta e até dá presente – como foi o caso de Filipe Luis, que ganhou um livro do chefe. Para o técnico, é importante que não haja insatisfação no elenco. E ele conseguiu. "Todos estão felizes, correm por ele", definiu Neymar. Em vídeos de bastidores, é possível ver a animação de todos, independente do tempo jogado, como após o duelo contra o Paraguai, na última terça:

Discurso e conceitos de futebol moderno conquistam

Era público o descontentamento de boa parte do grupo com Dunga. Somado a isso, muitos – boa parte dos "europeus" – consideravam o sistema de trabalho do treinador defasado. Com Tite, jogadores de ponta entendem que o discurso dentro do vestiário se assemelha aos verificados nos principais times do mundo. Os conceitos propagados pelo novo chefe conquistam e convencem os jogadores, que se enxergam diante de um treinador top de linha.

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