Início como de Kaká, Corinthians e desejo de voltar ao SP: quem é Thomaz

José Eduardo Martins e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Érico Leonan/saopaulofc.net

    Thomaz participa de treinamento no CT do São Paulo, na Barra Funda

    Thomaz participa de treinamento no CT do São Paulo, na Barra Funda

Aos 30 anos, Thomaz chegou ao São Paulo como um desconhecido, mas já começou a agradar a torcida com a boa atuação diante do Linense no final de semana. Agora, o meia pode ser utilizado por Rogério Ceni na partida desta quinta-feira, às 21h30, contra o Cruzeiro, no Morumbi, pela Copa do Brasil. Poucos torcedores tricolores imaginam, entretanto, que o meia vestiu as cores do clube por quase dez anos, teve um início similar ao de Kaká e sempre sonhou em ter sucesso vestindo a camisa com a qual iniciou sua trajetória no futebol.

Thomaz atuou no futebol social do São Paulo dos cinco aos 15 anos de idade. Kaká, quatro anos mais velho, passou deixando sua marca nos mesmos gramados, e servia ao mesmo tempo como referência e amigo, já que havia convivência entre as duas equipes. Em comum, Kaká e Thomaz tinham o enorme destaque dentro de campo e a educação em escolas de renome fora dele.

"Jogamos dos 5 aos 15 anos, no futebol social do São Paulo, até algo em torno de 2000. Ele sempre esteve um nível acima do resto, na época tinhamos a referência do Kaká, que também jogou lá no social. Por trás do futebol tinha amizade com o Kaká, a gente ia em aniversário na casa dele, estava sempre junto. O Thomaz também é um cara estudado, não é alguém que acabou passando por peneiras por não ter outra oportunidade", explica Bernardo Vieira, zagueiro do time de Thomaz na infância no Morumbi, ex-colega de escola e amigo do meia.

Pai de Thomaz era o treinador, mas meia não tinha privilégios

Ao longo destes dez anos, o comandante da equipe 86 (jogadores nascidos em 1986) do futebol social do clube foi o pai de Thomaz, mas os amigos garantem que o meia nunca chegou a ser sequer o capitão do time. "O Thomaz não era capitão. Chega a ser engraçado, ele não tinha privilégio, mas era sempre destaque na bola. Na hora de fazer um elogio ou dar bronca, o pai dele não fazia diferença com o Thomaz", conta Renato Dias, outro companheiro.

Arquivo pessoal
Thomaz é o terceiro, agachado, da esquerda para a direita. Em pé, o pai do jogador

Com a bola nos pés, as referências da "primeira passagem" de Thomaz pelo São Paulo são as melhores possíveis. Os ex-colegas de time lembram que o meia sempre teve destaque, chegam a chamá-lo de "monstro" e dizem que ele nunca chegou a mudar o estilo de jogo.

"Ele sempre foi um monstro. O Thomaz se destacava pela habilidade e tranquilidade. Tinha um drible fácil com as duas pernas, ia para cima do adversário e chutava bem", lembra Renato. "Ele joga demais, excelente contratação. Sempre foi o melhor jogador do time, todos os campeonatos era artilheiro ou melhor jogador. Sempre foi um meia que rouba bola, vai para cima, volta para marcar, objetivo. Acho que nunca mudou o estilo", completa Bernardo.

Thomaz passou, sem se firmar, pela base de SP e Corinthians

Depois de passar pelo social, Thomaz foi integrado ao departamento amador (categorias de base) do São Paulo, mas não se firmou. Passou também por um período de cerca de dois anos no Corinthians, um no Internacional, e depois acabou se transferindo, aos 21 anos, para o futebol suíço.

"Existem várias teorias. Já ouvi dizer que foi por conta da altura dele", diz Renato, sobre o fato de o amigo não ter conseguido se estabelecer em um grande clube brasileiro até hoje. O próprio Thomaz, entretanto, atribui isso a sua ida para a Europa cedo demais – o jogador defendeu o Chiasso, da Suíça.

"Depois da Copa São Paulo, fui para o Inter e fui logo para a Europa. Aí perdi mercado de clubes grandes, tive que passar por times menores. E na Bolívia me firmei, porque pude jogar dois anos, e veio a vitrine, que é a Sul-Americana, Libertadores".

Meia sempre quis retornar ao São Paulo

Ao longo de mais de dez anos longe do São Paulo, Thomaz sempre manteve o sonho de voltar e jogar profissionalmente pelo clube onde passou a infância. Dentre os ex-companheiros de time, Bernardo manteve amizade com o meia ao longo de sua carreira e acompanhou essa trajetória.

"O sonho dele sempre foi voltar para o São Paulo, ele sempre falou isso. Ele sente que está voltando para casa. Eu sempre mantive contato com ele, ele é meu irmão mesmo, quando ele foi para Suíça me deu a camisa do time dele de lá. Ele sempre procurava dar as camisas dos times pelos quais ele passava, guardo todas".

A volta de Thomaz levou alguns de seus ex-companheiros de time ao Morumbi: Renato e outros três estiveram no jogo de estreia dele, e Bernardo esteve com ex-colegas de equipe no último sábado, e pode até ter ajudado na ótima atuação do amigo na goleada por 5 a 0 sobre o Linense, com direito a um gol.

"Ele até comentou comigo que depois que entrou no jogo, sabia onde a gente estava na arquibancada, viu a gente se sentiu mais à vontade pra jogar. Ele faz questão que a gente vá aos jogos".

Depois de conquistar seu espaço no time de Rogério Ceni, Thomaz deve ter um desafio pela frente em dezembro: vestir novamente a camisa dos nascidos em 86 do futebol social do São Paulo em um churrasco com direito a pelada.

"Nesse ano, uma viagem nossa para o Japão completa 20 anos. Em dezembro, queremos fazer uma partida com todo mundo. Acredito que ele vai jogar", espera o amigo Renato.

Para isso, Thomaz precisará da autorização do São Paulo. Por enquanto, terá que se contentar em ser uma das armas de Rogério Ceni no confronto desta quinta, diante do Cruzeiro, pela Copa do Brasil, e domingo, contra o Corinthians, pelas semifinais do Paulista.

Ficha técnica

São Paulo x Cruzeiro

Copa do Brasil

Local: Morumbi, em São Paulo
Horário: 21h30
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Auxiliares: Rafael da Silva Alves e Leirson Peng Martins (RS)

São Paulo: Renan Ribeiro; Buffarini, Maicon, Rodrigo Caio e Júnior Tavares; Jucilei, Thiago Mendes e Cícero; Thomaz (Wellington Nem), Lucas Pratto e Luiz Araújo. Técnico: Rogério Ceni.
Cruzeiro: Rafael; Ezequiel, Léo, Manoel e Diogo Barbosa; Ariel Cabral e Hudson; Thiago Neves, Arrascaeta e Alisson; Ramón Ábila. Técnico: Mano Menezes.

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