Valdivia, E. Ribeiro... SP quer, mas dinheiro afasta reforços de peso

José Eduardo Martins e Pedro Lopes *

Do UOL, em São Paulo

  • Ricardo Duarte/Internacional

    Valdivia comemora ao marcar para o Internacional contra a Ponte Preta

    Valdivia comemora ao marcar para o Internacional contra a Ponte Preta

Com os campeonatos estaduais chegando em suas fases decisivas e o Brasileirão surgindo no horizonte, Everton Ribeiro, voltando ao Brasil, e Valdivia, com possibilidade de deixar o Internacional, aparecem como dois dos principais alvos no mercado da bola. Os dois interessam ao São Paulo e receberam consultas de dirigentes do Morumbi nas últimas semanas, mas não devem vestir a camisa tricolor. O motivo é o mesmo: questões financeiras.

O São Paulo iniciou o ano com R$ 17 milhões para contratações, mas só a chegada de Pratto, que custou pelo menos 6 milhões de euros (o valor pode atingir 11 milhões - R$ 36 milhões - nos próximos três anos), já extrapolou o valor. A vinda do argentino só foi possível por conta da venda de David Neres, que foi para o Ajax por 12 milhões de euros (cerca de R$ 30 milhões), podendo chegar a 15 – metade do valor foi utilizada no centroavante, metade em amortização da dívida do clube, que ultrapassa R$ 250 milhões.

Na tentativa de equacionar a dívida, é essa a política adotada entre os departamentos de futebol e financeiro do São Paulo: toda chegada de reforço deve ser atrelada à entrada de uma receita equivalente, algo que só é alcançado com uma venda de outro atleta. Nesse cenário, a chegada de uma contratação de peso fica praticamente impossível.

Depois de vender Neres, o clube do Morumbi também negociou Lyanco por um valor inicial de 5,4 milhões de euros (R$ 18 milhões). O Torino (ITA), comprador, está pagando o valor parcelado para aderir às regras de fair play financeiro italiano. Há depósitos previstos até dezembro de 2018, o que dificulta que esses valores sejam revertidos para um reforço caro.

"O valor da venda do Lyanco está sendo usado para amortizar divida. Se o clube eventualmente comprasse o jogador pagando por ele uma parcela similar à que receberemos por ter vendido o Lyanco, pagando na mesma data e com o dinheiro em caixa, até seria possivel. Para não ter problema, é preciso casar compra com receita", explica o diretor financeiro Adilson Alves Martins.

Os dois jogadores são alvos de outros clubes: Valdivia está na mira de Corinthians e Palmeiras, enquanto Everton Ribeiro é alvo de Cruzeiro e Flamengo.

Diretor de futebol desconversa sobre interesse e diz estar fora da briga

Os casos de Everton Ribeiro e Valdivia são diferentes: o primeiro quer voltar ao Brasil em definitivo, e envolve uma negociação de 7 milhões de euros (R$ 23,3 milhões) com o Al Ahli, além de salários de pelo menos R$ 800 mil; para o segundo, o Internacional está disposto a ouvir ofertas de empréstimo, envolvendo possíveis trocas com jogadores. Diretor de futebol do São Paulo, José Jacobson Neto não admite oficialmente o interesse, mas diz que a questão financeira torna os negócios impossíveis.

"A chance de esses jogadores virem para o São Paulo é zero. Eu diria que nem observando esses atletas nós estamos. Nesse momento o financeiro também não nos permite", afirmou.

Segundo a política financeira do São Paulo, a chegada de Everton Ribeiro só seria possível com outra venda grande de algum jogador para a Europa, nos moldes das saídas e Lyanco e Neres, algo considerado impossível nesse momento da temporada. Já a chegada de Valdivia envolveria a saída de outro atleta do mesmo patamar salarial, próximo do teto de clube, entre R$ 350 mil e R$ 400 mil – o elenco são-paulino conta com poucos jogadores nessa faixa que não sejam peças fundamentais no planejamento de Rogério Ceni 

Não que reforços desse tipo não façam falta. O comandante são-paulino deu a entender, após a última rodada do Paulista, que ainda tinha esperanças em contar com Everton. No recado à diretoria, disse que o meia "faria muito bem ao clube" e "era bem vindo".

Meias já foram alvo no passado; Valdivia conversou com zagueiro tricolor

Tanto Everton Ribeiro como Valdivia já estiveram na mira do São Paulo no fim do ano passado – para o meia do Internacional, foi desenhado um negócio envolvendo Michel Bastos, que acabou se transferindo para o Palmeiras. 

Valdivia, inclusive, chegou a afirmar em entrevistas que considerava o São Paulo o maior clube dentre os grandes paulistas. O meia tem amizade com Rodrigo Caio e, segundo pessoas próximas, conversou com o zagueiro nos últimos dias sobre a possibilidade de se transferir para o Morumbi.

Se os negócios com nomes de peso são vistos com pessimismo, o São Paulo recorreu a atletas menos badalados. Nas últimas semanas, fechou com o lateral esquerdo Edimar, ex-Cruzeiro, e o meia Thomaz, do Jorge Wilstermann.

* colaborou Dassler Marques, em São Paulo

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