Porteiro até hoje, pai de Arana exalta humildade: "Vi título no trabalho"

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

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    Arana ao lado dos pais e do irmão no fim do ano passado: apego à família

    Arana ao lado dos pais e do irmão no fim do ano passado: apego à família

Augusto precisou ser forte para acompanhar o pontapé inicial do filho no time profissional do Corinthians. Se não bastasse o nervosismo de ver o lateral Guilherme Arana no gramado da Arena Corinthians pela primeira vez, o pai do jogador teve de assistir à estreia de longe, em uma televisão pequena, cravado na portaria de um prédio.

O cenário tem explicação: Augusto, mesmo com o sucesso de Arana no time corintiano, mantém hábitos antigos. Um deles é continuar na profissão de porteiro. "Para mim não mudou nada, minha vida continua a mesma. Isso mostra também para ele correr de um lado e eu do outro. Segue o caminho que faço o meu na minha profissão", disse Augusto à reportagem do UOL Esporte.

Arana, por sua vez, também mantém a simplicidade. De acordo com o pai, o lateral esquerdo de 19 anos, que desponta como um dos principais jogadores do Corinthians na temporada 2017, é um cara família, apegado à mãe, Cintia, muito amigo do irmão, Gustavo. "Minha esposa cuida das coisas do Guilherme e ele é muito grudado na mãe dele. Meus irmãos ainda moram no Sapopemba (bairro da zona leste de São Paulo). A gente continua indo lá, o Guilherme também. Não mudou nada", contou Augusto.

AP Photo/Andre Penner
Arana celebra gol marcado em 2016

O mesmo relacionamento é observado com os primeiros professores no futebol. A família mantém contato com o técnico Ricardo Fernandes, que trabalhou com Arana no society ainda aos cinco anos, e com Edson Rocco, que o aprovou no futsal do Corinthians aos nove anos.

No primeiro jogo, o pai estava longe

Arana estreou no time profissional do Corinthians em agosto de 2015, aos 18 anos. O time corintiano recebeu o Sport na Arena Corinthians e sofreu para vencer o jogo por 4 a 3. Na ocasião, o lateral entrou no começo do segundo tempo e chegou a falhar no segundo gol dos pernambucanos ao errar um passe.

"Eu não estava no campo quando ele estreou, estava trabalhando. Foi tenso demais. Ele errou uma bola, empataram o jogo. Aí veio uma jogada pela esquerda e ele conseguir dar a volta por cima. Isso não sai da minha cabeça. Nessa hora eu queria estar perto, mas não podia. Eu trabalhava num condomínio, sou porteiro até hoje", frisou.

Meses depois, o pai do jovem atleta acompanhou o título brasileiro do Corinthians do mesmo jeito. "Já vi mais jogos na televisão na portaria, gritando que nem um louco. O Corinthians foi campeão e eu estava dentro da portaria. Eu mandava mensagens para ele e para a mãe dele", contou Augusto, que hoje trabalha no período da manhã.

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
Arana em ação pelo Corinthians: quatro assistências em 2017

Pai virou corintiano pelo filho

Augusto ainda admitiu que nem toda a família nasceu corintiana. Ele e o filho mais velho torciam para o Palmeiras antes de Arana começar a jogar futebol pelo Corinthians - fato que deu-se quando o lateral tinha nove anos. Curiosamente, o primeiro gol do jogador no profissional foi diante do rival, no empate por 3 a 3, no Brasileirão 2015.

"O irmão dele é palmeirense. Quando meteu gol no Palmeiras, o irmão comemorou na hora. Eu também sou palmeirense, mas a gente torce pelo moleque. Ele é corintiano desde pequeno, foi criado lá. Mas eu hoje sou mais corintiano do que muitos por aí. Sou Corinthians, meu filho estando lá sou Corinthians até morrer", ressaltou Augusto.

 

Personalidade forte e desejo de virar ídolo do Corinthians

Segundo o pai, Arana sempre foi dono de uma personalidade muito forte. Isso, de alguma forma, o ajuda a lidar com a pressão de ser titular do Corinthians. "Ele é um garoto, vai fazer 20 anos ainda, mas tem uma personalidade monstra para a idade dele. Talvez isso chame mais a atenção. É uma coisa muito forte, é dele, sempre foi assim. Ele odeia perder", contou.

Neste começo de temporada, o lateral esquerdo já deu quatro assistências, fato recorrente durante a passagem pela base corintiana. A família do atleta admite que ele vive um momento especial, mas não se espanta com o desempenho acima da média.

"É um momento especial, mas para nós não é surpresa. Basta olhar a Copa São Paulo 2014. Ele deu muitos gols para os atacantes. Muitas vezes começava nos pés dele. Ele sempre foi assim. Essa facilidade de bater na bola ele sempre teve. Ele está num momento fantástico, ele chega em casa tranquilo, sempre com um sorrisão no rosto", ressaltou.

Arana, inclusive, fala em ser campeão como titular do time alvinegro para virar referência na história do clube. "Ele fala em se tornar ídolo do Corinthians, fala em ganhar um título como titular. Ele quer ganhar estando no time", afirmou Augusto.

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