Em dia de homenagens, Chape vence 'amigo' A. Nacional em 1º jogo da Recopa

Do UOL, em São Paulo

  • Diego Padgurschi /Folhapress

    Torcida de Chapecó fez festa para os dois times e até aplaudiu gol adversário

    Torcida de Chapecó fez festa para os dois times e até aplaudiu gol adversário

O encontro que a tragédia impediu, enfim, aconteceu.

Na noite desta terça-feira (4), Chapecoense e Atlético Nacional (Colômbia) se enfrentaram na Arena Condá pelo primeiro jogo da Recopa Sul-Americana 2017. Em campo, a Chapecoense venceu por 2 a 1, com gols de Reinaldo e Luiz Otávio. Fora dele, porém, os dois lados tiveram o que comemorar.

Veja os gols de Chapecoense x Atlético Nacional

Desde a chegada a Chapecó na segunda-feira, a delegação do time colombiano recebeu diversas homenagens – da Prefeitura, das autoridades locais, de moradores e do clube. Antes de a bola rolar, o estádio foi palco do chamado "Show da Gratidão", com imagens exibidas em um telão e apresentação do cantor Duca Leindecker. Durante a tarde, o público já comparecia massivamente ao local.

 

Nelson Almeida/AFP Photo

Os dois times deveriam ter se enfrentado nas finais da Copa Sul-Americana 2016, em 30 de novembro e 7 de dezembro. No entanto, na véspera do jogo de ida, o avião com a delegação da Chape caiu nos arredores de Medellín (Colômbia), matando 71 pessoas. A pedido do Atlético Nacional, o título do torneio foi dado à equipe catarinense - que, por isso, se garantiu na Recopa.

Agora, com a vitória da Chapecoense no jogo desta terça-feira, os dois times voltarão a se enfrentar apenas no dia 10 de maio, no jogo de volta da Recopa 2017. Para a partida na Colômbia, espera-se mais uma grande festa da torcida local para equipes.

As homenagens

TARLA WOLSKI/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Arena Condá recebeu abraço simbólico antes de Chapecoense x Atlético Nacional

A terça-feira foi marcada por homenagens antes de a bola rolar para Chapecoense x Atlético Nacional. Primeiro, às 14h (de Brasília), torcedores se reuniram na Praça Coronel Bertaso para um ensaio de uma coreografia. No local, também foi organizada uma fan fest para torcedores acompanharem a partida. Da praça, diante da Catedral de Santo Antônio, acompanhado de um trio elétrico, o público caminhou até o estádio.

Ali, o chamado "Show da Gratidão" contou com imagens em um telão, apresentação musical e a presença de Jackson Follmann, Neto e Alan Ruschel, além do jornalista Rafael Henzel - os quatro sobreviveram à tragédia em novembro. De quebra, os dois times ainda posaram juntos antes do jogo com uma mensagem de solidariedade a Mocoa - a cidade foi vítima de um deslizamento de terra que provocou mais de 200 mortes no final de semana.

Diego Padgurschi /Folhapress

Enfim, a estreia do uniforme

No jogo desta terça-feira, a Chapecoense enfim pôde estrear o uniforme da temporada 2017, em um tom mais escuro de verde. O fardamento foi apresentado antes do jogo contra o Lanús (Argentina) pela Libertadores, mas, por um problema de logística do time argentino, a equipe catarinense teve que se vestir de branco para o jogo entre os dois times na Arena Condá. Curiosamente, após aquele jogo, a Chape atuou cinco vezes pelo Campeonato Catarinense; em todas, jogou de branco.

Começo lento; Chapecoense chega antes

O jogo começou em ritmo lento, com duas equipes dispostas a se estudar. Tanto que as primeiras chances de perigo só apareceram depois dos 15 min do primeiro tempo - e ambas para a Chapecoense. Aos 17 min, João Pedro foi lançado na área pela esquerda, mas o goleiro Armani se antecipou. Um minuto depois, também pela esquerda, Reinaldo arriscou da entrada da área e obrigou Armani a espalmar.

Susto: Atlético marca, mas arbitragem invalida

A torcida presente na Arena Condá teve motivos para se preocupar aos 22 min, após erro na saída de bola. Dayro Moreno recebeu na entrada da área e tocou na saída de Artur Moraes para balançar as redes. No entanto, a arbitragem assinalou corretamente a o impedimento do camisa 17 e invalidou o lance.

