Lucão diz que foi julgado no SP, mas perdoa: "Se for mal, vai ser vaiado"

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Rubens Chiri / saopaulofc.net

    Lucão foi um dos destaques do São Paulo em partida na Argentina e ganhou moral

    Lucão foi um dos destaques do São Paulo em partida na Argentina e ganhou moral

Lucão tenta, aos poucos, reconquistar o seu espaço no São Paulo. Mais maduro e confiante nas palavras, o zagueiro foi um dos destaques positivos no empate por 0 a 0 contra o Defensa y Justicia, pela Copa Sul-Americana, na última quarta. Se repetir atuações como a da última quarta, ele pode, quem sabe, deixar a desconfiança da torcida para trás. Em 14 de fevereiro do ano passado, o Corinthians venceu um clássico por 2 a 0 com direito a falha de Lucão, que acabou marcado pela atuação.

"Quando vocês comentam que eu me lembro disso, mas eu, no meu dia-a-dia, dentro de campo e fora, não me lembro disso. Uma coisa que eu tenho comigo é que todo mundo erra. Todos têm acertos e erros. E eu fui, vamos dizer, julgado de uma forma sem necessidade. Muitas pessoas já erraram e passou, acabou, vamos para o próximo. E eu não, foi de uma forma mais pesada. Por quê? Eu não entendo, mas, se aconteceu, paciência. Não tenho mais o que fazer. É pensar na frente, no hoje, no agora, e trabalhar para sempre melhorar", afirmou Lucão em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

O defensor fala do tema com serenidade. Um ano depois, acredita saber que a relação do jogador de futebol com os fãs é feita, mesmo, de altos e baixos. Por isso, ele diz não se abalar com a pressão quando ouve algum tipo de crítica.

"A torcida está ali para torcer. Se você jogar bem, vai ser aplaudido. Se jogar mal, vai ser vaiado. Isso é o futebol, não tem como. Quantos caras que eram ídolos e foram vaiados? Falo aqui no São Paulo, mesmo. Foram xingados e criticados. Faz parte do futebol. O que eu vou fazer? Vou continuar trabalhando. Se está ruim, a ideia é melhorar. Se está bom, continuar ali. Esse é o pensamento", disse o zagueiro.

Veja, abaixo, os principais trechos da conversa com Lucão:

Telefonema e promessa para Ceni

"Foi nas férias, ele me ligou e me disse que queria contar comigo. Falou que gostaria que eu permanecesse aqui, porque gostava do meu futebol, do meu trabalho e até mesmo por já termos jogado juntos no ano retrasado. Então, ele me conhece muito bem. E eu dei a minha palavra para ele de que eu continuaria aqui, iríamos trabalhar juntos e estaria à disposição para quando ele precisasse de mim."

Ceni nas pegadas de Osorio 

"Vejo o Rogério com o perfil do Osorio. Tive a oportunidade de trabalhar com ele [Osorio], que é um cara muito ousado. Ele [Ceni] também é um cara que tem esse parâmetro de trabalho e é muito ousado. Não tem medo das críticas. Aquilo que ele acha que tem de fazer, ele faz. Ele coloca isso em prática. Então, acho isso muito bacana da parte dele. É um treinador ousado e tem tudo para dar muito certo."

Papo com Ceni por ser pouco utilizado

"Ele só me pediu para que eu tivesse um pouco de paciência, que na hora certa ele iria me colocar para jogar. Lógico que você não fica feliz. Se eu falar que vou ficar fora e estar tranquilo, é claro que vou mentir. A gente fica triste porque quer estar dentro de campo. Mas futebol exige isso, que você tenha muita paciência também e espere o momento certo", avaliou Lucão.

Evolução em 2017

"Vejo essa evolução do começo do ano para cá, desde a pré-temporada, onde tinham muitos zagueiros e hoje tenho a oportunidade de atuar mais. Agora é daqui para melhor. Essa é a meta."

Elogios de gente como Ceni, Muricy, Milton Cruz e Marco Aurélio Cunha

"Sempre encarei de forma natural. Os elogios são bons, servem para prestar atenção, para ficar sempre ligado, para querer mais. Foi muito importante e gratificante ouvir da parte deles isso. É continuar trabalhando para que tudo isso que eles falaram se concretizar", disse Lucão.

Concorrência saudável

"Desde sempre, do primeiro dia em que cheguei aqui, todos têm uma competição muito saudável. Sempre com um respeitando o espaço do outro, cada um trabalhando em favor do grupo e depois pensando em si. Isso que nos torna excelentes profissionais. A nossa competição é muito saudável e quem tem a ganhar é só o grupo."

Experiente aos 21 anos

"O amadurecimento no mundo do futebol é muito importante. Eu subi com 17 anos e eu não joguei nesse primeiro ano de profissional, mas você conviver, viajar, passar a experiência de estar no dia a dia com os atletas é muito importante. Depois, quando comecei a jogar, a ganhar experiência, ainda mais na minha posição que exige isso, foi muito bom para mim, para que eu possa estar preparado. A cada dia, a cada ano, eu me considero muito mais maduro em todas as circunstâncias, dentro de campo ou fora", garantiu o defensor.

Nota da Redação: Lucão é um dos jogadores do elenco atual que mais vestiu a camisa do São Paulo. São 84 partidas e dois gols, ao todo. 

Defesa muito vazada 

"Encaro como uma situação delicada de falar. Vocês colocam que o São Paulo leva muitos gols, mas o nosso sistema de jogar é bem ofensivo. Então, sabemos que em alguns momentos do jogo ficamos muito expostos. Essa é uma realidade que não temos como fugir por causa da forma que a gente joga lá na frente. Atacamos bastante e você vê o resultado no ataque, que tem feito muitos gols. É uma coisa que não vai ser ajustada de uma hora para outra. É algo que o Rogério vem trabalhando com a gente há algum tempo. E, aos poucos, as coisas vão se acertando para que a gente não tome tantos gols."

Proposta do Porto

"Não foi da minha parte que eu não quis. A questão é que todo mundo acha que eu não quis, porque a primeira matéria que saiu falava isso. O Porto que quis esperar. Ele tinha mais um ano para decidir qual seria o outro jogador e quis esperar. O Porto não quis o Lucão no momento. Essa é a verdade. Isso que aconteceu. Mas algumas pessoas vão acreditar outras não."

Nota da Redação: Em 2016, Lucão chegou a ser envolvido na negociação por Maicon, mas acabou não indo a Portugal. Na época, a teoria mais forte era de que ele teria recusado a transferência, o que ele nega. 

Proposta do Dínamo Zagreb

"Chegou [a proposta] ao São Paulo e o clube não quis me liberar. Foi antes da chegada do Rogério."

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