Fubá revela ajuda de R$ 1 mi e celebra melhora: "me deram 6 meses de vida"

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

  • Luiza Oliveira/UOL

    Gilmar Fubá vem se recuperando de um câncer e está feliz com a sua recuperação

    Gilmar Fubá vem se recuperando de um câncer e está feliz com a sua recuperação

Gilmar Fubá nasceu de novo. O ex-jogador do Corinthians descobriu que sofria de um câncer na medula óssea e chegou a ter um prognóstico de apenas seis meses de vida. Hoje ele celebra a recuperação que surpreendeu até os médicos e mostra muita gratidão aos amigos que estão ajudando com uma gorda contribuição de até R$ 1 milhão pelo tratamento.

O ex-atleta já completou quatro ciclos da quimioterapia e passou pela fase mais difícil do tratamento. Hoje, duas semanas após receber alta, ele se mostra sorridente e já foi até acompanhar um jogo de futebol dos amigos - entre eles Muller, Dinei, Viola, Vampeta e Ronaldo Giovanelli.

"Eles ficavam com medo de me falar, mas meus amigos sabiam de tudo. Eles [médicos] me deram seis meses de vida porque [o câncer] estava muito alastrado, meus ossos estavam todos estourados. Ficaram com medo de me falar", conta. "Diziam: 'quem vê sua tomografia e não te vê, pensa que ou já morreu ou está em coma'".

Segundo o ex-jogador, os médicos se mostram surpresos com a recuperação. "Eles mesmo falam: 'você é mutante'. Desde o começo estava com o rim parado. A médica falou: 'tenho 15 anos aqui e nunca vi uma pessoa reagir à primeira quimioterapia como você reagiu. Seus ossos estavam todos estourados'".

Gilmar Fubá sofreu com a doença por dois anos sem perceber. Descobriu que tinha um linfoma após contrair uma gripe e começar a passar mal. Chegou a ficar quatro dias de cama com vômitos frequentes. O médico do Corinthians Joaquim Grava ficou preocupado e o levou ao hospital São Luis, na Zona Sul de São Paulo. Lá, descobriram que o ex-jogador tinha dois 'caroços' e prontamente indicaram uma biópsia. Em 15 dias, veio o diagnóstico assustador.

Gilmar só conseguiu a recuperação surpreendente graças à ajuda dos amigos. O tratamento particular adotado é muito caro e os custos já passam de R$ 1 milhão. 

"O tratamento é muito caro, o convênio não cobre tratamento de câncer de ninguém, você entra na Justiça para brigar. Por isso que morre, não tem como", disse Gilmar.

"O Beto [José Roberto Garcia], [dono] da Kalunga, já gastou em dois meses R$ 700 mil comigo no hospital São Luis. É meu amigo, falou: 'Gilmar, descansa. Quero que você e sua esposa estejam bem. Os melhores médicos vão tratar você'. Ele chamou os medico: 'ó, eu não quero saber quanto é, não quero saber de onde vem a medicação. Se for preciso, levo ele para os Estados Unidos. Quero ver meu amigo bom, não quero saber preço, não precisa me ligar; o que estiver precisando, faz'. Ele sempre foi meu irmão, mas agora... Tem amigo que é melhor que irmão", revelou.

"Tem medicação que tomo aqui, que tomo na barriga, que é importada. Se fosse no SUS essa medicação já não viria, lá tem uma só [opção]. Existem 80 tipos de câncer, cada um é tratado com uma medicação [específica]. No SUS eles dão uma única medicação, se servir para o seu câncer, amém. Se não servir, morre. É mais um que vai morrer. Por isso que morre o povo", completou.

Mas os custos do tratamento de Fubá não param por aí. Ele conta que ainda terá que fazer pelo menos mais dois anos de tratamento, incluindo uma cirurgia na medula.

Alguns ex-jogadores do Corinthians, como Dinei e Vampeta, estudam uma maneira de fazer um jogo beneficente para ajudá-lo. A ideia é fazer uma partida preliminar antes do duelo entre Corinthians e Chapecoense, na estreia do Campeonato Brasileiro, na arena do clube paulista. O ingresso deve custar R$ 60 e 10% da renda será destinada ao tratamento.

Gilmar demonstra preocupação com os custos do tratamento. Diz não querer ser bancado pelos amigos por toda a vida e afirma não ter uma situação financeira tranquila. Fubá não tem mais rendimentos, pois vivia de presenças em eventos ligados ao futebol. Sua mulher se dedica integralmente ao ex-jogador. Ambos estão desempregados.

Ainda assim, Gilmar diz só ter motivos a comemorar. Além da recuperação, tem a família ao seu lado e se apegou à religião. Antes da doença, ele conta ter ficado "perdido na noite" e vivido momentos difíceis. Havia abandonado a mulher e se afastado até dos filhos.

"Estava só me afundando. A primeira coisa que perdi foi a família. Fui casado 20 e poucos anos e do nada saí de casa, levei minha roupa. Minha mulher perguntou: 'por que?'. 'Porque eu não quero mais, não gosto mais de você', e saí de cada. Aí perde emprego, vai perdendo as coisas, tive que vender dois apartamentos nessa fase para me manter e manter a casa da minha família", conta Gilmar.

"Já não queria mais trabalhar, a 'noite' não me deixava. Esses compromissos assim [jogos em eventos] eu já perdia. Com mulher, com bebida, com tudo. Não acordava cedo, porque chegava 8h, 9h em casa. E ia só afundando, afundando, e você não tem essa visão. Está indo para o abismo e não vê", complementa o ex-jogador, que se diz agradecido por ter ficado doente.

"Teve dia no hospital orando: 'Senhor, muito obrigada por você ter colocado essa doença na minha vida. Porque se não fosse a doença, eu estaria perdido ainda'".

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