E aí, Tite? Jefferson se vê em condições de jogar Copa em 2018

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Vitor Silva/SSPress/Botafogo

    Jefferson deve voltar aos gramados em maio e já faz planos para voltar à seleção

    Jefferson deve voltar aos gramados em maio e já faz planos para voltar à seleção

São oito meses afastados do gramado após uma rara lesão no tríceps. Foram necessárias duas cirurgias para que o goleiro do Botafogo voltasse a treinar sem dores. A volta aos gramados, inicialmente, está planejada para maio, mas o jogador faz planos enormes. Um deles? Voltar a seleção brasileira. Segundo o camisa 1 do Alvinegro, ele tem totais condições de ser uma das três opções do técnico Tite para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

"Eu voltando a agarrar e mostrando meu potencial, não tenho dúvida que tenho condições de estar entre os três", disse o goleiro Jefferson em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Veja as demais respostas de Jefferson:

UOL Esporte: Como está a recuperação?

Jefferson: Agora estamos na fase final, de transição. Musculação e treinos no campo que não atrapalhem a recuperação. Comecei a usar o braço recentemente, mas o Flavio ainda joga a bola com a mão, sem tanta força. Estou usando o braço no campo. Encaixe rasteiro, saída de gol... Sem forçar tanto o tríceps. Depois vou pegando chutes mais fortes até voltar ao normal. A previsão é para maio. Só não sei ainda se para voltar aos treinos normalmente ou se já pronto para jogar.

UOL Esporte: Tem como voltar a ser o mesmo Jefferson?

Tem. A ideia é voltar até melhor. Quando você fica parado, acaba vendo coisas de fora. Descansa a cabeça e volta renovado. A tendência é que volte renovado e com muita vontade de futebol.

Fernando Soutello/AGIF

UOL Esporte: Seleção é um sonho vivo?

Sem dúvida. Isso me motiva muito a voltar o quanto antes. A Copa de 2018 está próxima. Sei que se voltar bem terei possibilidades de estar entre os três.

UOL Esporte: Teve alguma conversa com o Tite?

Não, até porque seria antiético com os goleiros que estão lá, seria falta de respeito com eles. Vou demonstrar dentro de campo para voltar para a seleção.

UOL Esporte: Torcida brinca que o Alison é o 'flanelinha', apenas guardando a vaga para você...

Isso é só brincadeira de torcedor pelo carinho que tem por mim. A seleção está bem após a chegada do Tite. Precisa estar jogando muito bem para merecer a vaga. Eu voltando a agarrar e mostrando meu potencial, não tenho dúvida que tenho condições de estar entre os três. A intenção não é pegar a vaga de um ou de outro. Primeiro passo é fazer o meu trabalho e estar no grupo da seleção. Quero estar lá.

Xinhua/Fei Maohua

UOL Esporte: Você está parado há um bom tempo e viu o Sidão brilhar ano passado e o Gatito virar herói na Libertadores. Não bate aquele sentimento de que era você quem deveria estar lá?

De maneira nenhuma. Hoje sou torcedor do Botafogo e quero bem do time, independentemente de qualquer coisa. A competitividade sempre vai ter e sempre será sadia. Todos querem jogar, mas hoje o Botafogo tem ido bem na posição. Sidão no ano passado, agora com a chegada do Gatito. Quem entra dá conta do recado

UOL Esporte: De fora percebe-se que tem um grupo unido e brigam muito para deixar o Botafogo em destaque...

Queremos muito ir longe nessa Libertadores. Hoje o Botafogo é uma mescla entre novos e experientes, brasileiros e gringos. Quando junta essa força toda mostra que podemos ir longe. Mesmo com alguns jogadores conhecidos como Camilo e Montillo, são jogadores simples, que não querem ser estrelas. Isso tem dado resultado. Todos correm e se ajudam. Quando falam de um falam de todo mundo. A filosofia do Jair também é assim. Um cara jovem e quem tem tudo para crescer ainda mais.

UOL Esporte: Esse estilo aguerrido é o maior trunfo desse grupo?

