São Paulo repete erros em duas decisões e vê semestre inteiro ameaçado

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

Duas derrotas em casa por 2 a 0, contra duas equipes que se defendem muito bem, repetição dos mesmos erros e padrões. Os 180 minutos do São Paulo diante de Cruzeiro e Corinthians, pela Copa do Brasil e pelo Paulista poderiam até ser dois tempos de um mesmo jogo, com as mesmas características. Jogando no Morumbi, o time comandado por Rogério Ceni repetiu vacilos e pode ver seu primeiro semestre encerrado sem títulos já no próximo domingo.

Ao contrário do que aconteceu na primeira fase do Paulista, o São Paulo não conseguiu traduzir seu volume de jogo, posse de bola e alta quantidade de finalizações em gols. Enquanto isso, os problemas defensivos que assolaram o time ao longo dos primeiros quatro meses da temporada voltaram a aparecer.

Bola aérea e espaço entre as linhas foram vilões

Na Copa do Brasil, o Cruzeiro bateu o São Paulo graças à bola parada pelo alto, algo que incomoda o clube paulista desde o começo na temporada. Duas bolas levantadas na área, um gol contra de Pratto e uma cabeçada de muito longe de Hudson garantiram a vitória dos mineiros, que deixaram o adversário com a bola durante quase toda a partida, mas foram pouco incomodados.

Diante do Corinthians, as falhas vieram em contra-ataques, com muito espaço na intermediária defensiva do São Paulo, onde Rodriguinho conduziu a bola e teve espaço para, no primeiro gol, enfiar belo passe para Jo e, no segundo, arriscar de fora da área e vencer Renan Ribeiro.

Estatítiscas mostram histórias quase iguais nas duas partidas

Os números dos dois jogos impressionam pelas semelhanças. Tanto contra Cruzeiro como contra o Corinthians, o São Paulo teve posse de bola na casa dos 60-65%, trocou perto de 200 passes a mais que o adversário e finalizou muito mais a gol.

Diante da mesma dificuldade para chegar ao gol adversário, o São Paulo abusou dos cruzamentos nas duas partidas: 35 a 10 contra os mineiros, 37 a 10 contra o rival paulista, sendo que em torno de 20% chegaram aos pés de algum atacante. Os adversários, enquanto isso, apostaram em um jogo direto, tentando cada um ao menos 20 lançamentos a mais do que o time comandado por Ceni. Os números são do Footstats.

Eliminações devem aumentar pressão por reforços para o Brasileiro

O São Paulo, na próxima quarta e no final de semana, precisará vencer Cruzeiro e Corinthians por ao menos dois gols de diferença para ter alguma chance de avancar na Copa do Brasil ou no Paulista. Eliminações nas duas competições encerram já em abril o planejamento de primeiro semestre do clube, que passa a ter foco total no Brasileiro e na Sul-Americana.

Nesse cenário, a pressão interna e externa por reforços, algo já discutido internamente, vai aumentar. O São Paulo tem eleições presidenciais nesta terça, e ambos os candidatos tem em sua plataforma de campanha a chegada de contratações: José Eduardo Mesquita Pimenta aposta na criação de um fundo de mais de R$ 100 milhões que possa financiar a chegada de nomes de peso; Carlos Augusto de Barros e Silva, o atual mandatário, promete mais um jogador de renome.

As eliminações não balançam Rogério Ceni no cargo, independentemente do resultado das eleições – ambos os candidatos já deixaram claro que contam com o treinador. O elenco também não deve sofrer grandes mudanças, já que todos os atletas atuais, no momento, ou fazem parte dos planos de Ceni, ou acabaram de chegar (casos do meia Thomaz e dos atacantes Marcinho e Morato). 

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