Argentino passou pelo Flu sem brilho, mas virou peça-chave na Inglaterra

Bruno Doro e Leo Burlá

Do UOL, em São Paulo

  • Yui Mok/AP

Manuel Lanzini chegou ao Brasil em 2011, jogou um ano no Fluminense e deixou as Laranjeiras sem brilhar muito. Na época, o time carioca procurava um substituto para Dario Conca, vendido para o futebol chinês, e a revelação do River Plate parecia uma aposta factível.

Aos 18 anos, porém, o meio-campista fez 22 partidas e foi titular apenas 13 vezes. Fez parte do elenco campeão brasileiro em 2012, mas não conseguiu convencer a torcida. Por isso, o tricolor saudosista que assiste Lanzini hoje não consegue deixar de questionar o que aconteceu desde então com o argentino.

"Lanzini chegou junto com Martinuccio e Rafael Sobis. Como sempre foi muito franzino e baixinho, era muito comparado ao Conca na época, apesar de ser destro. Ele demorou a se adaptar, tanto que demorou a ser titular. Começou a ter mais chances no Brasileiro daquele ano, com o Abel. Um jogo que marcou foi contra o Santos, em que o Neymar deu dois lençóis na mesma jogada nele, lá na Vila Belmiro. Isso foi logo no início do jogo", lembra Erich Onida, assessor de imprensa do Fluminense entre 2010 e 2012.

Dhavid Normando /Photocamera
O jogador que não conseguiu se firmar no Brasil hoje é um dos destaques do West Ham, da Inglaterra. Tudo bem que o time londrino não faz sua melhor temporada, mas o argentino é um dos poucos elogiados do elenco.

A equipe treinada por Slaven Bilic é só a 14ª colocada e luta contra o rebaixamento na Premier League. Lanzini é a estrela do time e ídolo dos torcedores, principalmente depois da conturbada saída do francês Payet do elenco – o atacante fez greve e forçou sua saída na janela de transferências de janeiro.

Desde então, Lanzini assumiu o protagonismo. Ele soma sete gols e duas assistências na temporada. Antes de janeiro, só tinha balançado a rede três vezes. "Payet diminuía a pressão para os outros jogadores, mas estou confortável com a nossa situação atual. Eu sinto que minha importância para o time cresceu e era justamente o que eu queria", disse o jogador em entrevista ao canal britânico Sky.

Ele anda jogando tão bem que times ainda mais poderosos na Inglaterra já pensam em sua contratação. Segundo o Mirror, um deles é o Everton. O time, que se preparara para perder o centroavante Lukaku, também pode ver o meia Ross Barkley se despedir. A imprensa do país já diz que o argentino seria o substituto ideal.

Mas como Lanzini conseguiu sair do Brasil sem muito alarde e se transformar em peça-chave no futebol inglês? Primeiro, a idade fez a diferença. O argentino tinha apenas 18 anos quando chegou nas Laranjeiras. Era considerado uma joia do River Plate, mas era um jogador ainda em formação.

"Ele é habilidoso, jogava como meia e atacante, mas mais de lado de campo. Era mais jogador que o Martinuccio. Mas todo mundo já falava que a permanência dele era muito difícil desde que ele chegou no Flu. O valor para renovação do empréstimo era muito alto. Todos davam como impossível, tanto que ele foi embora ao fim do empréstimo. Mas todos viam muita qualidade nele no Fluminense, já mostrava que era bom jogador", analisa Onida.

Acabou tendo pouco tempo para mostrar talento. Ele só ficou 12 meses no time. O River Plate pediu muito por sua contratação. Em 2012, o clube argentino queria R$ 27 milhões pelo jogador. Lanzini ficou no River até 2014, quando foi vendido para o Al-Jazira dos Emirados Árabes (que pagou 7,5 milhões de euros – cerca de R$ 23 milhões na época – pelo atleta). Chegou à Inglaterra no ano seguinte, por empréstimo. Os ingleses o compraram no ano passado, por 12 milhões – mais de R$ 43 milhões.

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