Reunião com a FPF selou boicote de grandes paulistas a movimento anti-CBF

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

  • Cesar Greco/Fotoarena

    Presidente do Palmeiras e demais paulistas não quiseram discutir sobre a CBF

    Presidente do Palmeiras e demais paulistas não quiseram discutir sobre a CBF

A opção dos times paulistas por não participar de um encontro que discutiria o novo estatuto da CBF foi tomada em bloco e por sinal de apoio ao presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos.

Como mostrou o Blog do Rodrigo Mattos, em uma reunião em São Paulo na semana passada, seis grandes clubes (Bahia, Atlético-PR, Coritiba, Atlético-MG, Flamengo e Fluminense) decidiram levar a parlamentares no Congresso a discussão da eleição na CBF. A ideia era saber se a mudança de peso nos votos nas eleições da entidade não iam contra a legislação. O relator da lei do Profut, Otávio Leite, (PSDB-RJ) já disse entender que houve desrespeito às regras pela CBF e entrou com ação junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro para anular a eleição.

O detalhe é que a reunião entre os clubes foi marcada na capital paulista justamente para atrair Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos. Para definir uma postura conjunta, os quatro grandes se reuniram com a FPF e concluíram, ao analisar o caso, que não houve diminuição nem aumento do poder dos clubes. Por isso, não topariam uma reunião com os descontentes.

"A gente conversou entre nós e com a Federação. E entendemos que o poder dos clubes não foi alterado. Ele não foi diminuído, mas também não aumentou. Então não fomos à reunião e deixamos a FPF nos representar, como clubes afiliados", disse o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, em evento na Federação Paulista de Futebol.

Os presidentes de São Paulo e Santos alegaram que tinham problemas de agenda, mas não enviaram nenhum representante. Todos são unânimes em dizer que a decisão foi tomada em conjunto e não por pressão de Reinaldo. A CBF e as federações estaduais votaram por modificação no estatuto da entidade para concentrar mais poder. As entidades estaduais passaram a ter peso três no voto, os clubes da Série A tiveram peso dois, e, os da Série B, peso um.

Para clubes como Flamengo e Atlético-PR, a mudança, que foi votada sem a participação dos clubes, aumenta o poder das federações estaduais. A configuração impede, por exemplo, que um candidato ligado aos clubes tenha condição de vencer uma eleição presidencial na CBF. Pelo modelo aprovado, as federações somam 81 votos contra 60 dos clubes. 

Com a postura conjunta, os clubes paulistas voltam a mostrar alinhamento com a Federação Paulista de Futebol quando o assunto é política. Recentemente, eles desistiram de aderir à Liga Sul-Americana de Clubes depois da promessa de Reinaldo de que teriam mais representatividade na Conmebol. Além da relação com Reinaldo, também pesa a ligação com Marco Polo Del Nero. Desde que o ex-presidente da FPF assumiu a CBF, os paulistas têm evitado um confronto direto. 

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