Ceni acha vaia e protesto normais, mas defende desempenho do São Paulo

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

Depois de duas derrotas em casa por 2 a 0 para Cruzeiro e Corinthians pela Copa do Brasil e pelas semifinais do Paulista, Rogério Ceni viu os primeiros processos mais fortes da torcida contra seus jogadores. Depois do tropeço deste domingo diante do rival, treinador considerou as vaias e críticas normais, falou em imediatismo no futebol, mas defendeu o desempenho do São Paulo em ambos os jogos e sustentou que não mudará a forma de jogar.

O que mais vale no trabalho é o acumulo de dias, de jogos. Sei o sentimento do atleta, do torcedor quando perde, a alegria, a vaia, o aplauso. Isso se aprende na vida, ao longo da carreira no futebol. Passei a vida convivendo com isso, como técnico não é diferente. É compreensivel o torcedor sair chateado. Não faltou a dedicação, a luta, o empenho, mas no final são só dois numeros que importam, os de gols do seu time e os do adversário. Os do jogo ficam secundários. Tem que saber trabalhar com a insatisfação, com vaias, com momento dificil,  a derrota" , afirmou o comandante.

Para Ceni, os protestos mais intensos (a torcida permaneceu na porta do Morumbi depois da partida deste domingo diante do Corinthians protestando) são fruto de impulso dos torcedores em uma cultura imediatista no futebol.

"Sou profissional, treinador de futebol, trabalhando o melhor para o clube. Sobre a manifestação lá fora, eu estou aqui dentro, não sei o que é. A da torcida, no estádio, é normal. Torcedor é impulsivo, quer o resultado, é normal. Tenho total consciência de que meu trabalho está sendo feito da melhor forma possivel, para o bem do São Paulo, mas perdermos por 2 a 0 em casa, é sempre ruim para o treinador".

Rogério fez questão de defender a forma de jogar de seu time. Citou volume de jogo, posse de bola, finalizações, e lamentou que os resultados, nas últimas duas partidas, não corroborem a postura.

"Vamos trabalhar como trabalhamos desde o dia 4 de janeiro, e o time vai jogar da mesma maneira como jogou os jogos que ganhou até agora. Sempre para frente, sempre buscando o gol. Vamos tentar jogar sempre à frente, em busca do gol. Nesses dois jogos tivemos mais posse de bola, mais cruzamentos, mais chutes, mas perdemos os jogos. Vamos continuar fazendo o mesmo trabalho, isso nao vai ser tirado desse time por uma ou duas derrotas".

Ceni admitiu que é dificil digerir os dois maus resultados, mas explicou que precisa ter frieza nesse momento, e não analisar as coisas como são-paulino.

"Duas derrotas em casa, independente do momento da competição, colocando acima de 40 mil pessoas, é dificil de digerir. Não posso me colocar na arquibancada, sou treinador. Nem podia quando era jogador, não posso fazer uma análise desse tipo. Primeiro tempo faltou a gente competir um pouco mais, faltou um pouco de pegada. No segundo só tenho a agradecer o time e elogiar, o Gilberto entrou muito bem no jogo, o Jucilei esteve. Tivemos as chances, cruzamos bolas, o Cássio fez boas defesas. Fizemos o que o jogo pedia, tiramos os dois pontas,  jogamos em um losango no meio campo. Cruzamos muito, a defesa tirou muitas, e as bolas que finalizamos infelizmente não resultaram em gol".

O São Paulo não terá paz nos próximos dias: na terça-feira, Carlos Augusto de Barros e Silva, atual presidente, e José Eduardo Mesquita Pimenta, ex-presidente, se enfrenta nas eleições do clube. Na quarta-feira, o segundo jogo diante do Cruzeiro. No fim de semana, o Corinthians em Itaquera – ambas as partidas precisando vencer por três gols de diferença para vançar na Copa do Brasil ou no Paulista.

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