De pênalti, Chape abre o placar

Um minuto depois do susto, o alívio. João Pedro invadiu a área pela esquerda, trouxe para o centro e arriscou o chute. A bola, porém, pegou no braço do lateral direito Bocanegra, que se jogou para tentar interceptar o arremate - pênalti, que Reinaldo bateu rasteiro no contrapé de Armani para inaugurar o marcador.

Diego Padgurschi /Folhapress
Ao lado de Túlio de Melo e Rossi, Reinaldo comemora gol de pênalti

Atlético Nacional acha o caminho e equilibra

Em desvantagem, o time colombiano encontrou o espaço para avançar pelo lado direito da defesa da Chape. Assim, com subidas do próprio Bocanegra e com a movimentação de Ibargüen (originalmente escalado na meia esquerda), começou a oferecer perigo. Na melhor oportunidade, aos 36 min, Macnelly Torres aproveitou a bola na entrada da área e chutou rente à trave direita do gol de Artur Moraes.

Nos acréscimos, Rossi cruzou pela direita e Túlio de Melo marcou de cabeça. O árbitro Mario Días de Vivar, porém, marcou falta do camisa 10 e também invalidou.

Após mudança no intervalo, mais boas chances

No intervalo, o técnico Vágner Mancini foi obrigado a sacar o lesionado Douglas Grolli, que sentiu um problema muscular, para colocar em campo Luiz Otávio. A Chapecoense, porém, não perdeu o ritmo e se manteve embalada.

Tanto que, aos 10 min, quase ampliou: Apodi correu pela direita e cruzou para Túlio de Melo, mas Bocanegra se antecipou e evitou a conclusão do camisa 10 dentro da área. De quebra, dois minutos depois, Apodi cruzou de novo e a bola sobrou sozinha para Arthur Caike, que bateu colocado e mandou rente à trave esquerda de Armani.

Mas quem não faz toma: 1 a 1

Nelson Almeida/AFP Photo
Macnelly Torres marcou e foi aplaudido até pela torcida da Chapecoense

O Atlético Nacional ainda não tinha oferecido perigo no segundo tempo quando, aos 14 min, chegou ao empate. Em jogada individual, Macnelly Torres bateu da entrada da área; Artur Moraes chegou atrasado e ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar. A torcida da Chapecoense aplaudiu o feito do camisa 10.

Colombianos assustam, mas Chape faz 2 a 1 e cresce

A Chape sentiu o gol, que indicou o crescimento dos visitantes no campo. Porém, quando tudo indicava o crescimento colombiano no jogo, o time da casa fez 2 a 1. Aos 29 min, Reinaldo cobrou escanteio pela esquerda e Luiz Otávio apareceu na área para cabecear para as redes.

O gol, desta vez, jogou a pressão para cima do Atlético Nacional. Dois minutos depois, Rossi disparou pela direita e cruzou rasteiro na área, mas a zaga desviou e tirou - Reinaldo recuperou a sobra, mas mandou para fora.

Nos minutos finais, a Chape sufocou. Primeiro, em um pedido de pênalti sobre Wellington Paulista; depois, em bolas que Reinaldo levantou perigosamente à area. Ao Nacional, restou se defender.

Fim de jogo, recomeço das homenagens

Ao término na partida, a Arena Condá voltou a ser palco de uma grande festa. No telão, imagens do time catarinense eram exibidas para a torcida, que retribuía com luzes oriundas de celulares. Em campo, os jogadores da Chape aplaudiam o público presente. Uma queima de fogos coroou a noite de homenagens.

FICHA TÉCNICA
Chapecoense 2 x 1 Atlético Nacional (COL)

Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)
Data: 4 de abril de 2017, terça-feira
Horário: 19h15 (de Brasília)
Árbitro: Mario Días de Vivar (Paraguai)
Gols: Reinaldo, aos 23 min do 1º T (CHP); Macnelly Torres, aos 14 min do 2º T (ATN); Luiz Otávio, aos 29 min do 2º T (CHP)
Cartões amarelos: Apodi (CHP); Bocanegra, Arias e Henriquez (ATN)

Chapecoense: Artur Moraes; Apodi, Douglas Grolli (Luiz Otávio), Nathan e Reinaldo; Andrei Girotto, Luiz Antônio (Moisés Ribeiro) e João Pedro; Rossi, Túlio de Melo (Wellington Paulista) e Arthur Caike
Técnico: Vagner Mancini

Atlético Nacional: Armani; Bocanegra, Aguilar, Henriquez e Díaz; Bernal (Mosquera) e Arías; Dayro Moreno (Ramirez), Macnelly Torres e Ibargüen (Arley Rodríguez); Ruiz
Técnico: Reinaldo Rueda

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