Botafogo está num caminho certo. Mas se achar que é melhor que todo mundo... Só vamos conseguir os resultados positivos se todo mundo se doar o tempo todo.  Se achar que um é estrela, que o outro vai correr por você, aí não vai dar certo. Uma prova disso foi contra o Fluminense. Fizemos 2 a 0 no primeiro tempo e voltamos diferente para o segundo. Não repetimos o que sabemos fazer. Ficamos tocando de lado e quando abrimos o olho o Fluminense já tinha atropelado. Isso é exemplo vivo de que temos que manter a pegada do início ao fim.

Vitor Silva/SS Press/Botafogo

UOL Esporte: Viu Jair Ventura passar por várias funções até virar comandante...

Isso é muito legal e gratificante pelo trabalho que vinha fazendo. Exemplo de trabalho e profissionalismo. Assumiu jogos, voltou para a base, voltou a ser auxiliar... Em nenhum momento reclamou. Fez o que tinha que ser feito e hoje está aí. Soube aproveitar a oportunidade. Serve de exemplo. Precisa estar pronto para quando a oportunidade aparecer. Fico muito feliz por ele

UOL Esporte: E ele já conhecia o Botafogo

Isso é fundamental para o bom trabalho dele. E o clube também já o conhecia. Precisa valorizar também a diretoria do clube, que o bancou mesmo com a pressão por nomes mais experiente. Isso tem ocorrido nos clubes. Não só como treinador, como também jovens atletas. São identificados e isso é fundamental. Valorizar a prata da casa. Serve de exemplo.

UOL Esporte: Botafogo tem dado oportunidades aos jovens

Nos últimos anos Botafogo faz ótimo trabalho na base e tem aproveitado vários atletas. Isso é fundamental. Esses garotos são a mina de ouro. Tem muita qualidade aqui.

UOL Esporte: Quem vai estourar?

São muitos, cara. Não tem como falar em um só. Emerson Santos, Marcelo, Leandrinho. E tem outros que ainda não tiveram oportunidade mas que vão chegando aos poucos e vão mostrar seu valor.

UOL Esporte: E a situação do Emerson Santos?

Ele está muito chateado, mas é uma situação que ninguém deve dar palpite. É algo muito pessoal. Faz parte da vida do jogador. Ninguém deve falar nada para ele. Ele deve seguir o coração dele. Tem muita gente envolvida. Empresário, família. Tem o lado financeiro, enfim, ele precisa ver isso com ele. Espero apenas que resolva rápido porque ele é muito importante e admiramos muito. Só jogando se valoriza.

Divulgação/SMG

UOL Esporte: Lesão é o pior momento para o atleta?

É. Quando machuquei o prazo era para voltar em três meses. "Ah, isso passa rápido", pensei. Só que o tempo foi passando e quando chegou aos três meses, percebi que não teve evolução. Pior momento foi quando vi que tinha passado o prazo e não voltei. Quando completou quatro meses... foi muito difícil. Com cinco percebi que teria que fazer alguma coisa e fiz uma nova cirurgia.

UOL Esporte: A sua lesão era rara, não era caso de deixar um especialista assumir desde o início?

Não tenho como te responder isso. Temos profissionais aqui no Botafogo. Sou funcionário do clube e acatamos todos eles. A cirurgia foi bem feita, mas o prazo não deu certo.

UOL Esporte: Dá muitos conselhos ao Sassá?

Converso demais com o Sassá, ele me respeita muito. Costumo dizer que ele não faz mal a ninguém, só a ele mesmo. Ele é um menino bom e que quer aproveitar a vida. Mas claro que precisa entender que é um profissional visado, está na mídia. Ninguém quer que ele fique trancado para sempre no quarto, mas saber que pagará pelos atos cometidos. Sempre converso, digo que é pai de família, que está em um grande clube e que as polemicas extracampo não vão ajudar em nada. Infelizmente o jogador se espelha em um, em outro. Ele fala em Balotelli, entendeu? Ele é gente boa demais, gosto dele demais. Todo mundo gosta dele, alegra o grupo. Precisa ser mais profissional fora de campo para a carreira dele decolar.

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