Leonardo critica condução do futebol no Brasil e descarta retorno ao Fla

Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Arthur Toledo / Divulgação Millagro

    Leonardo concede entrevista durante o lançamento do Canal Zico 10 no YouTube

    Leonardo concede entrevista durante o lançamento do Canal Zico 10 no YouTube

Nenhum outro nome foi tão cotado para trabalhar no Flamengo nos últimos anos. Voltar ao clube para assumir o comando do futebol esteve em pauta por diversos momentos na vida do ex-jogador Leonardo. Não está mais. Residindo na Itália e descrente das mudanças no futebol brasileiro, ele mantém o tom crítico e descarta atuar no Rubro-negro.

Em rápida passagem pelo Brasil, Leonardo esteve na noite da última quinta-feira (30) no lançamento do canal Zico 10 no YouTube. O ex-treinador de Milan e Internazionale e que também comandou o futebol do Paris Saint-Germain conversou com a reportagem do UOL Esporte. Aos 47 anos, Leonardo deixou claro que os planos de vida passam longe do Brasil, consequentemente do Flamengo.

"Sou um cara muito crítico. A minha relação é muito boa com as pessoas que estão no Flamengo. Existiu um momento no qual fui ainda mais crítico com o que acontecia. Acho que tivemos gestões muito complicadas, pouco claras e com condutas questionáveis. A coisa é bem melhor hoje. Estão focados no processo de saneamento do clube e na construção de um projeto que pode trazer resultados esportivos. Eles ainda não chegaram, mas acho que virão com o tempo. Só que temos problemas enormes no futebol brasileiro. Não vamos alavancar as coisas apenas com o Flamengo se organizando. Estamos longe do que o futebol poderia render no Brasil", afirmou.

Arthur Toledo / Divulgação Millagro
Zico, Diego e Leonardo no evento que lançou o Canal do Galinho no YouTube
A insatisfação com o que acontece no país tem peso fundamental na decisão de Leonardo em esquecer a possibilidade de um dia gerenciar o departamento de futebol rubro-negro. Foram inúmeros convites e possibilidades apresentadas ao longo dos anos.

"Isso já foi muito falado. Teve uma época em que realmente pensamos com várias pessoas que estavam lá. Mas, sendo bem sincero, ainda me vejo com o perfil muito ligado à produção de um espetáculo e de um grande time para ser competitivo. Acho que no Brasil, não só no Flamengo, todas as estruturas, sejam clubes, federações ou ligas, nascem com cunho político. Tenho dificuldade de me inserir nisso. As minhas decisões são tomadas com o fim esportivo e para criar uma estrutura que traga resultados. Ainda não vi um clube em que atualmente se diga que a decisão é tomada apenas pelo lado esportivo. Não sendo assim, considero difícil demais me adaptar", comentou.

Ainda que seja um crítico ferrenho da forma como o futebol brasileiro é administrado, Leonardo não apoia um rompimento com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e federações. O campeão brasileiro de 1987 pelo Flamengo defende a mudança total de mentalidade, o que ainda está longe de acontecer.

"Precisa haver a construção de um novo mecanismo. Se pegarmos as ligas importantes do mundo, percebemos claramente que tentam vender e ganhar dinheiro. O mundo corporativo pede isso. Não temos no Brasil investidores que alavancam o futebol. Precisamos buscar novas receitas. O Flamengo realmente busca, mas acho que o pulo do gato seria fazer o mundo corporativo entrar na área. Isso só vai acontecer quando realmente existir uma gerência com suporte para esse tipo de investimento. Dificilmente conseguiremos alavancar o futebol brasileiro sem essas mudanças", encerrou.

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