Athirson deixa time do Tocantins após 45 minutos como técnico: "lamentável"

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

  • Divulgação/Fox Sports

    Investidores não pagaram Athirson, que acabou pedindo para sair

    Investidores não pagaram Athirson, que acabou pedindo para sair

Dez dias, alguns treinos e 45 minutos à beira do gramado em uma partida oficial. Assim pode ser resumida a passagem do ex-jogador Athirson como técnico do Tocantins de Miracema. O fim da rápida parceria entre técnico e clube foi anunciado nesta segunda-feira (10).

Em conversa com o UOL Esporte, Athirson contou detalhes de sua passagem relâmpago pelo Tocantins de Miracema e revelou inclusive que deixou o clube sem receber.

Tudo começou com um convite para comandar a equipe em jogos do Campeonato Tocantinense. Sem assinar contrato, Athirson exigiu dos empresários o pagamento adiantado pelas três partidas iniciais, válidas pela primeira fase, o que acabou não acontecendo.

O ex-jogador ainda deixou claro que a sua ideia inicial era não aceitar a proposta, já que tinha compromisso marcado em datas similares às dos jogos do Tocantins de Miracema e ainda tem em vista um projeto para os Estados Unidos muito em breve.

"Na verdade, foram dois empresários que me fizeram o convite pra assumir o Tocantins de Miracema para o Estadual. Eles me queriam para a Série D, e eu disse que não gostaria de ficar aqui porque eu já tenho uma possibilidade certa pra ir aos EUA. Eles disseram que quem pagaria os meus salários seriam o Carlos Junior e o Luiz Bernardo, eles são os investidores do clube, e eu falei que tudo bem, e disse: 'Eu estou com alguns eventos agendados já, alguns compromissos já para essas datas, e disse que aceitaria porque os conhecia, mas não poderia assumir de vez. Quem ia assumir no início era o meu auxiliar, para que eu pudesse fazer a minha agenda de compromissos, que eram jogos beneficentes em Minas Gerais, em Piauí e em Cuiabá", disse Athirson, que em sua estreia, contra o Sparta, comandou o time por 45 minutos.

De acordo com o ex-jogador, ele já havia adiantado ao clube que não chegaria a tempo para comandar a equipe nos 90 minutos. "Ainda falei: 'Até consigo chegar no dia do jogo, porque a cidade era a uma hora de Palmas, e se eu chegar vou chegar atrasado, e eles disseram: 'Você pode ficar tranquilo quanto a isso, não tem problema nenhum', e acertamos isso. No primeiro jogo eu cheguei para os últimos 45 minutos finais", acrescenta Athirson.

Porém, antes disso, Athirson havia solicitado um adiantamento pelos três jogos da primeira fase, o que não aconteceu. "Como o time teria só três jogos nesta fase e depois teria a fase de classificação, eu falei para que eles pudessem me pagar antecipado para que eu tivesse a garantia do pagamento, porque se não classificasse possivelmente eu não ia receber, como acontece em alguns clubes,  e eu não ia me aventurar para sair da minha cidade [Rio de Janeiro], longe da minha família, para não receber nada, e eles disseram: 'fica tranquilo que quando você chegar de Cuiabá a gente te dá o dinheiro'", conta.

Em seguida, porém, Athirson começou a perceber que não veria a cor do dinheiro. Desta forma, acabou não comparecendo ao jogo do último domingo (9), contra o Tocantinense. Depois de uma conversa nesta segunda-feira (10), foi anunciada a saída do técnico em comum acordo.

"Cheguei segunda-feira [dia 3], dei treino, na quarta e quinta também, chegou na sexta e eu tinha compromisso, e antes do jogo não me pagaram, aí eu falei: 'tem mais uma semana, eu te dou até quinta-feira'. Acertaram comigo e falaram: 'pode ficar tranquilo'. Chegou quinta-feira à noite, eu acabei viajando para um compromisso e eu ia retornar para o jogo de domingo, e eles me passaram: 'Ah, nós íamos fazer o pagamento mas teve um pequeno problema, eu não tenho dinheiro para te pagar agora', aí eu falei: 'Foi a única coisa que eu te pedi, e vocês falaram que não tinha problema, senão eu nem viria pra cá, porque eram três jogos. Um clube que não daria visibilidade para mim no mercado. Eu vim aqui para ajudar vocês, e vocês agora no meio do caminho  falam que não tem dinheiro para me pagar? Como é que eu fico nesta situação?'. E ele disse: 'Mas eu te dou uma parte agora e a outra metade no domingo'. E eu falei: 'se você não me deu nada no meio da semana, como vai me pagar no domingo? Eu não fiz acerto com o clube, eu fiz acerto contigo. Isso não foi o combinado, o presidente do clube não tem nada a ver com isso'. Foi tudo com os investidores, eu nem contrato fiz", lamentou.

Ainda de acordo com Athirson, não foi só ele quem acabou se dando mal na história. "Não pagaram nada, só a passagem aérea. Agora estou aguardando que eles me paguem esses dez dias trabalhados, mas eu não assinei nada, não tenho contrato, e quero deixar bem claro que esses investidores fizeram isso com jogadores também, então tanto jogadores como treinadores têm que evitar fazer como eu fiz desta forma, só sai de casa com o contrato assinado para que não passe por este tipo de situação de promessa, porque na verdade as pessoas não te dão realmente a certeza do que vai acontecer. Foi lamentável o que aconteceu porque fica muito vulnerável", completou Athirson.

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